Saiba tudo o que você precisa para viajar ao Monte Roraima: como chegar, a melhor época para ir, as principais atrações e muito mais!
Com uma altura de 2.810 metros (9.219 pés), o Monte Roraima é o 8º pico mais alto do Brasil e um dos mais elevados do planeta. Poucos lugares reúnem tanta história geológica quanto a altura do Monte Roraima, um verdadeiro gigante da América do Sul.
Conhecido pela beleza selvagem, pelas formações geológicas antigas e pela espiritualidade, o local atrai milhares de turistas de todas as partes do mundo. Segundo o Ministério do Turismo do Brasil, o estado de Roraima recebeu mais de 16.000 viajantes estrangeiros em 2024, e boa parte tinha a montanha como destino.
Quer saber mais? O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes do Monte Roraima, preparou um guia de viagem do Monte Roraima completo, com todas as informações essenciais para uma ótima viagem. Confira abaixo!
Sumário:
- Sobre o Monte Roraima
- O Monte Roraima é o lugar mais antigo da Terra?
- Onde fica o Monte Roraima?
- Como chegar ao Monte Roraima?
- Qual é a melhor época para o Monte Roraima?
- Principais atrações: o que há no topo do Monte Roraima
- Dá para visitar o Monte Roraima?
- É seguro visitar o Monte Roraima?
- O que levar para uma trilha do Monte Roraima?



Sobre o Monte Roraima
O Monte Roraima é um tepui, formação geológica em forma de mesa típica do norte da América do Sul. Com vistas de planaltos, penhascos e paisagens naturais singulares, foi escalado pela primeira vez em 1884 pelo explorador britânico Sir Everard im Thurn.
A descoberta de um lugar remoto e misterioso inspirou uma das obras literárias mais famosas de todos os tempos. O Mundo Perdido, escrito em 1912 por Sir Arthur Conan Doyle, foi inteiramente inspirado no Roraima. Na história, um grupo de estudiosos parte de Londres para explorar um planalto isolado onde dinossauros e outras criaturas pré-históricas escaparam da extinção. O livro, por sua vez, inspirou Jurassic Park.
Fora dos livros e filmes de ficção, a mitologia do Monte Roraima é bastante conhecida. A principal é a lenda de Makunaíma, herói indígena que nasceu de um lago fertilizado pelo sol e pela lua. Esperto, forte e justo, ele é o protetor da Árvore de Todos os Frutos, uma árvore lendária que fornece todos os alimentos. A origem da história é atribuída ao povo indígena Macuxi.
Essa lenda inspirou a obra homônima do autor brasileiro Mário de Andrade, que também se baseou nos relatos do explorador alemão Theodor Koch-Grünberg. No livro de 1928, Macunaíma é um anti-herói que vai a São Paulo para recuperar um artefato valioso.
Para os povos indígenas da região (Macuxi, Pemón, Taurepang, Arekuna, Kamarakoto, entre outros), o Monte Roraima é um lugar sagrado. Acredita-se que a chamada Terra de Makunaíma guarda uma conexão poderosa entre o homem e a natureza, equilibrando respeito, ancestralidade e aspectos místicos.
O Monte Roraima é o lugar mais antigo da Terra?
A composição geológica do Monte Roraima é formada principalmente por rochas pré-cambrianas que datam de cerca de 2 bilhões de anos, uma janela para o passado distante do planeta.
Ao longo de milhões de anos, a montanha resistiu à erosão implacável, que moldou sua paisagem única e revelou o planalto plano que se estende por cerca de 31 km².
Além disso, a atividade tectônica também esculpiu o Roraima, fator decisivo para o título de lugar mais antigo da Terra, já que a montanha faz parte da antiga cadeia de Pakaraima, formada ao longo de bilhões de anos pelo movimento das placas tectônicas.
Onde fica o Monte Roraima?
O Monte Roraima fica na tríplice fronteira entre Venezuela, Brasil e Guiana, na América do Sul. A maior parte está dentro dos limites da Venezuela (85%), enquanto os lados brasileiro e guianense representam 5% e 10%, respectivamente.
No Brasil, a área é administrada pelo estado de Roraima, mais especificamente no município de Uiramutã. Veja o mapa do Monte Roraima abaixo:
Como chegar ao Monte Roraima?
O acesso mais prático ao Monte Roraima é por Boa Vista, capital do estado de Roraima, no Brasil. O Aeroporto de Boa Vista (BVB) recebe voos diários de Brasília, Manaus e São Paulo.
De lá, os viajantes seguem para o norte pela rodovia BR-174, cruzam para a Venezuela e chegam a Santa Elena de Uairén, na Gran Sabana, em Bolívar, o principal ponto de partida para as expedições (a 20 km do Brasil). A cidade oferece hospedagem e uma pausa antes do início da trilha.
Santa Elena tem um pequeno aeroporto, mas os voos são raros e pouco confiáveis, o que torna o trajeto por estrada a partir de Boa Vista a opção preferida. Da cidade, a rota segue até a Comunidade de Paraitepuy, a porta de entrada oficial para as trilhas.
A travessia pela Gran Sabana revela paisagens impressionantes, onde os viajantes costumam ter o primeiro vislumbre do tepui.
👉 Leia mais: como chegar ao Monte Roraima
Qual é a melhor época para o Monte Roraima?
O clima no Monte Roraima é muito imprevisível e acompanha o clima tropical da Venezuela. Chuva, neblina e mudanças bruscas de temperatura podem acontecer a qualquer momento, então estar preparado para todas as condições é essencial o ano inteiro.
De outubro a março (estação seca), a trilha costuma ser mais fácil, com menos chuva e caminhos mais limpos. As vistas do topo do Monte Roraima aparecem com mais frequência, e as temperaturas variam de 20–25°C (68–77°F) na base a 10–15°C (50–59°F) no cume durante o dia, caindo para 5°C (41°F) ou até 0°C (32°F) à noite.
De abril a setembro (estação chuvosa), as trilhas ficam mais enlameadas e desafiadoras, mas as cachoeiras ganham mais volume, e algumas só aparecem nesse período.
O ano todo, quem faz a trilha deve esperar noites frias, ventos constantes, pancadas de chuva à tarde e neblina no cume, elementos que tornam cada expedição única.
Principais atrações: o que há no topo do Monte Roraima
Vale dos Cristais
O Vale dos Cristais é uma depressão rasa no planalto do Roraima coberta por milhões de cristais de quartzo espalhados sobre o arenito escuro como vidro quebrado. Os cristais se formaram há cerca de 1,8 bilhão de anos, quando o tepui ainda fazia parte de um antigo fundo de mar, o que os coloca entre os minerais expostos mais antigos da Terra.
A retirada de cristais é terminantemente proibida pelas autoridades do parque venezuelano, e os guias locais Pemón tratam o vale como solo sagrado. Os Pemón acreditam que os cristais são fragmentos de estrelas que caíram quando Makunaima, o deus criador, derrubou a árvore da vida original.
Lago Gladys
O Gladys é uma piscina pequena e escura no topo do planalto, batizada pelo botânico britânico Everard Im Thurn em homenagem à heroína de O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle. A água repousa numa bacia natural de arenito e reflete as formações rochosas ao redor como um espelho negro.
O lago é uma das poucas fontes permanentes de água no cume, alimentado pela neblina constante e por mais de 4.000 mm de chuva anual que atingem a região. Espécies endêmicas, como a minúscula rã preta Oreophrynella, que não existe em nenhum outro lugar do planeta, vivem no musgo das margens.
👉 Leia mais: 10 curiosidades sobre o Monte Roraima
El Foso
Um poço natural circular esculpido no arenito, com cerca de 20 metros de profundidade, preenchido por água da chuva tão escura que parece tinta. As paredes do El Foso descem quase na vertical, polidas por milênios de erosão, e a superfície permanece imóvel mesmo em dias de vento, porque o poço fica abaixo do nível do vento do planalto.
Para os Pemón, o El Foso é um dos “olhos da montanha”, pontos de onde os espíritos do Monte Roraima observam o mundo lá embaixo. Quem chega até ele costuma nadar algumas braçadas numa água que fica em torno de 8–12°C o ano todo, mesmo quando o ar acima está mais quente.
Maverick Rock
A formação rochosa mais fotografada do cume, o Maverick é um enorme bloco isolado moldado pelo vento e pela chuva num formato que lembra um rosto de perfil. Fica perto da borda do planalto, com uma queda de 400 metros logo atrás.
A rocha faz parte da formação de arenito Mato-Tepui, a mesma camada geológica que compõe toda a cadeia Pacaraima. A lenda Pemón conta que as silhuetas talhadas pelo vento no planalto são os rostos petrificados de guerreiros que desafiaram Makunaima e viraram pedra.
La Ventana
La Ventana é uma abertura natural na rocha, bem na borda do planalto, que emoldura a vista da savana 1.000 metros abaixo. Em manhãs claras, dá para ver o Kukenán-tepui a oeste e, em dias raros, até as fronteiras da Guiana.
A janela é voltada para o leste, o que faz dela o ponto mais procurado para o nascer do sol na trilha. Ao amanhecer, a neblina sobe da savana e escorre pela abertura, um fenômeno que os Pemón chamam de “o sopro da montanha”.
👉 Leia mais: o topo do Monte Roraima
Jacuzzis
Os jacuzzis são uma série de piscinas naturais esculpidas no quartzito por córregos que cruzam o planalto: bacias redondas e rasas de água cristalina e gelada, cercadas de rocha preta. As maiores têm cerca de 2 metros de diâmetro e 1 metro de profundidade, alimentadas por nascentes que brotam direto do arenito.
A temperatura da água fica entre 6 e 10°C o ano todo, e o teor mineral dá a ela um leve tom rosado, por causa do ferro da rocha ao redor. A maioria dos grupos para aqui para um mergulho rápido a caminho do Ponto Triplo (o ponto onde Venezuela, Brasil e Guiana se encontram).
Coati Camp
O Coati é um abrigo natural na rocha (basicamente uma caverna larga e rasa formada por arenito em balanço), onde os trekkers dormem na segunda ou terceira noite da rota, já no topo do planalto. Um pequeno córrego de água potável corre por perto, algo muito bem-vindo para quem acampa.
O teto de rocha bloqueia boa parte da neblina e da chuva constantes que atingem o cume, o que faz dele um dos poucos pontos secos do Roraima e a razão pela qual toda expedição o usa como base.
Dá para visitar o Monte Roraima?
Sim, você pode visitar o Monte Roraima sem problemas, mas vale saber que o local é remoto, o acampamento é a principal forma de hospedagem e alguns viajantes estrangeiros podem precisar de visto para entrar no Brasil e/ou na Venezuela.
Canadenses e norte-americanos, por exemplo, precisam de visto para os dois países, enquanto o visto chinês só é exigido na Venezuela. Ao chegar em Santa Elena de Uairén, os brasileiros precisam apenas de um documento de identidade.
Descubra se você precisa de visto no Sherpa e verifique as condições no Ministério das Relações Exteriores do Brasil e nos canais oficiais da embaixada da Venezuela no seu país.
👉 Leia mais: visto para o Monte Roraima
É seguro visitar o Monte Roraima?
Sim, visitar o Monte Roraima é considerado seguro, especialmente quando a viagem começa pelo Brasil. Boa Vista é uma porta de entrada confiável, com voos diários das principais cidades, e a travessia para a Venezuela por Santa Elena de Uairén é uma rota bem estabelecida e muito usada por turistas.
Com passeios organizados, os procedimentos de fronteira são simples, e a própria cidade se adaptou para receber os trekkers, com hospedagem, restaurantes e apoio às expedições. Viajar com operadores locais garante uma logística tranquila e traz segurança desde o momento em que você pousa no Brasil.
A trilha em si também é segura quando feita com guias locais experientes que conhecem o terreno. Subir até o topo do Monte Roraima exige preparo físico, mas as trilhas são bem sinalizadas e os acampamentos são organizados.
Com a orientação certa e expectativas realistas, os visitantes aproveitam essa aventura com segurança e podem focar nas paisagens incríveis ao longo do caminho.
O que levar para uma trilha do Monte Roraima?
Fazer as malas com inteligência é fundamental para o sucesso de uma expedição ao Monte Roraima, já que você vai caminhar por vários dias. Equipe-se com botas de trekking resistentes, roupas respiráveis e ao mesmo tempo protetoras e itens à prova de intempéries para encarar os climas variados da montanha.
Entre os itens essenciais estão uma mochila robusta, um saco de dormir para 0°C (32°F) confortável, bastões de trekking confiáveis e uma lanterna de cabeça eficiente. Priorize a hidratação com garrafas de água reutilizáveis e garanta a segurança com um purificador de água portátil.
Complete o equipamento com lanches energéticos, protetor solar, óculos de sol e um chapéu para se proteger do sol e do vento.
👉 Leia mais: dicas de viagem para o Monte Roraima
Qual é o nível de dificuldade da trilha do Monte Roraima?
A trilha do Monte Roraima é uma caminhada desafiadora que exige resistência e preparo. Alguns trechos, como as subidas íngremes e as passagens rochosas escorregadias, pedem atenção extra e força física.
O trajeto chega a 100 km em vários dias, com longas caminhadas, travessias de rios e trilhas acidentadas. As noites em altitude elevada trazem temperaturas baixas e condições de acampamento nem sempre ideais.
Ainda assim, com bom condicionamento físico, equipamento adequado e o apoio de guias locais experientes, a aventura é totalmente viável e muito recompensadora!
Quantos dias ficar no Monte Roraima?
A trilha até o Monte Roraima dura pelo menos 6 dias. O primeiro ponto a ter em mente é que a subida ao cume envolve 3 dias de caminhada pela selva densa e por trilhas desafiadoras, seguidos de 2 dias de descida.
Pacotes do Monte Roraima
O PlanetaEXO oferece ótimos pacotes de trekking no Monte Roraima que incluem hospedagem na Venezuela, equipamento de acampamento compartilhado, refeições e passeios guiados incríveis por alguns dos pontos mais emblemáticos dos tepuis.
| PACOTE | DESTAQUES | DURAÇÃO | PREÇO A PARTIR DE* |
| Trekking no Monte Roraima | 7 dias de caminhada; visita às principais atrações do Monte Roraima (Lago Gladys, Vale dos Cristais, Maverick, La Ventana, Jacuzzis etc.); Coati Camp; imersão na cultura local. | 8 dias | R$ 6.950 |
| Caminhada no Monte Roraima | 8 dias de caminhada; visita às principais atrações do Monte Roraima (Lago Gladys, Vale dos Cristais, Maverick, La Ventana, Jacuzzis etc.); Coati Camp; imersão na cultura indígena. | 10 dias | R$ 7.850 |
| Expedição ao Monte Roraima | 9 dias de caminhada; visita às principais atrações do Monte Roraima (Lago Gladys, Vale dos Cristais, Maverick, La Ventana, Jacuzzis etc.); Coati Camp; imersão na cultura Pemón. | 12 dias | R$ 9.950 |
*Por pessoa, com base em ocupação dupla em saídas em grupo. Os preços podem variar conforme a temporada e a disponibilidade. Câmbio de 25 de maio de 2026, sujeito a alteração.
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