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  • Veículo de safári aberto atravessa uma ponte de madeira sobre a baía no Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal Sul

    Safári solo no Pantanal: a viagem de Andrea ao Refúgio Ecológico Caiman

    Uma bióloga australiana, um simpósio sobre fauna silvestre em Campo Grande e cinco dias sozinha no Refúgio Ecológico Caiman, nas palavras da própria Andrea

    Andrea Laws-King, 67, é australiana, bióloga especialista em reprodução, amazona de enduro equestre e empresária. Veio ao Brasil para participar do III Simpósio Internacional de Biotecnologias Reprodutivas Aplicadas à Conservação da Vida Selvagem, em Campo Grande.

    Depois do evento, ela teria alguns dias livres e queria aproveitá-los para conhecer melhor o país. Foi pesquisando destinos até encontrar o Pantanal, um lugar que ela nem conhecia de nome. Ficava perto de Campo Grande e combinava com o interesse dela por natureza e animais — era o destino perfeito para sua viagem solo.

    Em agosto de 2026, Andrea passou cinco dias no Refúgio Ecológico Caiman. A reserva particular de 53.000 hectares recebe hóspedes do mundo todo em acomodações de luxo e organiza atividades de ecoturismo e conservação. A viagem inteira foi planejada e reservada com o PlanetaEXO. Esta é a história dela. Confira abaixo!

    Andrea em uma caminhada guiada pela mata de palmeiras do Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal
    Photo: Andrea Laws-King

    Onças-pintadas de perto com o Onçafari

    Durante a estadia, Andrea acompanhou de perto o trabalho do Projeto Onçafari, iniciativa de conservação e proteção de onças-pintadas. O projeto aposta na habituação: aos poucos, os animais se acostumam à presença humana, o que facilita a pesquisa e fortalece o ecoturismo. Criado em 2011 dentro das terras do próprio Caiman, o programa faz do lodge o melhor lugar de todo o Pantanal Sul para ver esses grandes felinos.

    Andrea sabia que o Onçafari fazia parte do roteiro reservado com o PlanetaEXO, mas não tinha muita noção do que o projeto realmente envolvia. Não demorou para se encantar com o trabalho da equipe. “Gostei muito do meu dia com o Onçafari, vendo as onças e aprendendo sobre elas”, contou. “Com certeza me abriu os olhos para a conservação da vida selvagem.”

    Bom saber: os safáris regulares do Caiman já dão boas chances de ver uma onça. No entanto, a Onçafari Experience, que oferece um mergulho na ciência por trás do projeto, é cobrada à parte. Muitos viajantes, como Andrea, dizem que vale o investimento!

    Onça-pintada descansando em um galho de árvore no Pantanal, o felino que o Onçafari ajuda a proteger
    Photo: Onçafari

    👉 Leia mais: Onde ver onças-pintadas no Pantanal

    Araras-azuis, árvores novas e uma homenagem comovente

    Andrea descobriu o Projeto Arara Azul no site do Caiman e, assim que chegou ao lodge, pediu para participar da atividade. A arara-azul é considerada o maior papagaio voador do planeta e continua classificada como vulnerável. Fundado em 1990 pela pesquisadora Neiva Guedes, o projeto é mantido por contribuições fixas cobradas em cada saída, e cada centavo vai direto para as ações de proteção.

    Andrea e seu grupo, composto por famílias da França e Inglaterra, assistiram de camarote os cientistas subirem nas árvores para verificar os ninhos. “Adorei sair com eles para visitar ninhos naturais e artificiais das araras-azuis, enquanto era observada por essas magníficas aves.”

    No passeio, Andrea teve uma surpresa boa: a chance de plantar uma árvore. Contribuir com a flora local após observar um dos animais mais emblemáticos do Pantanal a deixou feliz e emocionada. Para ela, foi um dos momentos mais marcantes da viagem, e por um motivo muito pessoal. “Me pediram para dar um nome [à árvore]! O grupo sugeriu o do meu cachorro velhinho, Snowball, que tinha acabado de falecer na Austrália”, lembrou, com carinho.

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    A combinação certa: natureza, guias especialistas e hospitalidade de alto padrão

    No Caiman, quem dita o roteiro é o ritmo da natureza. Os safáris acontecem bem cedo e de novo à tarde, horários em que os animais estão mais ativos e as chances de vê-los são maiores. Na volta para o lodge, quando a noite cai sobre o Pantanal, os guias usam holofotes para encontrar as espécies de hábitos noturnos.

    Quando o assunto são os guias, Andrea é direta e só tem elogios. “Os guias eram extremamente bem preparados. Queriam que todo mundo visse o máximo possível de aves e bichos. O respeito deles pelos animais e pela natureza não tinha tamanho.”

    De volta ao Caiman, ela logo percebeu o contraste entre a natureza intocada e os serviços de alto padrão que recebia como hóspede. “A experiência no lodge foi incrível! Entre um safári e outro em veículos abertos, a estadia foi fenomenal”, disse, encantada.

    A acomodação principal, a Casa Caiman, é uma antiga sede de fazenda com 18 suítes, restaurante, bar, piscina e um deck com vista para a baía. Andrea aprovou tudo. “A organização no Caiman foi impecável”, elogiou. “O conforto era sem igual, e a equipe não podia ser melhor!”

    Piscina com espreguiçadeiras e redes sob as árvores na Casa Caiman
    Photo: Felipe Castellari

    👉 Leia mais: Onde se hospedar no Pantanal

    Segurança para mulheres que viajam sozinhas

    Sua primeira experiência no Brasil foi durante a infância, em uma viagem em família ao Rio de Janeiro. Anos depois, voltava ao Brasil como adulta e sozinha, num país completamente diferente da Austrália. “Estava animada, mas também um pouco nervosa”, admitiu. O nervosismo, no entanto, logo passou. “Me senti segura durante a estadia, e as pessoas foram todas muito acolhedoras.”

    Ter uma equipe especializada cuidando da logística também fez diferença para Andrea. “Ir ao Pantanal numa viagem organizada pelo PlanetaEXO facilitou tudo para uma mulher que viaja sozinha”, disse. “Os traslados de chegada e de saída correram sem nenhum contratempo, e a equipe me manteve bem informada. Eu me senti muito segura.”

    Andrea com o grupo de viajantes em volta da árvore Snowball recém-plantada no Caiman
    Photo: Andrea Laws-King

    👉 Leia mais: Ecoturismo cresce entre mulheres que viajam sozinhas pelo Brasil

    As dicas de Andrea para viagens ao Pantanal e ao Caiman

    Quando perguntaram que conselho daria a quem vai ao Pantanal pela primeira vez, Andrea nem hesitou. “Sem dúvida: reserve com o PlanetaEXO e faça a viagem ao Caiman. É exatamente como está descrito [no site].”

    Ela também reparou na cavalgada, ainda que tenha ficado de fora. Como o enduro equestre já faz parte de seu trabalho, quis aproveitar o tempo com atividades fora da rotina. Mesmo assim, notou que os passeios a cavalo são excelentes para quem tem menos experiência.

    “[No Caiman], as cavalgadas são pensadas para quem não monta, com ritmo lento e no esquema ‘siga o líder’.” Uma ótima dica para iniciantes!

    Hóspedes em uma cavalgada tranquila por uma trilha na mata do Caiman, seguindo o guia
    Photo: Lais Moura

    O Pantanal em três palavras e os próximos planos de viagem de Andrea

    Impressionada com o conforto do Caiman, a conexão com a natureza e a beleza do Pantanal, Andrea resumiu a viagem em três palavras: “Imenso. Remoto. Encantamento.”

    Gostou tanto da viagem pelo Brasil que já quer voltar, desta vez para outro destino. “Na próxima, eu adoraria conhecer a Amazônia! Ver piranhas e botos-cor-de-rosa? Quero muito!”

    Hóspedes observam um tamanduá-bandeira no campo durante um safári no Caiman
    Photo: Felipe Castellari

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    Conheça o Caiman e o Pantanal Sul com o PlanetaEXO

    Agora que você conheceu o Caiman pelos olhos de Andrea, já sabe o que este canto do Pantanal oferece: pesquisa com onças-pintadas que dá para acompanhar de perto, araras-azuis de olho em você do topo dos ninhos e conforto absoluto entre um safári e outro.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em viagens ao Pantanal Sul. Trabalhamos com guias e operadores locais experientes e cuidamos da logística (traslado saindo de Campo Grande, hospedagem, refeições e programação de atividades) para você só ter olhos para a fauna. Fale conosco agora!

    Vista aérea do Refúgio Ecológico Caiman com a sede, a baía e as áreas alagadas do Pantanal Sul
    Photo: Felipe Castellari
  • Pessoa remando uma canoa de madeira num rio calmo da floresta ao pôr do sol, um momento clássico de um passeio na Amazônia saindo de Manaus

    10 dicas de Manaus para aproveitar seu passeio na Amazônia

    Segurança, saúde, comida, passeios logo cedo e programas na cidade: as dicas de Manaus para quem vai passar alguns dias por lá antes ou depois da floresta

    Manaus é a principal porta de entrada da Amazônia brasileira, mas as experiências mais marcantes costumam começar longe da cidade. De hotéis de selva isolados e cruzeiros em pequenos grupos a expedições de acampamento com guia, não faltam maneiras de explorar a maior floresta tropical do planeta.

    Se você está planejando uma viagem para Manaus para conhecer a Amazônia, estas 10 dicas práticas vão ajudar você a viajar com segurança, escolher a experiência certa, fugir das armadilhas para turistas e aproveitar melhor o seu tempo na região.

    O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes na Amazônia, preparou este guia com dicas de Manaus para quem vai visitar a cidade, principalmente se você pretende explorar a floresta. Confira abaixo!

    Ponte Rio Negro, em Manaus, ao pôr do sol, a cidade de onde sai a maioria dos passeios na Amazônia
    Photo: Paulo Mateus Oliveira Guerra

    1) Passe menos tempo em Manaus e mais tempo na Floresta Amazônica

    Embora Manaus seja o principal ponto de acesso à Amazônia, se você veio de tão longe, por que passar a maior parte do tempo na cidade? A experiência de verdade começa quando você deixa a paisagem urbana para trás e se embrenha na floresta.

    Em vez de lotar o roteiro com passeios pela cidade e bate-voltas curtos, recomendamos passar, pelo menos, 3 a 5 dias em meio à natureza. Assim, sobra tempo para explorar rios remotos, caminhar pela mata com guias locais, observar os animais no seu hábitat natural e viver a Amazônia sem pressa.

    Há várias formas de conhecer a floresta, dependendo do conforto que você procura e do seu espírito aventureiro:

    • Hotéis de selva na Amazônia: hospede-se cercado pela floresta, com caminhadas guiadas na mata, passeios de canoa, observação de fauna e oportunidades de conhecer comunidades locais. Das acomodações mais simples aos ecolodges confortáveis, há opções para todos os estilos de viagem.
    • Cruzeiros pelos rios da Amazônia: explore o Rio Negro e seus afluentes a bordo de pequenos barcos de expedição e chegue a áreas remotas, difíceis de alcançar em passeios de um dia. Acorde com os sons da natureza, navegue por igarapés estreitos e descubra um lado diferente da Amazônia a cada dia.
    • Acampamento na selva e expedições de sobrevivência: para os mais aventureiros, passar noites acampado na floresta cria uma conexão mais profunda com a natureza. Aprenda técnicas de sobrevivência na selva com guias locais experientes, prepare a comida no meio da mata e durma embalado pelos sons da Amazônia.

    Uma das maiores vantagens de se hospedar na floresta é vivê-la em diferentes horas do dia. O começo da manhã é ideal para observar aves, enquanto os passeios noturnos revelam um lado completamente diferente da selva.

    Nossa recomendação: trate Manaus como ponto de chegada e de partida, e não como o destino principal. Uma noite na cidade pode ser útil para conexões de voo, mas, entre todas as dicas de Manaus, esta é a que mais vale: priorize o seu tempo na floresta.

    👉 Leia também: Quantos dias na Amazônia você deve ficar?

    Viajante de costas numa canoa de madeira navegando por um canal de floresta alagada durante um passeio de vários dias na Amazônia saindo de Manaus
    Photo: Marcelo Bonifácio

    2) Segurança: escolha bem o bairro, o transporte e os hábitos

    A primeira das nossas dicas de Manaus é sobre segurança, já que a cidade pede a mesma atenção que qualquer metrópole. O maior risco para o visitante é, quase sempre, roubos de celular e carteiras batidas. Veja como evitar problemas!

    Onde ficar em Manaus

    Nem todo bairro é igual para quem está de passagem. Na hora de decidir onde se hospedar em Manaus, leve em conta:

    • Ponta Negra: hotéis à beira do rio, restaurantes e um calçadão bem policiado. É a melhor base para descansar depois da floresta.
    • Adrianópolis e Vieiralves: ruas residenciais tranquilas, shoppings, restaurantes e bares que à noite ficam cheios de moradores.
    • Centro Histórico: ótimo durante o dia, mas esvazia quando escurece. Evite ficar por lá depois das 20h.
    • Evite: Compensa, São José Operário e qualquer ocupação irregular. Para quem está a passeio, não há motivo para ir até lá.

    Na véspera do seu passeio na Amazônia, saindo de Manaus, durma no Centro ou em Adrianópolis — o Porto da Ceasa, de onde partem vários barcos, fica a cerca de 20 minutos. Deixe a Ponta Negra, do outro lado da cidade, para a volta.

    Como se locomover e hábitos que ajudam

    • Para circular, inclusive a partir do aeroporto (a cerca de 14 km do centro), use Uber ou 99. Chame o carro só pelo aplicativo e confira a placa antes de entrar.
    • No saguão de desembarque, ignore motoristas e “guias” que vêm oferecer serviço. À noite, nada de ônibus urbano.
    • Celular guardado na rua, passaporte no cofre do hotel e dinheiro/cartões separados em dois lugares.
    • Saque dinheiro dentro das agências bancárias, durante o dia, e fique de olho na sua bolsa no Mercado Adolpho Lisboa, um dos pontos preferidos dos batedores de carteira.

    👉 Leia também: Manaus é segura? Um guia para viajantes com destino à Amazônia

    Vista aérea da orla da Ponta Negra, em Manaus, com prédios altos, o calçadão à beira-rio e o Rio Negro
    Photo: Cristian Lourenço

    3) Coma como um manauara (e se programe em caso de restrição alimentar)

    As comidas típicas de Manaus giram em torno de peixes, mandioca e frutas nativas da floresta. Um prato chega a ser protegido por lei: o sanduíche X-caboquinho virou patrimônio imaterial de Manaus em 2019.

    O que provar e onde comer em Manaus

    • Tambaqui: o peixe preferido da região, melhor ainda na brasa. Prove no Tambaqui de Banda (R. José Clemente, 596), de frente para o teatro.
    • Tacacá: caldo quente de tucupi, jambu e camarão seco. É o lanche da tarde dos manauaras, servido em bancas como a do Tacacá da Gisela (Largo de São Sebastião, Centro).
    • X-caboquinho: pão com tucumã, banana-da-terra frita e queijo coalho, vendido nas padarias desde o amanhecer.
    • Cozinha contemporânea: conheça alguns dos restaurantes mais emblemáticos da cidade, como o Banzeiro (R. Libertador, 102), o Caxiri (R. 10 de Julho, 495) e o Biatüwi (R. Bernardo Ramos, 97).
    • Açaí: o açaí amazônico autêntico não leva açúcar e vai à mesa com comida salgada, como peixe frito e camarão seco. Prove no AçaíBelém (R. Alexandre Magno, 497) e no Waku Sese (R. Purus, 260).

    Restaurantes em Manaus além da comida regional

    Em Vieiralves, Adrianópolis, Amazonas Shopping e Manauara Shopping, você encontra cozinha japonesa, italiana, portuguesa e hamburguerias.

    Tem alguma restrição alimentar? Estas dicas para Manaus vão ajudar:

    • Vegano e vegetariano: para pratos totalmente naturais e à base de plantas, o Edi Sabor Natural (Av. Mário Ypiranga, 54) é um dos queridinhos da cidade.
    • Intolerância ao glúten: tapioca, farinha e tucupi são naturalmente livres de glúten, mas vale perguntar se a fritadeira é compartilhada para evitar contaminação cruzada.
    • Hotéis de selva e cruzeiros: notifique a equipe no momento da reserva sobre qualquer restrição alimentar, uma vez que a logística de mantimentos na selva é reduzida.

    👉 Leia também: Pratos típicos da Amazônia: 7 comidas para provar na sua viagem à floresta

    Mesa de comida amazônica em Manaus: peixe de rio inteiro assado sobre folha de bananeira, com banana-da-terra grelhada, farofa, limão e arroz verde
    Photo: Giovanni Papini

    4) Os melhores lugares para passear em Manaus

    Teatro Amazonas e Largo de São Sebastião

    Desde 27 de julho de 2026, o Teatro Amazonas é Patrimônio Mundial reconhecido pela UNESCO, ao lado do histórico Theatro da Paz, de Belém. Inaugurado em 1896, em pleno ciclo da borracha, o teatro abre para visitas guiadas de terça a domingo, a partir das 9h. Do lado de fora, o Largo de São Sebastião reúne uma igreja, o calçamento desenhado em ondas e, à noite, as bancas de tacacá.

    Centro Histórico

    No Centro Histórico de Manaus, comece pelo Mercado Adolpho Lisboa, inaugurado em 1883 com estrutura de ferro trazida da Europa. Depois, siga pela Avenida Eduardo Ribeiro até o Palácio Rio Negro e termine no Mirante Lúcia Almeida, com vista para o Rio Negro.

    MUSA, o Museu da Amazônia

    Voltado para ciência e cultura, o Museu da Amazônia (MUSA) fica colado à Reserva Florestal Adolpho Ducke, ainda dentro da cidade. Lá, uma torre de 42 metros ultrapassa a copa das árvores. Vá de sapato fechado (obrigatório) e agende as trilhas guiadas.

    Bosque da Ciência

    Administrado pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), o Bosque da Ciência é um parque florestal com peixes-boi-da-amazônia e ariranhas. A entrada é gratuita, mas é preciso agendar com antecedência.

    Se você tiver um dia a mais

    • Presidente Figueiredo: cachoeiras e cavernas a cerca de 2 horas ao norte. Vá em dia de semana ou transforme a visita numa viagem de vários dias com o roteiro 4 Dias – Expedição de Caiaque na Selva Amazônica.
    • Museu do Seringal: museu a céu aberto que recria um seringal, a 25–30 minutos de barco da Marina do Davi. A Praia da Lua fica no mesmo trajeto, então dá para combinar as duas paradas. O museu também está no roteiro do Cruzeiro de Luxo na Amazônia.
    Escadaria curva que leva à fachada rosa e às colunas brancas do Teatro Amazonas, em Manaus
    Photo: Lucia Barreiros Silva

    5) Explore a cidade pela manhã

    Na hora de decidir o que fazer em Manaus, concentre os passeios na parte da manhã: o calor chega ao pico no começo da tarde, as tempestades da estação chuvosa (de dezembro a maio) caem depois do almoço e a multidão aparece mais tarde. O sol nasce por volta das 6h o ano inteiro. Veja uma sugestão de programação:

    • 6h às 8h: café da manhã com X-caboquinho e visita ao Mercado Adolpho Lisboa.
    • 8h30 às 11h: torre do MUSA, visita guiada ao Teatro Amazonas ou passeio pelo Bosque da Ciência.
    • 12h às 15h: almoço e descanso no hotel.
    • 17h às 18h30: pôr do sol na Ponta Negra, depois jantar e retorno com carro de aplicativo.

    Para aproveitar melhor os passeios em Manaus, planeje tudo antes: confira a agenda de eventos do Teatro Amazonas, reserve com antecedência as trilhas guiadas ou os passeios ao nascer do sol do MUSA e, se a sua viagem coincidir com o Festival de Parintins (no fim de junho), garanta as reservas meses antes.

    Torre de observação do MUSA, o Museu da Amazônia, em Manaus, acima da copa da floresta
    Photo: Amazonastur

    6) Aproveite as praias de Manaus, mas com alguns cuidados

    Manaus tem praia? Tem, sim: todas de rio, às margens do Rio Negro. Elas estão entre as atrações mais procuradas da região e fazem parte do programa de fim de semana dos moradores. Por isso, o horário faz diferença.

    • Praia da Ponta Negra: vá no fim da tarde para ver o sol se pôr sobre o rio. Pense nela mais como um calçadão do que como lugar de banho, já que nadar é proibido quando o rio fica abaixo de 16 m.
    • Praia do Tupé e Praia da Lua: só se chega de barco, saindo da Marina do Davi. Vá numa manhã de dia útil, quando estão mais tranquilas, e confirme o barco de volta antes de embarcar.

    Se o seu roteiro na floresta incluir hotel de selva ou cruzeiro no Rio Negro, talvez você nem precise das praias urbanas. Na seca, Anavilhanas tem praias de areia branca — muitas vezes só para o seu grupo.

    Época do ano, seca e horários

    • As praias de Manaus ficam maiores de agosto a novembro, quando o rio está baixo.
    • Nas secas severas, o banho fica proibido e as rotas de barco mudam.
    • Chegue antes das 11h, passe protetor solar e nunca nade sozinho.
    Vista aérea de praias de rio e bancos de areia branca em um rio de águas escuras cercado pela Floresta Amazônica na seca
    Photo: Mário Oliveira

    7) Fuja de roteiros corridos e das ofertas no saguão do aeroporto

    • Roteiros corridos: o clássico passeio de um dia espreme o Encontro das Águas, um lago, uma apresentação em “aldeia indígena” e uma parada com botos em 6 a 7 horas.
    • Excursões de turismo de massa: barcos grandes, as mesmas paradas fixas para todos os grupos e shows encenados. Se você quer mesmo um passeio de barco em Manaus, escolha uma embarcação pequena e pergunte o que cada parada inclui.
    • Passeios vendidos no saguão de desembarque: pacotes na floresta com desconto, pagos em dinheiro e adiantado, ou passagens de barco oferecidas por atravessadores no porto.

    Antes de viajar, feche seus passeios na Amazônia com uma empresa regularizada: peça o registro no Cadastur e o CNPJ. Desconfie também de preços muito abaixo do mercado — roteiros sérios de 3 dias em hotel de selva costumam custar entre R$ 3.000 e R$ 6.000 (preço inicial, a depender da experiência).

    Silhueta de um homem remando uma canoa num rio calmo ao pôr do sol, um jeito mais tranquilo de explorar a Amazônia

    8) Nada de interação forçada com animais silvestres

    Há casos registrados de práticas antiéticas com animais em passeios saindo de Manaus. Não é raro, por exemplo, que os bichos sejam dopados para ficarem mais dóceis e aceitarem o contato humano.

    Nadar com botos em Manaus ou alimentá-los costuma ser apresentado como uma atração inofensiva. No entanto, por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção, esse tipo de interação artificial modifica o comportamento natural dos animais.

    Pagar para tirar foto com preguiças, jacarés, cobras ou outros animais silvestres também faz mal aos bichos, além de ser uma prática ilegal. Esses animais vivem em cativeiro só para servir de cenário para selfie de turista.

    Encontros reais com a fauna são espontâneos, como um boto que sobe à superfície ao lado da canoa ou uma preguiça que o guia avista entre as árvores. Além disso, nenhum avistamento é garantido. Leve binóculo, mantenha distância e respeite o tempo dos bichos.

    👉 Leia também: 10 fatos fascinantes sobre o boto cor de rosa da Amazônia

    Boto-cor-de-rosa emergindo na água, um avistamento na natureza para apreciar a uma distância respeitosa
    Photo: Jacob Willoughby

    9) Compre lembrancinhas direto de quem faz

    Comprar artesanato em Manaus direto de artesãos indígenas e pequenos produtores deixa o dinheiro na região e garante peças de origem conhecida. Para encontrar lembrancinhas autênticas para levar para casa, anote estes endereços:

    • GaleriAmazônica (R. Costa Azevedo, 272): peças de pelo menos 15 povos indígenas, com etiqueta que identifica o grupo e os materiais.
    • Praça Tenreiro Aranha (R. Guilherme Moreira, 53) e Largo de São Sebastião (R. 10 de Julho, s/n): barracas e lojas de artesanato no Centro, com biojoias de sementes, cestaria e redes.
    • Lojas do circuito turístico: práticas, mas cobram mais pelos mesmos itens.

    Fique longe de qualquer peça feita com pele, garras, dentes ou penas de animais. Comprar ou vender esses produtos é proibido por lei e, no caso de viajantes internacionais, levá-los para fora do país exige autorização oficial do Ibama.

    Loja de artesanato em Manaus com cestos trançados, bandejas pintadas, biojoias e camisetas de lembrança
    Photo: Eduardo Amorim

    10) Cuide da saúde no calor equatorial

    Segundo o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), as máximas médias em Manaus vão de 31 °C em fevereiro a 34,1 °C em setembro, com umidade de 75–86%.

    Para encarar o calor, beba água mineral o dia inteiro, passe protetor FPS 30+, use chapéu e prefira roupas leves de manga comprida.

    Vacinas e mosquitos

    • Febre amarela: precisa de vacina para ir para Manaus? Para entrar no Brasil, não, mas a vacina é recomendada para quem vai ao estado do Amazonas. Tome pelo menos 10 dias antes da viagem, com 30 dias de intervalo da vacina contra o sarampo.
    • Malária e dengue: a principal forma de prevenir doenças transmitidas por mosquito é evitá-los. Use repelente com pelo menos 20% de DEET ou icaridina, dê preferência a roupas que cubram a pele e mantenha portas e janelas fechadas à noite. Os hotéis da região costumam ter mosquiteiro.

    Emergências médicas

    O atendimento médico do SUS também vale para turistas estrangeiros. Em Manaus, o principal pronto-socorro público é o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, em Adrianópolis.

    A rede privada exige pagamento ou um plano com boa cobertura, enquanto os hotéis de selva ficam a horas de qualquer atendimento médico. Por isso, é essencial ter um seguro-viagem com evacuação médica que cubra todas as atividades previstas.

    👉 Leia também: Há perigos na Amazônia? Veja como visitar a floresta com segurança

    A melhor das dicas de Manaus: viaje para a Amazônia com o PlanetaEXO!

    Manaus é uma cidade interessante de conhecer, mas, se o seu objetivo é descobrir a Floresta Amazônica, recomendamos passar a maior parte do tempo em meio à natureza. Seja num hotel de selva, num cruzeiro pelo rio ou numa expedição de acampamento, uma experiência de vários dias oferece mais chances de explorar rios remotos, observar a fauna e aprender com os guias locais.

    O PlanetaEXO é uma plataforma especializada em ecoturismo no Brasil. Trabalhamos com os melhores operadores locais da Amazônia e cuidamos de cada detalhe da sua viagem, da busca no hotel em Manaus aos roteiros sob medida na floresta. Fale conosco agora!

  • Mulher em pé sobre uma duna branca acima de uma lagoa azul-turquesa nos Lençóis Maranhenses, sob céu azul

    Novo documentário do PlanetaEXO destaca ecoturismo nos Lençóis Maranhenses

    “Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters” mostra como famílias locais vivem da hospedagem de viajantes em um modelo de turismo em que 80% do faturamento permanece na comunidade

    O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses vive um momento de superexposição turística. Em 2025, impulsionado pelo título de Patrimônio Mundial da Unesco, o destino recebeu 656.388 visitantes, um salto de 41% em relação ao ano anterior, segundo o ICMBio.

    No entanto, longe das lagoas de fácil acesso, a tradicional travessia a pé pelas dunas tem provado que um modelo de turismo focado em baixo volume e alta retenção de receita gera impactos socioeconômicos muito mais profundos.

    É esse o cenário apresentado pelo curta-documentário “Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters”, lançado em 23 de setembro no YouTube pelo PlanetaEXO.

    Pôr do sol sobre uma lagoa de água da chuva entre as dunas brancas dos Lençóis Maranhenses
    Muito além das lagoas lotadas: o cenário espetacular dos Lençóis Maranhenses, onde um turismo de baixo impacto transforma a realidade de quem vive no parque. (Crédito: Isadora Sá)

    Enquanto a maior parte da visitação ao Parque Nacional se concentra em passeios de poucas horas, as 45 comunidades no entorno e interior da reserva apostam no pernoite em residências locais. A atuação do PlanetaEXO, que conecta viajantes diretamente a parceiros locais, comprova a viabilidade e a rentabilidade desse formato.

    O marco financeiro comprova a tese do negócio. Nas duas últimas temporadas, a empresa viabilizou a travessia (em roteiros de dois a cinco dias) para um grupo restrito de apenas 583 viajantes.

    A matemática do baixo volume e alta rentabilidade é o principal destaque: por meio das operações geridas exclusivamente pelo PlanetaEXO, registrou-se um faturamento bruto de aproximadamente R$ 1,79 milhão.

    Mantendo 80% desse valor no próprio destino, a iniciativa da empresa injetou mais de R$ 1,4 milhão integralmente na região. O montante foi repassado sem intermediários para remunerar guias, motoristas e famílias anfitriãs responsáveis por hospedagem e alimentação.

    Pequeno grupo de caminhantes atravessando as dunas de areia branca dos Lençóis Maranhenses
    Longe das multidões, perto do que importa. O turismo de travessia aposta em pequenos grupos para garantir alta retenção de receita para as comunidades locais. (Crédito: Isadora Sá)

    “A gente fica com a menor parte de propósito”, explica Lucas Ribeiro, fundador do PlanetaEXO e diretor do curta. “Se a maior parte do dinheiro não ficar com quem recebe o viajante, cozinha e caminha junto, não é turismo comunitário; é só uma paisagem bonita sendo vendida.”

    Trocando a pesca pela hospitalidade

    No oásis de Baixa Grande, a horas de caminhada da estrada mais próxima, a mudança econômica é vivenciada por moradores como Seu Moacir e Dona Dete, anfitriões da travessia e personagens centrais do documentário.

    Após dedicar-se à pesca de subsistência, Moacir viu sua renda mudar ao hospedar turistas. “Vinte anos na pesca. A gente pegava o peixe para vender e não dava nada, né? O turismo dá um pouco mais”, relata no filme.

    A percepção é reforçada por sua esposa. “Tudo era muito difícil”, afirma Dona Dete. “Aí veio o turismo hoje e melhorou, graças a Deus, porque aqui era menor, né? As casinhas eram poucas. Agora melhorou. Tem como eu receber mais gente”.

    Dona Dete e Seu Moacir sorrindo na janela de sua casa no oásis de Baixa Grande
    De pescadores a anfitriões: Dona Dete e Seu Moacir viram sua realidade se transformar com a renda do turismo no oásis de Baixa Grande. (Crédito: Marcelo Bonifácio)

    O reflexo econômico salta aos olhos da cadeia local. Segundo o guia maranhense Marcelo Zelarayán, a ferramenta turística melhorou muito a vida das pessoas, garantindo que hoje as famílias tenham “suas casas bem estruturadas”. Ele pontua, no entanto, que o grande atrativo da travessia não é apenas geográfico: “O melhor dos Lençóis são as pessoas”.

    Do lado de quem busca por pacotes nos Lençóis Maranhenses, o distanciamento do turismo de massa e o impacto social direto são diferenciais na decisão de compra. “Queríamos visitar de uma forma não turística. Não queríamos estar em grupos enormes”, explica a viajante francesa Morgane Meyer, em depoimento captado no trajeto.

    Dois viajantes descendo correndo uma duna branca em direção a uma lagoa nos Lençóis Maranhenses
    Em busca de uma imersão autêntica e longe do turismo de massa, os viajantes franceses Morgane e Guillaume optaram pela clássica travessia a pé. (Crédito: Isadora Sá)

    Para o turista português Diogo Melo, também retratado no curta, o retorno às famílias anfitriãs justifica o formato: “É muito óbvio o impacto positivo que tem nas comunidades. Quando ficamos [em suas casas], dá para perceber que isto ajuda as famílias a conseguirem ter um nível de vida mais estável e viverem mais confortavelmente”.

    O viajante português Diogo Melo descansando em uma duna dos Lençóis Maranhenses
    Para o viajante português Diogo Melo, o grande diferencial da travessia é presenciar o impacto positivo e direto que o turismo traz à estabilidade das famílias anfitriãs. (Crédito: Isadora Sá)

    O documentário integra os esforços do PlanetaEXO de comprovar que o turismo em áreas naturais brasileiras deve descentralizar a renda, transformando a conservação e o desenvolvimento local em um modelo de negócio viável e lucrativo para as redes de parceiros nativos.

    Ficha Técnica | “Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters”

    • Formato: Curta-documentário
    • Duração: 5min27
    • Direção: Lucas Ribeiro
    • Direção de Fotografia: Isadora Sá e Marcelo Bonifácio
    • Edição: Marcelo Bonifácio
    • Entrevistas: Lucas Ribeiro e Isadora Sá
    • Participações: Seu Moacir e Dona Dete (Baixa Grande – Lençóis Maranhenses), Bruno Lamas (Brasil), Carol Costa (Brasil), Diogo Melo (Portugal), Franck Nicolas (França), Guillaume Poupin (França), Magali Liprandi (França), Marcelo Zelarayán (Barreirinhas – Brasil) e Morgane Meyer (França).
    • Agradecimentos Especiais: Equipe Paraíso do Caju
  • Melhores pontos de mergulho em Noronha: 21 locais por profundidade e nível

    Melhores pontos de mergulho em Noronha: 21 locais por profundidade e nível

    Profundidade, lado da ilha e nível exigido em cada um dos 21 pontos operados pelas empresas credenciadas de Noronha, além das regras do parque e dos melhores meses para mergulhar

    Fernando de Noronha conta com 21 pontos de mergulho em duas costas. A escolha do local depende das condições da semana. Protegido por um Parque Nacional Marinho e considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, o arquipélago tem águas a 26°C e atende iniciantes e mergulhadores experientes.

    Segundo a ONG Projeto Golfinho Rotador, cerca de 40% dos visitantes fazem mergulho com cilindro e perto de 75% praticam snorkel ou apneia. Ninguém mergulha sozinho por aqui. O parque só permite mergulho autônomo com operadoras autorizadas pelo ICMBio, então resta saber quais pontos a sua certificação e a época do ano liberam. Quer descobrir quais combinam com o seu nível?

    O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em viagens de mergulho no Brasil, preparou este guia com os melhores pontos de mergulho em Noronha. Confira abaixo!

    Ilha de Fernando de Noronha

    Os pontos de mergulho de Noronha, um por um

    Os pontos de mergulho de Fernando de Noronha se dividem entre dois lados: o Mar de Dentro (costa abrigada voltada para o continente) e o Mar de Fora (lado de mar aberto virado para a África).

    É essa divisão, mais do que qualquer outra coisa, que define o seu calendário. O Mar de Dentro rende os melhores mergulhos de julho a dezembro, enquanto o Mar de Fora é mais recomendado de março a maio.

    As profundidades indicadas a seguir são as de trabalho, indicadas pelas operadoras credenciadas de Noronha, e não a profundidade máxima do fundo.

    Pontos de mergulho em Fernando de Noronha

    Cabeço da Sapata (42 m)

    Pináculo profundo no Mar de Dentro, o Cabeço da Sapata pede mergulho multinível e fica reservado a mergulhadores avançados e técnicos. Quanto mais fundo, maiores os peixes, sirigados, badejo, raias e, de vez em quando, um tubarão.

    Fica em frente à Ponta da Sapata, o promontório onde a Corveta Ipiranga V17 bateu em 1983.

    Cabeço da Sapata
    Cabeço da Sapata. – Photo: Pamella Rech

    👉 Leia mais: Curiosidades sobre Fernando de Noronha

    Caverna da Sapata (18 m)

    Uma caverna iluminada por luz natural, com cerca de 15 m de altura e 30 m de comprimento. É tão ampla que a luz vai mudando conforme você avança, entre raias enormes e sirigados que se abrigam lá dentro.

    Geralmente, há correnteza. Apesar de haver correnteza com frequência, o local recebe tanto iniciantes quanto credenciados experientes. Isso torna a Caverna da Sapata uma das raras opções de mergulho em caverna acessíveis para recém-certificados.

    Corveta Ipiranga V17 (62 m)

    A Corveta Ipiranga V17 não é só mais um naufrágio em Fernando de Noronha: é o mais completo do país, considerado por muitos como um dos melhores pontos de mergulho no Brasil.

    O navio Ipiranga, da Marinha do Brasil, tinha cerca de 56 m de comprimento e foi lançado ao mar em Roterdã, em 1954. Em 3 de outubro de 1983, bateu na Ponta da Sapata e levou oito horas para afundar. Hoje, repousa em pé a 62 m, com estrutura intacta e objetos da tripulação ainda a bordo.

    Para descer até ela, você precisa de certificação de mergulho profundo ou técnico e ainda passa por uma avaliação da operadora antes de ser liberado.

    Corveta V17 in Fernando de Noronha
    Corveta V17

    👉 Conheça a aventura: Curso de Mergulho Avançado em Fernando de Noronha

    Laje Dois Irmãos (22 m)

    Em frente aos picos gêmeos do Morro Dois Irmãos, este recife é um dos pontos mais procurados pelos mergulhadores certificados. Até 22 m de profundidade, você cruza com tartarugas-verdes, raias-chita e tubarões.

    Profundidade moderada e boa estrutura fazem da Laje Dois Irmãos, quase sempre, o segundo ou terceiro mergulho da viagem.

    Morro de Fora (16 m)

    No lado abrigado de Noronha, o Morro de Fora fica pertinho da Praia da Conceição e tem mergulhos de até 16 m. A fama vem da concentração de coral-de-fogo. Nas pedras se escondem moreias, peixes-trombeta e blênios.

    É um mergulho fácil e colorido para iniciantes que já passaram dos primeiros cilindros.

    Ilha do Meio (15 m)

    Entre os dois mares, a Ilha do Meio oferece água calma e abrigada, com mergulhos de até 15 m. As pequenas cavernas sempre guardam alguma surpresa: tubarões-lixa descansando na areia, moreias e cardumes que ficam parados o tempo suficiente para tirar foto.

    Por isso, está entre os melhores pontos de mergulho em Noronha para fotógrafos subaquáticos e para quem faz os primeiros mergulhos depois da certificação.

    Ressurreta (8–12 m)

    A Ressurreta, entre a Ilha da Rata e a Ilha do Meio, tem água calma de 8 a 12 m. É o ponto clássico do batismo e um dos poucos em que as operadoras fazem mergulho noturno.

    Garoupas e barracudas circulam pela área constantemente, e o fundo raso possibilita permanecer submerso por mais tempo.

    👉 Conheça a aventura: Curso de Mergulho Open Water em Fernando de Noronha

    Cagarras Rasa (22 m)

    Aqui começa, rasa e abrigada, a formação das Cagarras, com mergulhos até cerca de 22 m de profundidade. Quem faz mergulho de batismo e quem já é certificado dividem o mesmo ponto, entre lagostas encaixadas nas pedras, polvos, raias e um vai-e-vem constante de peixes de recife.

    Cagarras Funda (33 m)

    Cagarras Fundas é um mergulho de deriva, em que a presença de correntes é constante. Destinado a mergulhadores de nível avançado, este trecho abriga teto de rocha e cânions submersos.

    Além disso, permite observar pelágicos de grande porte que não frequentam o setor raso, estendendo a descida a cerca de 33 m e atingindo a base dos paredões aos 34 m de profundidade.

    Buraco do Inferno (15 m)

    Quem ouve falar do Buraco do Inferno em Fernando de Noronha pela primeira vez imagina coisas assustadoras, mas essa caverna submersa é bem mais convidativa do que o nome sugere.

    A cerca de 15 m, as formações rochosas são marcantes, com tartarugas, polvos e lagostas que costumam se refugiar nas fendas. Calmo, raso e fácil de navegar, é indicado para iniciantes e mergulhadores de nível intermediário.

    Cordilheiras (30 m)

    Um paredão de pedra de 30 m perto da Ilha da Rata, com um dos perfis mais imponentes do arquipélago. A geologia chama tanta atenção quanto os peixes: uma única parede contínua, com a vida de recife distribuída de cima a baixo. Pela profundidade e exposição, é considerado mergulho de nível avançado.

    Pontal do Norte (42 m)

    Na ponta norte da ilha, o Pontal do Norte é fundo e exposto: o mergulho chega a 42 m de profundidade. Ali, a vida marinha de Fernando de Noronha é densa e os peixes são grandes.

    Em compensação, a correnteza é forte e a profundidade pesa. Só mergulhadores experientes entram, e apenas quando as condições ajudam.

    Cabeço das Cordas (17–33 m)

    Dois mergulhos num ponto só. A parte rasa, até 17 m, está aberta a mergulhadores de nível básico, enquanto os avançados seguem até 33 m. Marca do lugar, a correnteza traz os peixes: cardumes de xaréus, caranhas e piranjica.

    Macaxeira (40 m)

    A Macaxeira fica no extremo norte da ilha, no Mar de Fora, com profundidade média de 40 m. A correnteza contínua leva você até um paredão de pedras desmoronadas e a um platô de algas por onde passam xaréus, manjubas e raias-chita.

    A atração mais conhecida é o Jardim das Enguias, onde tubarões-lixa e tubarões-limão aparecem de vez em quando.

    Buraco das Cabras (15 m)

    No Buraco das Cabras, a graça é cruzar de um mar para o outro: o mergulho de deriva começa no Mar de Fora e termina no Mar de Dentro, a cerca de 15 m.

    No caminho, formações de rocha vulcânica abrigam tartarugas, raias, peixes-cirurgião e piranjica, entre corais, esponjas e cardumes.

    Caieiras (17 m)

    São 17 m de mergulho entre três formações rochosas cobertas de algas, o que faz das Caieiras uma das áreas de alimentação e descanso das tartarugas marinhas. Tubarões-bico-fino, barracudas e cardumes também aparecem com frequência.

    Para quem tem nível intermediário, é um dos melhores pontos de mergulho de Noronha.

    Pedras Secas (15 m)

    Pedras Secas tem só 15 m de profundidade. Mesmo assim, vive aparecendo nas listas de melhores pontos de mergulho no Brasil.

    A rocha forma corredores, cânions, arcos, grutas e pequenas cavernas que você atravessa por dentro. Barracudas, raias, tartarugas e lagostas moram nesse labirinto.

    Frade (8–22 m)

    O Frade fica junto à Ilha do Frade, diante da Praia do Atalaia, no Mar de Fora, com profundidades que vão de 8 a 22 m. A enorme variedade de peixes, raias, tartarugas, lagostas e moreias faz dele um dos pontos mais movimentados da ilha.

    Com essa faixa de profundidade, iniciantes e mergulhadores certificados podem dividir o mesmo lugar.

    Trinta Réis (22 m)

    Trinta Réis é uma ilhota do Mar de Fora, ao largo da Enseada dos Abreus, cujo mergulho chega a 22 m. O destaque é o cânion entre dois paredões de pedra, passagem usada por tubarões, raias, tartarugas e cardumes enormes de peixes-cirurgião e piranjica.

    Mergulhador com um tubarão em Fernando de Noronha

    Cabeço Submarino (23 m)

    Diante da Baía do Sueste está uma das formações mais interessantes do Mar de Fora. O mergulho é uma subida em espiral ao longo de 23 m, que contorna o pináculo inteiro. Lagostas, barracudas, tartarugas e cardumes densos vivem ali, às vezes com visitas pontuais de tubarões.

    Iuias (12–25 m)

    Cânions e cavernas como os de Pedras Secas, só que mais fundos (12 a 25 m), mais longe da costa e expostos à correnteza. Por isso, só vão mergulhadores experientes.

    Para quem procura mergulho com tubarões em Fernando de Noronha, vale programar um passeio a Iuias. Os animais aparecem com mais frequência do que em quase qualquer outro ponto da ilha, ao lado de uma longa lista de espécies de recife.

    👉 Leia mais: Como Chegar a Fernando de Noronha

    Como mergulhar em Fernando de Noronha: regras, taxas e operadoras

    Todo mergulho com cilindro precisa ser conduzido por uma operadora autorizada pelo ICMBio, o órgão federal que administra o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. Mergulhar por conta própria ou alugar equipamento sem guia é terminantemente proibido. As operadoras credenciadas conferem a sua certificação e, nos pontos mais fundos, fazem uma avaliação de habilidades antes de liberar a sua entrada na água.

    São duas cobranças separadas para todo visitante (sem incluir mergulho):

    • Ingresso do Parque Nacional de Noronha (ICMBio): R$ 384 para estrangeiros e R$ 192 para brasileiros, válido por 10 dias, à venda on-line ou no Centro de Visitantes, na Vila do Boldró.
    • Taxa de Preservação Ambiental de Noronha (TPA): em 2026, o valor começa em R$ 105,79 no primeiro dia e sobe progressivamente, somando R$ 672,85 numa estadia de sete dias.

    Dentro do Parque Nacional, as regras são rígidas. É proibido coletar flora, fauna, pedras ou conchas, bem como tocar ou alimentar a vida marinha, levar equipamento de pesca, usar pau de selfie ou desembarcar nas ilhas secundárias. Antes de sair, valide o seu ingresso no quiosque do Porto de Santo Antônio.

    👉 Leia mais: Onde Ficar em Fernando de Noronha

    Quando mergulhar em cada lado da ilha

    Não existe mês em que todos os melhores pontos de mergulho de Noronha estejam abertos ao mesmo tempo. O motivo é simples: o arquipélago tem duas temporadas de mergulho, uma para cada costa.

    Protegido da ondulação, o Mar de Dentro vive a sua melhor fase de julho a dezembro, época do Cabeço da Sapata, Caverna da Sapata e Pontal do Norte. Já o Mar de Fora abre de março a maio, quando Pedras Secas, Iuias e Cabeço Submarino ficam em condições de mergulho com regularidade.

    A visibilidade costuma ser melhor de agosto a dezembro, quando o mar está mais calmo. A água fica em torno de 26°C o ano todo, então uma roupa de neoprene fina dá conta. Se as suas datas já estão fechadas, escolha a costa que está na temporada certa para elas.

    👉 Leia mais: Melhor Época para Mergulhar em Fernando de Noronha

    Perguntas frequentes sobre mergulho em Fernando de Noronha

    Preciso de certificação para mergulhar em Fernando de Noronha?

    Não. No batismo, quem não tem certificação mergulha acompanhado de um instrutor em pontos como a Ressurreta e a Cagarras Rasa. Para mergulhar nos outros pontos sem instrutor, você precisa da certificação Open Water, que pode ser emitida em Noronha mesmo.

    Quais são os melhores pontos de mergulho em Noronha para iniciantes?

    Ressurreta (8–12 m), Ilha do Meio (15 m), Cagarras Rasa (22 m), Buraco do Inferno (15 m) e a parte rasa do Cabeço das Cordas (17 m). Todos são abrigados ou rasos o bastante para garantir um mergulho longo e tranquilo.

    Qualquer pessoa pode mergulhar na Corveta Ipiranga V17?

    Não. A 62 m de profundidade, a Corveta Ipiranga V17 passa dos limites do mergulho recreativo e exige certificação de mergulho profundo ou técnico. Como as operadoras avaliam antes a experiência de cada mergulhador, é preciso reservar com antecedência.

    O snorkel é uma alternativa ao mergulho com cilindro em Fernando de Noronha?

    Sim. Aliás, a maioria dos viajantes prefere snorkel ou apneia (cerca de 75%) ao mergulho com cilindro (cerca de 40%). As melhores condições para snorkel em Fernando de Noronha ficam no Mar de Dentro, mais abrigado, entre junho e dezembro, com acesso aos mesmos recifes cheios de vida dos roteiros de mergulho raso.

    Mergulhe nos melhores pontos de Noronha com o PlanetaEXO

    Agora que você já conhece os melhores pontos de mergulho em Noronha por profundidade, costa e nível, o próximo passo é encaixá-los nas suas datas e na sua certificação.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em viagens para Fernando de Noronha. Trabalhamos com operadoras locais credenciadas em toda a ilha, o que significa que os mergulhos são conduzidos por equipes totalmente autorizadas. Da escolha do curso de certificação ao número ideal de mergulhos, cuidamos de toda a logística para você. Fale conosco!

  • Céu rosado ao pôr do sol sobre as dunas brancas e uma lagoa de água da chuva nos Lençóis Maranhenses

    Lindo, avassalador, alegria total: os 15 anos de espera de Maja pelos Lençóis Maranhenses

    Uma professora aposentada da Eslovênia, um marido de câmera na mão e seis dias por Barreirinhas, Atins e Santo Amaro, contados pela própria Maja

    Maja Žumer tem 73 anos e passou a carreira ensinando ciência da informação na Universidade de Ljubljana, na Eslovênia. Aposentada oficialmente há um ano, continua ligada a um programa de pesquisa. Foi justamente por isso que um congresso em São Paulo colocou o Brasil de volta em sua agenda.

    Esta não foi a primeira viagem de Maja ao Brasil, mas foi a primeira vez que ela viu de perto as dunas surreais dos Lençóis. Fazia 15 anos que sonhava com o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Depois de uma tentativa frustrada, enfim fez a viagem, ao lado do marido, Slobodan Žumer, apaixonado por fotografia.

    Maja e Slobodan Žumer sorrindo numa selfie sobre uma duna, com uma lagoa ao fundo, nos Lençóis Maranhenses

    Em agosto de 2026, o casal fez o Roteiro Completo dos Lençóis Maranhenses, que liga as três principais bases do parque (Barreirinhas, Atins e Santo Amaro) por estrada, rio e 4×4. Com guias locais, a viagem foi organizada pelo PlanetaEXO. A seguir, Maja conta como foi. Confira!

    Quinze anos, tentativa frustrada e a tão sonhada viagem

    Tudo começou com uma conversa em família. Há pelo menos 15 anos: a nora de Maja chegou em casa com uma descoberta: um lugar no Brasil chamado Lençóis Maranhenses. Maja se apaixonou na hora pela ideia. O problema era a distância.

    A primeira chance veio há 10 anos, em um congresso no Rio de Janeiro. Maja procurou por toda parte um agente para organizar o roteiro e não achou nenhum que lhe agradasse. Como ia viajar sozinha, tudo ficava mais difícil. Os planos mudaram para as Cataratas do Iguaçu. “Foi lindo, tenho que admitir”, contou ela, “mas não era Lençóis.”

    Quando surgiu um segundo congresso em São Paulo neste ano, a decisão foi simples: “É agora ou nunca.” Maja procurou várias agências, e o PlanetaEXO se destacou. “O PlanetaEXO foi o único que respondeu na hora, estava sempre disponível e tirou todas as minhas dúvidas”, lembra ela.

    Hoje, o veredito é claro: “Provavelmente era a minha última chance. E foi tudo perfeito.”

    👉 Leia mais: Como chegar aos Lençóis Maranhenses?

    Um destino único que nem mesmo viajantes experientes conhecem

    Maja já rodou o mundo. Esteve na Argentina, México, Guatemala e Saara. Mesmo assim, os Lençóis foram diferentes de tudo o que ela conhecia.

    “Posso dizer que é algo excepcional”, disse ela. “Não existe nada igual. Nem outros desertos se comparam, por causa da cor e, claro, da combinação com a água”, completou.

    Na Eslovênia, ficou surpresa como quase ninguém conhece os Lençóis Maranhenses. “Quando comento com as pessoas, até com quem viaja muito e já foi ao Brasil várias vezes, ninguém nunca ouviu falar”, contou ela, destacando a unicidade do Parque Nacional.

    Luz dourada do sol refletida numa lagoa entre dunas marcadas pelo vento nos Lençóis Maranhenses

    Cruzar as dunas de 4×4 era como dirigir na neve

    Depois de 15 anos vendo fotos, as expectativas eram altas, mas Maja e Slobodan descobriram que nenhuma foto captura a beleza real dos Lençóis Maranhenses. O primeiro passeio de 4×4 ficou marcado na memória dela: como uma paisagem de areia podia lembrar tanto uma cena de inverno?

    “É como dirigir na neve, e eu adoro esquiar, então, para mim, é algo muito, muito positivo”, disse, também impressionada com a dimensão de tudo. “Claro que eu sabia que era uma área enorme, mas não tinha noção de que dava para ver tão longe e de que tudo mudava o tempo todo.”

    Água verde e cristalina de uma lagoa diante de uma duna branca sob o céu azul nos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: Como se formaram os Lençóis Maranhenses: entenda as dunas de areia do Brasil e suas lagoas

    Uma paisagem nova a cada hora e um marido fotógrafo realizado

    Foram seis dias explorando o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Não houve repetição de paisagem uma única vez. “Era sempre algo diferente. A vista era diferente, a luz era diferente. Nunca foi chato”, contou Maja. Com o bom tempo a seu favor, a hora do dia fez o resto: “O meio-dia é bem diferente da tarde, da manhã ou do pôr do sol.”

    A textura das dunas também mudava. Para um amante da fotografia como Slobodan, os Lençóis eram um “paraíso para fotógrafos”. Segundo Maja, ele estava tão contente que os guias logo perceberam.

    “[Os guias] sempre paravam para as fotos. Era só a gente fazer um sinal que paravam na hora”, lembrou. “Mesmo sem a gente fazer sinal, bastava verem meu marido tentando tirar uma foto que já diminuíam a velocidade.”

    👉 Leia mais: Qual a melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses?

    Lagoas mornas e 10 metros de praia só para eles

    O roteiro completo reúne circuitos de lagoas nas três bases: Lagoa Azul (Barreirinhas); Ponta do Mangue e Canto do Atins (Atins); e Lagoa do Junco e Lagoa do Reflexo (Santo Amaro).

    Maja adorou todas, mas um detalhe chamou sua atenção: a temperatura. “Fiquei surpresa quando percebi como a água é quente”, disse. “Talvez seja essa associação com a neve de novo.”

    Multidão também nunca foi um problema. Os guias levaram o casal tanto a lagoas onde ficaram completamente sozinhos quanto a outras mais movimentadas, mas nunca lotadas. “Sempre tivemos os nossos 10 metros de praia só para nós. Os guias escolheram muito bem as lagoas e os visuais.”

    Sombras de Maja e Slobodan projetadas na areia branca ondulada dos Lençóis Maranhenses

    Três bases, um rio e nada de correria

    Maja e Slobodan passaram por Barreirinhas, seguiram de lancha pelo Rio Preguiças até Atins e curtiram muito os dias em Santo Amaro. Nada disso exigiu esforço físico.

    “Na verdade, quase não precisamos caminhar. Apesar de sermos mais velhos, ainda estamos em boa forma. Nós dois ainda esquiamos. Fisicamente, foi muito fácil e relaxante, e deu tempo para tudo”, explicou ela, mencionando como a viagem foi tranquila e valeu muito a pena.

    O ritmo sem pressa foi uma das coisas de que ela mais gostou. “Nunca tivemos que correr, e sempre sabíamos com antecedência quanto tempo teríamos em cada lugar. Deu tudo muito certo.”

    Os guias sempre passavam a programação do dia seguinte na tarde anterior, uma organização que funcionou muito bem para eles. Para Maja, foi uma ajuda enorme. “Senão, a gente teria que ficar pensando: ‘Será que eu lembro direito ou não do que vamos fazer?’ Então foi maravilhoso.”

    👉 Leia mais: Quantos dias ficar nos Lençóis Maranhenses?

    Anfitriões sorridentes, pousadas limpas e a descoberta do caju

    Longe das dunas, a primeira coisa que Maja notou foi o astral das pessoas. “Estão sempre de bom humor, sempre sorrindo. Não se vê ninguém de cara fechada”, afirmou ela, com o próprio sorriso estampado no rosto. “O ambiente todo é agradável.”

    Nos restaurantes, os atendentes se desdobravam para ajudar com o idioma; nas pousadas, os anfitriões cuidavam para que o casal ficasse à vontade e tudo corresse bem.

    As hospedagens também foram todas reservadas pelo PlanetaEXO, e cada uma superou as expectativas. O estilo variava de um lugar para outro — uns mais descontraídos, outros menos —, mas todos eram, nas palavras de Maja, “muito bons, limpos e confortáveis. Não tivemos problema nenhum.”

    À mesa, o casal comeu peixe, carne e, claro, arroz com feijão. A novidade foi o suco de caju. Ela achou o sabor interessante e autêntico, como tudo nos Lençóis Maranhenses. “Estava tudo delicioso.”

    Varal de luzes numa estrutura de madeira e lanternas à beira de uma lagoa ao entardecer nos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: Onde ficar nos Lençóis Maranhenses?

    O Brasil é seguro? A resposta sincera de Maja

    Nos Lençóis, a segurança nem passou pela cabeça de Maja. O casal andava por Atins no tempo livre, até mesmo depois de escurecer, sem nenhuma preocupação. “Sempre nos sentimos seguros”, afirmou.

    São Paulo e Rio são diferentes, ela admite, mas isso não chegou a ser surpresa. “Todas as cidades grandes são assim. Você precisa tomar cuidado e não fazer besteira. Não sou de me assustar com isso. Já estive em muitos lugares.”

    Pela experiência que tem com viagens, Maja recomenda uma coisa só a qualquer viajante: bom senso.

    👉 Leia mais: 10 Dicas para Aproveitar ao Máximo a sua Viagem aos Lençóis Maranhenses

    Os Lençóis em três palavras e o próximo destino de Maja

    Pedimos para Maja resumir a viagem em três palavras: Lindo. Avassalador, “mas no bom sentido, porque essa paisagem linda desperta todos os sentidos.” E alegria total.

    O conselho dela para quem está pensando em conhecer os Lençóis Maranhenses ou o Brasil é simples: “Vá o quanto antes. Não pense duas vezes.”

    Apesar disso, Maja é realista e não sabe se ainda vai voltar ao Brasil. Mas a lista de desejos já está pronta. Como Slobodan adorou as viagens que já fez a Manaus e à Amazônia, ela também quer conhecer esses lugares, além da região sul.

    Afinal, os Lençóis já provaram que os planos podem surpreender. “Dez anos atrás, eu nem imaginava que ia voltar”, disse ela. “Então, quem sabe? Eu nunca diria não.”

    Conheça os Lençóis Maranhenses com o PlanetaEXO

    Agora que você viu o parque pelos olhos de Maja — com dunas que lembram neve fresca, lagoas tão mornas que dá vontade de nunca mais ir embora e dias sem nenhuma correria —, já sabe que vale cada dia de espera.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes para os Lençóis Maranhenses. Trabalhamos lado a lado com guias e operadores locais experientes e cuidamos de toda a logística, para que você só precise pensar nas dunas. Fale conosco agora!

  • Vista aérea do Encontro das Águas em Manaus, onde o escuro Rio Negro encontra o barrento Rio Solimões

    Encontro das Águas em Manaus: por que o Rio Negro e o Solimões não se misturam

    O que a ciência explica sobre o Encontro das Águas (temperatura, acidez, correnteza, densidade e química), quem são os dois rios que o formam, como o fenômeno entrou na cultura brasileira e quais viagens levam você até lá

    Logo a leste de Manaus, o Rio Negro, escuro como chá forte, encontra o Rio Solimões, de cor barrenta. Os dois não se fundem: correm lado a lado no mesmo leito, separados por uma linha nítida que dá para ver do barco, do avião e, segundo a NASA, até do espaço. Esse é o Encontro das Águas.

    A paisagem é de cartão-postal, mas o fenômeno vai muito além da foto. Hidrólogos o estudam há décadas e serviu de inspiração para poetas e os brasões de Manaus e do Amazonas. Quer entender por que os rios não se misturam e onde ir para ver tudo isso de perto?

    O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes para a Amazônia, preparou este guia para você entender tudo sobre o fenômeno. Confira abaixo!

    O que é o Encontro das Águas?

    O Encontro das Águas é a confluência do Rio Negro com o Rio Solimões, no extremo leste de Manaus, capital do Amazonas e porta de entrada da Floresta Amazônica. No ponto em que se juntam, os dois formam um canal com cerca de 5 a 5,5 km de largura, segundo um estudo publicado em 2018 na revista Comptes Rendus Geoscience.

    A fama vem da linha que separa as duas águas: de um lado, a água é quase preta; do outro, tem cor de café com leite. Lá da órbita, o Earth Observatory da NASA já fotografou essa divisa e a descreve como visível “do espaço e da própria superfície da água”.

    Por aqui, o fenômeno está tão ligado à identidade da região que dá nome à TV pública do estado, a TV Encontro das Águas, e a uma série musical do Teatro Amazonas. Para quem vai explorar o Rio Amazonas, o encontro dos rios em Manaus costuma ser a primeira parada, logo na saída da cidade.

    A extensão de 6 km é o que mais circula por aí, mas a pesquisa publicada na Comptes Rendus Geoscience mostra que o Negro e o Solimões seguem lado a lado, sem se misturar, por 50 a 100 km rio abaixo. Um estudo de 2009 na Hydrological Processes aponta que a mistura acontece aos poucos e que essa distância varia conforme a estação e o volume dos rios.

    👉 Leia mais: Como chegar na Amazônia no Brasil?

    Por que os rios não se misturam?

    A resposta não cabe em um fator só. O Rio Negro e o Solimões diferem em cinco aspectos mensuráveis ao mesmo tempo (temperatura, acidez, velocidade, densidade e química). É a soma dessas diferenças que faz com que a mistura se torne mais lenta e corra por dezenas de quilômetros.

    Encontro das Águas visto de perto, com o Rio Negro escuro e o Rio Solimões barrento correndo lado a lado

    Temperatura

    O Rio Negro é um pouco mais quente. Na vazante de outubro de 2014, pesquisadores registraram 30,3 °C no Negro e 29,6 °C no Solimões. Na cheia de abril e maio de 2015, a diferença se repetiu: 29 °C contra 28 °C.

    Isso, literalmente, pesa. A água mais quente é mais leve, enquanto a mais fria é mais pesada. Portanto, a diferença de temperatura interfere no fluxo das correntes e afeta diretamente a densidade de cada rio.

    Acidez (pH)

    O estudo da Comptes Rendus Geoscience registrou pH de 5,0 a 5,6 no Negro e de 6,7 a 6,9 no Solimões. Já o levantamento do programa HYBAM, de 1997, encontrou 5,5 contra 7,0. Como a escala de pH é logarítmica, água com pH 5,5 é cerca de 30 vezes mais ácida que água com pH 7,0. Resumindo: o Rio Negro é claramente mais ácido.

    Essa acidez vem da própria floresta. Nas matas alagadas e nos brejos ao longo do Negro, folhas e restos de plantas se decompõem e liberam ácidos húmicos na água — os mesmos compostos que deixam o rio escuro.

    Segundo cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), os rios de águas pretas da região costumam ter pH entre 4 e 5. Já os de águas brancas, como o Solimões, ficam perto do neutro.

    Curiosidade: a acidez também ajuda a manter os insetos longe das margens. Por isso, quem se aventura pela região do Rio Negro sofre bem menos com mosquitos.

    Barco cruzando a linha entre o Rio Negro escuro e o Rio Solimões barrento no Encontro das Águas

    Velocidade da correnteza

    O Solimões corre cerca de quatro vezes mais rápido que o Negro. Na confluência, a velocidade média do Negro fica em 0,37 a 0,38 m/s (cerca de 1,4 km/h), contra 1,42 a 1,65 m/s (cerca de 5 a 6 km/h) no Solimões, que tem picos locais de até 2,6 m/s.

    Além disso, o Solimões também leva muito mais água. De acordo com um estudo disponível na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFAM, sua vazão média é de cerca de 103.000 m³/s. A vazão do Rio Negro, por sua vez, fica em cerca de 28.400 m³/s, pouco mais de um quarto disso.

    O resultado é uma divisa inclinada, não vertical. Três fatores explicam essa inclinação: a diferença de velocidade, o contraste de densidade (explicado a seguir) e a força de cisalhamento que surge ao longo da linha.

    Densidade

    O Rio Solimões é mais denso por dois motivos: é um pouco mais frio e vem carregado de sedimentos arrastados dos Andes, onde fica sua nascente.

    Mais pesada, a água do Solimões desliza por baixo da do Rio Negro. Por isso, a mistura começa perto do fundo do rio, enquanto a linha na superfície continua nítida por muito mais tempo.

    O Encontro das Águas visto de um barco em Manaus, com a água escura do Rio Negro entrando no Solimões barrento

    Composição química

    Nos anos 1950, o limnólogo alemão Harald Sioli dividiu os rios amazônicos em três tipos: águas brancas, águas pretas e águas claras. O Encontro das Águas combina os dois extremos dessa classificação.

    • Solimões (águas brancas): nasce nos Andes, traz sedimentos ricos em nutrientes e tem água rica em carbonatos e cálcio.
    • Rio Negro (águas pretas): drena o antigo Escudo das Guianas e seus solos de areia branca, que liberam pouquíssimos sedimentos e minerais.
    • Minerais dissolvidos: a condutividade elétrica, que mede os sais dissolvidos na água, fica em torno de 8 µS/cm no Rio Negro e de 80 µS/cm no Solimões (dez vezes mais).
    • Matéria orgânica: o Rio Negro tem mais que o dobro do carbono orgânico dissolvido do Solimões. São essas substâncias húmicas que dão à água a cor de chá forte.

    Estações e secas

    O Encontro das Águas muda ao longo do ano. Estudos mostram que, a partir de novembro, o Solimões enche, se expande e empurra a água preta do Rio Negro para a margem esquerda. Em janeiro e fevereiro, a água branca já cobre as duas margens rio abaixo. A posição e a largura da zona de mistura também variam com o volume de cada um.

    Secas extremas também podem tornar a linha entre os dois rios menos definida. Em 4 de outubro de 2024, o Rio Negro chegou a 12,66 m em Manaus, o nível mais baixo desde o início das medições, em 1902, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). O rio continuou baixando até 12,11 m, deixando o contraste difícil de ver.

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    Mais sobre o Rio Negro e o Rio Solimões

    Rio Negro

    O Rio Negro nasce na floresta do leste da Colômbia, onde suas cabeceiras se ligam à bacia do Orinoco pelo canal do Casiquiare. Ao todo, são cerca de 2.250 km de extensão, 1.370 km deles no Brasil.

    Para a iniciativa Aguas Amazónicas, da Wildlife Conservation Society, o Rio Negro é o único grande rio de águas pretas da bacia amazônica, respondendo por 13 a 14% da vazão do Amazonas.

    Cerca de 40 km acima de Manaus, o Rio Negro se espalha por mais de 400 ilhas no Parque Nacional de Anavilhanas, um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo.

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    Rio Solimões

    No Brasil, Solimões é o nome dado ao trecho superior do Rio Amazonas, que vai desde a fronteira com o Peru até o Rio Negro, em Manaus. O rio nasce nos Andes peruanos e percorre cerca de 1.600 km em território brasileiro, por uma planície aluvial de até 80 km de largura. Sua bacia ocupa mais de 2,1 milhões de km².

    Sua cor marrom-clara, meio creme, vem do sedimento que desce dos Andes. É exatamente isso que faz das áreas alagáveis do rio, as várzeas, algumas das terras mais férteis da Amazônia.

    Vista de drone da divisa nítida entre o Rio Negro, quase preto, e o Solimões cor de café com leite, na Amazônia

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    O Encontro das Águas na arte

    Dois rios que não se misturam não passariam despercebidos. Numa anotação de 5 de setembro de 1865, o diário de viagem do naturalista suíço Louis Agassiz e de sua esposa, Elizabeth, registra que os indígenas da região chamavam o Solimões de rio “vivo” e o Negro de rio “morto”.

    Desde então, os artistas nunca deixaram o tema de lado. Na pintura, há o pano de boca do Teatro Amazonas (1894), de Crispim do Amaral. Na literatura, Fernando Sabino publicou a coletânea de crônicas “O Encontro das Águas” (1977). Na música, veio a canção “Encontro das Águas” (1993), de Jorge Vercillo e Jota Maranhão.

    O Encontro das Águas é tão importante para a história e cultura amazônica que aparece até mesmo nos brasões do estado do Amazonas (1897) e da cidade de Manaus (1906).

    Pano de boca do Teatro Amazonas, em Manaus, pintado por Crispim do Amaral e inspirado no Encontro das Águas

    👉 Leia mais: Manaus é segura? Um guia para viajantes com destino à Amazônia

    Roteiros do PlanetaEXO que passam pelo Encontro das Águas

    Quer ver com os próprios olhos os rios Negro e Solimões correndo lado a lado? O PlanetaEXO tem vários roteiros na Amazônia que incluem o Encontro das Águas. Veja abaixo!

    Viagem Tipo Duração Quando você passa pelo Encontro das Águas
    4 Dias – Tour na Selva Amazônica Hotel de selva 4 dias Logo no começo, no trajeto de barco de Manaus até Careiro da Várzea.
    Amazon Turtle Lodge: 5 dias na Floresta Amazônica Hotel de selva 5 dias No primeiro dia, na travessia para Careiro da Várzea: o barco passa bem no meio dele.
    Juma Amazon Lodge: Tour de Selva Saindo de Manaus – 5 Dias Hotel de selva 5 dias Na ida para o Juma, no dia 1, horas antes de um safári noturno de barco.
    Trekking e Sobrevivência na Amazônia: 6 Dias de Aventura Expedição de sobrevivência e trekking 6 dias A expedição começa de lancha, descendo o Rio Negro até a confluência, e depois segue para o primeiro acampamento na selva.
    Cruzeiro de Luxo na Amazônia Cruzeiro fluvial 5 dias Já no primeiro dia de navegação, o cruzeiro passa pela orla histórica de Manaus e pelos dois rios antes de chegar ao Parque Ecológico do Janauari.
    5 Dias – Cruzeiro Tucano no Rio Amazonas Cruzeiro fluvial 5 dias Perto do fim da viagem: no quarto dia, o Tucano desce o rio até o ponto onde o Negro e o Solimões se encontram.

    👉 Leia mais: O melhor hotel de selva na Amazônia: onde se hospedar no Brasil

    Pronto para ver o Encontro das Águas? Planeje sua viagem à Amazônia com o PlanetaEXO!

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  • Passeio de barco chegando à base das Cataratas do Iguaçu sob céu azul

    Cataratas do Iguaçu, Brasil e Argentina: Guia de Viagem Completo

    Onde ficam as cataratas, como chegar, quando ir, o que o ingresso inclui em cada lado da fronteira e quantos dias reservar para a viagem

    As Cataratas do Iguaçu formam um sistema de 275 quedas d’água independentes de até 80 metros de altura, espalhadas por quase 2.700 metros do Rio Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. A UNESCO declarou o parque argentino Patrimônio Mundial em 1984 e o brasileiro em 1986. Maiores que as Cataratas do Niágara, protegem o maior bloco remanescente de Mata Atlântica do interior em todo o planeta.

    A fronteira não divide as quedas por igual. Cerca de 80% das cascatas ficam no lado argentino e 20% no lado brasileiro — é justamente por isso que é do Brasil que se tem o panorama completo. Da borda externa da plataforma, você vê o conjunto inteiro das quedas se abrir de uma só vez.

    Vista aérea das Cataratas do Iguaçu, com dezenas de quedas despencando no cânion e uma passarela sobre o rio
    Photo: Marina Zvada

    O PlanetaEXO, empresa de ecoturismo especializada em pacotes nas Cataratas do Iguaçu, preparou este guia para ajudar você a planejar cada etapa do seu roteiro em Foz do Iguaçu, com o lado brasileiro como base e o argentino como adicional. Confira abaixo!

    Sumário:

    1. Onde ficam as Cataratas do Iguaçu?
    2. Como chegar às Cataratas do Iguaçu no Brasil e na Argentina
    3. Qual a melhor época para visitar as Cataratas do Iguaçu?
    4. Parques brasileiro e argentino: acesso, ingressos e regras
    5. O que fazer nas Cataratas do Iguaçu
    6. O que levar para Foz do Iguaçu
    7. Quantos dias ficar em Foz do Iguaçu?

    Onde ficam as Cataratas do Iguaçu?

    As Cataratas do Iguaçu ficam no Rio Iguaçu, no ponto em que o Brasil encontra a Argentina, cerca de 25 quilômetros antes de o Iguaçu desaguar no Rio Paraná.

    Do lado brasileiro, a porta de entrada é Foz do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná. Do lado argentino, é Puerto Iguazú, na província de Misiones. Na outra margem do Rio Paraná, de frente para as duas, fica Ciudad del Este, no Paraguai. Por isso, a região é conhecida como Tríplice Fronteira.

    Com 285.415 habitantes, segundo o Censo 2022, Foz do Iguaçu tem toda a estrutura de que um turista precisa: hotéis, restaurantes, hospitais e aeroporto.

    Antes de reservar, vale acertar os nomes para não se confundir: o parque brasileiro é o Parque Nacional do Iguaçu; o argentino, Parque Nacional Iguazú.

    Veja o mapa do Parque Nacional do Iguaçu e da região de fronteira, com Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú e Ciudad del Este aparecendo juntas:

    Mapa da Tríplice Fronteira com Ciudad del Este no Paraguai, Puerto Iguazú na Argentina e o Parque Nacional do Iguaçu no Brasil

    Como chegar às Cataratas do Iguaçu no Brasil e na Argentina

    De avião

    As Cataratas do Iguaçu têm dois aeroportos, um em cada país. No Brasil, é o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu/Cataratas (IGU), a cerca de 13 quilômetros do centro. Também fica pertinho do Parque Nacional, a 10 minutos da entrada.

    Há voos diários saindo de cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Recife. O único voo internacional direto liga Foz do Iguaçu a Santiago do Chile (SCL), algumas vezes por semana.

    A Argentina tem seu próprio aeroporto, o Internacional Cataratas del Iguazú (IGR), com voos de Buenos Aires. Assim, dá perfeitamente para chegar por um país e ir embora pelo outro.

    De carro e de ônibus

    Ir de carro é simples. Foz do Iguaçu se conecta ao restante do Paraná pela BR-277. De Curitiba, são 640 quilômetros (cerca de 9 horas de estrada).

    Há locadoras de carro no aeroporto. Dentro do Parque Nacional, você estaciona no Centro de Visitantes e segue nos ônibus do próprio parque, que estão incluídos no ingresso. Veículos particulares não seguem até as cataratas.

    Na cidade, ônibus municipais saem do terminal do centro até a entrada do Parque Nacional do Iguaçu, passando pelo aeroporto e pelo Parque das Aves. Por praticidade e conforto, a maioria dos viajantes prefere transfer do hotel, táxi ou passeios guiados.

    Como atravessar para o lado argentino

    Para chegar ao parque argentino, você cruza a Ponte Tancredo Neves até Puerto Iguazú e roda mais 17 quilômetros até a entrada. A partir dos hotéis de Foz do Iguaçu, o trajeto leva de 45 minutos a 1 hora, sem contar o tempo na fila da fronteira.

    Viajante fotografando as Cataratas do Iguaçu de um mirante da passarela, cercado pela mata
    Photo: NidoHuebl

    Qual a melhor época para visitar as Cataratas do Iguaçu?

    Não existe mês ruim. As cataratas têm água sempre e os dois parques abrem 365 dias por ano. O clima de Foz do Iguaçu é subtropical úmido, com estações bem definidas.

    O verão (dezembro a março) é quente e chuvoso, com máximas acima de 32 °C. Janeiro e fevereiro concentram as chuvas mais fortes, o que provoca uma vazão mais potente. O inverno (junho a agosto) é seco e de céu limpo, com temperaturas entre 10 °C e 23 °C, aproximadamente.

    A melhor época para ir a Foz do Iguaçu é a meia-estação, mais ou menos de março a maio ou de agosto a outubro. Os dias são quentes — mas sem o calorão de fevereiro —, o rio ainda corre cheio devido às chuvas de verão e não há a aglomeração de janeiro ou de julho.

    Seja qual for a estação, tente não marcar a viagem nos feriados nacionais brasileiros ou argentinos. Nessas datas, viajantes dos dois países lotam o parque.

    Tem uma coisa que nenhuma média mensal mostra: os eventos de vazão extrema. Quando a chuva rio acima faz o Iguaçu subir muito além do normal, as autoridades fecham temporariamente, por segurança, as passarelas mais próximas das quedas nos dois lados. A maioria das trilhas e mirantes principais continua aberta, mas vale conferir os avisos oficiais no dia da visita. Nas cheias mais fortes, o parque argentino pode fechar a passarela da Garganta do Diabo e até mesmo desmontar alguns de seus trechos.

    👉 Leia também: 10 Curiosidades sobre as Cataratas do Iguaçu

    Arco-íris sobre as Cataratas do Iguaçu visto de um mirante em um dia de céu limpo
    Photo: paulobaqueta

    Parques brasileiro e argentino: acesso, ingressos e regras

    Quem vai às Cataratas do Iguaçu, no Brasil ou na Argentina, deve saber que cada parque tem gestão própria e ligada a seu respectivo governo. Resultado: o ingresso comprado de um lado não dá acesso ao outro.

    Esquecer esse detalhe continua sendo um dos erros mais comuns dos visitantes. Você vai precisar de um ingresso para cada parque, já que cada um tem seus próprios horários, preços e regras de visitação.

    Parque Nacional do Iguaçu (Brasil)

    Com 169.695 hectares no Paraná, o parque brasileiro foi criado em 1939, ampliado em 1944 (e novamente em 1981) e declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1986. A gestão é do ICMBio, mas os serviços de visitação são operados pela concessionária Urbia Cataratas.

    Em 2026, o valor do ingresso das Cataratas do Iguaçu é de R$ 134 para visitantes estrangeiros e R$ 121 para brasileiros e cidadãos do Mercosul. Moradores dos 14 municípios do entorno pagam R$ 26 no passe comunitário. Os preços podem mudar, então confira as tarifas atualizadas em canais oficiais antes de ir.

    A entrada nas Cataratas do Iguaçu vai das 9h às 16h nos dias úteis. Nos fins de semana e feriados, o portão abre meia hora antes, às 8h30. Depois de entrar, você pode ficar até as 17h30, independentemente da hora em que chegou.

    Os ingressos são vendidos preferencialmente online, no site oficial do Parque Nacional do Iguaçu. Na alta temporada, vale reservar data e horário já na compra.

    Quati se lambendo no corrimão da passarela, com as Cataratas do Iguaçu e o rio ao fundo
    Photo: hansgertbroeder

    Parque Nacional Iguazú (Argentina)

    O parque argentino ocupa 67.000 hectares em Misiones. Criado em 1934 e reconhecido pela UNESCO em 1984, é administrado pela Administración de Parques Nacionales em parceria com a concessionária Iguazú Argentina.

    Funciona todos os dias, das 8h às 18h (última entrada às 16h30). O ingresso das cataratas do lado argentino é cobrado em pesos, com valores que variam conforme a nacionalidade — turistas internacionais pagam a tarifa cheia.

    Uma regra merece entrar no planejamento: o segundo dia consecutivo custa 50% do valor original, desde que você valide o ingresso antes de sair no primeiro dia, dentro do prazo de 72 horas.

    O que fazer nas Cataratas do Iguaçu

    A passarela principal ocupa metade do dia, mas visitar as Cataratas do Iguaçu no Brasil vai muito além: passeios de barco emocionantes, trilhas na mata, visitas ao nascer e ao pôr do sol, uma hidrelétrica gigante e o marco onde três países se encontram. Confira algumas atividades abaixo!

    Pequeno barco no Rio Iguaçu visto do alto entre as folhas da mata
    Photo: Fermin Rodriguez Penelas

    Trilha das Cataratas e o mirante da Garganta do Diabo

    A Trilha das Cataratas é um caminho de 1,4 km ao longo da borda do cânion que oferece, em sequência, o panorama pelo qual o lado brasileiro é famoso: as cataratas se abrindo do outro lado do desfiladeiro, cada vez mais próximas e com um som mais alto das quedas a cada curva.

    O percurso chega à passarela da Garganta do Diabo, sobre o rio e de frente para a queda principal, e termina num elevador panorâmico que sobe até Porto Canoas. É pavimentado, sem degraus e totalmente acessível, com ônibus internos que levam direto ao elevador.

    Viajante de pé sobre as pedras na base das quedas nas Cataratas do Iguaçu
    Photo: Belmond Hotel das Cataratas

    Macuco Safari

    O Macuco Safari, um dos passeios preferidos de quem visita as Cataratas do Iguaçu no Brasil, é pura adrenalina: o barco leva você até bem debaixo das quedas.

    São três etapas: 2 km pela mata em veículo elétrico, uma caminhada de 600 metros com guia bilíngue e, por fim, o barco, com cerca de 25 a 30 minutos no Rio Iguaçu até bem embaixo das cataratas.

    Reserve duas horas no total e espere um banho completo. Os barcos saem a cada 20 minutos (sem reserva antecipada), mas a entrada no parque é cobrada à parte. São fornecidos sacos impermeáveis para guardar câmeras e celulares; todo o resto que você estiver vestindo vai molhar, então leve uma muda de roupa.

    Passeio de barco com passageiros de colete salva-vidas avançando em direção à névoa das Cataratas do Iguaçu
    Photo: Christian Edelmann

    Trilhas

    Como a maioria dos visitantes nunca sai da passarela principal, o restante do parque é tranquilo. Para quem busca imersão de verdade na natureza, a trilha do Poço Preto tem 9,6 km (ida e volta) e corta o coração da Mata Atlântica até o Rio Iguaçu. Acessível a pé ou de bicicleta, é a sua melhor chance de ver animais além dos quatis.

    As trilhas mais curtas também valem a visita: Caminho das Bananeiras (1,3 km até um deck à beira do rio), Circuito São João (1,9 km passando por cachoeiras e uma antiga usina) e Trilha da Canafístula (2,2 km, a mais sombreada).

    Passarela sobre um riacho de pedras na Mata Atlântica, emoldurada por raízes e samambaias
    Photo: Daniel Miller

    Nascer do sol, pôr do sol e lua cheia

    Aos viajantes que buscam aproveitar o máximo da visita a Foz do Iguaçu, nada supera as experiências em horários especiais do Parque Nacional.

    Quem acorda cedo pode fazer o passeio do nascer do sol e entrar na passarela antes da abertura ao público, com café da manhã incluído. Já a opção do pôr do sol dá acesso exclusivo no fim da tarde e pode adicionar uma sessão de observação de estrelas.

    O passeio de lua cheia acontece em cerca de cinco noites por mês, depois que escurece, exibindo um belíssimo arco-íris lunar (arco-íris noturno que se forma na névoa). Os hóspedes do Belmond Hotel das Cataratas, o único hotel dentro do Parque Nacional do Iguaçu, têm acesso exclusivo à passarela antes e depois do horário de visitação.

    👉 Conheça a aventura: Passeio de Luxo de 3 Dias às Cataratas do Iguaçu

    Viajante observando o pôr do sol sobre as Cataratas do Iguaçu de um mirante
    Photo: Joel Carillet

    Parque das Aves

    Do outro lado da rodovia, bem em frente à entrada do parque, o Parque das Aves é o maior parque de aves da América Latina. Inaugurado em 1994, em 16 hectares de mata, abriga mais de 1.300 aves de mais de 150 espécies, com foco em espécies ameaçadas da Mata Atlântica e em animais resgatados que não podem voltar à natureza.

    O segredo está na estrutura: nos viveiros de imersão, você entra no recinto, com tucanos, araras e beija-flores voando ao seu redor.

    Reserve cerca de duas horas para o Parque das Aves. Como fica a apenas cinco minutos da entrada principal do parque, é fácil combinar a visita com uma manhã nas cataratas, fazendo deste o passeio preferido de famílias com crianças.

    Tucano-toco com seu grande bico laranja pousado em uma pedra na mata

    Cataratas do Iguaçu: lado argentino

    No parque argentino, você caminha entre as quedas, e não de frente para elas. A visita toma o dia inteiro. Veja o que o ingresso inclui:

    • Circuito Superior: 1.755 metros sobre o alto das cascatas, sem nenhum degrau, em cerca de uma hora.
    • Circuito Inferior: 2.900 metros descendo em direção ao rio, em cerca de 90 minutos, com acesso ao píer dos passeios de barco argentinos.
    • Tren Ecológico de la Selva: incluído no ingresso. Primeira saída às 8h30, a cada 30 minutos; o último trem para a estação Garganta do Diabo parte às 15h30.
    • Passarela da Garganta do Diabo: é o trem que leva até ela, com passarela que atravessa o alto Rio Iguaçu até a beira da queda principal. É a primeira passarela a fechar quando o rio sobe.
    • Sendero Verde e Sendero Macuco: duas trilhas na mata dentro do Parque Nacional Iguazú, que você pode fazer sem guia.
    • Centro de visitantes Yvyrá Retá e Território Yaguareté: as exposições do parque; a segunda é dedicada à conservação da onça-pintada.
    Cachoeira escondida entre as árvores em uma trilha na mata perto das Cataratas do Iguaçu
    Photo: Ignacio Saenz Valiente

    Além das cataratas: Itaipu e o Marco das Três Fronteiras

    Entre os pontos turísticos de Foz do Iguaçu, além das cataratas, o mais famoso é a monumental Usina de Itaipu. Com capacidade instalada de 14.000 MW em 20 unidades geradoras, bateu o recorde mundial anual de 103,1 milhões de MWh em 2016 e já passou de 3 bilhões de MWh gerados desde 1984.

    No passeio Itaipu Panorâmica, um ônibus de dois andares leva você aos mirantes (cerca de 2,5 horas). Já o Itaipu Especial entra na usina para mostrar a sala de controle e as turbinas.

    Outra opção é o Marco das Três Fronteiras, bem na confluência dos rios Iguaçu e Paraná, onde se encontram Brasil, Argentina e Paraguai — três países à vista de um só ponto, cada um com seu obelisco. Abre de terça a domingo, das 14h às 21h, com apresentações culturais a partir das 18h15.

    Marco das Três Fronteiras com as bandeiras do Paraguai, da Argentina e do Brasil
    Photo: jimfeng

    O que levar para Foz do Iguaçu

    Quem visita as Cataratas do Iguaçu no Brasil ou na Argentina sabe que se molhar faz parte da experiência. A lista abaixo vale para os dois lados da fronteira e para todas as estações:

    • Capa de chuva ou poncho (o parque vende, mas é bom levar o seu).
    • Roupas de secagem rápida e uma muda completa para os dias de Macuco Safari.
    • Calçado confortável e com boa aderência, além de sandálias ou sapatos que possam molhar.
    • Capa impermeável para celular ou saco estanque.
    • Protetor solar e chapéu (as passarelas são longas e quase sem sombra).
    • Repelente de insetos.
    • Garrafa de água reutilizável.
    • Roupas leves em camadas de junho a agosto, quando as mínimas chegam a 10 °C.
    • Documento de identidade com foto ou passaporte para o lado argentino (documento físico, não foto no celular).
    • Dinheiro em espécie (pesos para a Argentina).

    Quantos dias ficar em Foz do Iguaçu?

    Para a maioria dos viajantes, uma viagem para Foz do Iguaçu de três dias e duas noites é a medida certa. Assim sobra um dia inteiro para o lado argentino, metade do dia para o brasileiro e uma boa margem nos horários de voo, para que atrasos inesperados não atrapalhem seus planos.

    Dois dias é apertado, mas vale. A passarela brasileira leva umas duas horas e cabe facilmente num único dia junto com o Parque das Aves ou o Macuco Safari. Já encaixar o lado argentino numa viagem de dois dias significa correr com a travessia da fronteira, quase 7 quilômetros de caminhada e horários de volta apertados; você vê as cataratas, mas tudo fica corrido demais.

    Com quatro ou cinco dias, a viagem ganha folga. O tempo extra dá espaço para a trilha do Poço Preto, Itaipu, o Marco das Três Fronteiras ao pôr do sol, um segundo dia na Argentina e, se o calendário ajudar, o passeio de lua cheia. Se o clima ou o rio não colaborarem, essa janela ainda permite mudar seus planos.

    👉 Conheça a aventura: Excursão Foz do Iguaçu: Passeio privado às Cataratas – Viagem econômica de 3 dias

    Planeje sua viagem às Cataratas do Iguaçu com o PlanetaEXO!

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  • Onça-pintada com colar de monitoramento atravessando o campo aberto, com um veículo de safári desfocado ao fundo

    10 curiosidades sobre o Onçafari, o projeto brasileiro que protege a onça-pintada

    Fundador, método pioneiro, resultados com onças-pintadas e lobos-guarás e como você pode conhecer e apoiar o trabalho do Onçafari

    O Onçafari é uma organização brasileira sem fins lucrativos que protege onças-pintadas, lobos-guarás e os habitats que eles dividem. Tudo começou em 2011, numa fazenda do Pantanal, onde as onças apareciam só algumas vezes por ano. Hoje, há 20 bases de conservação em 4 biomas brasileiros.

    O modelo veio da África e parte de uma lógica simples: quando o viajante paga para ver a vida selvagem, a população local ganha um motivo para protegê-la. Foi essa ideia que levou o fundador, um ex-piloto de corrida, a discursar em Davos. Quer entender como essa abordagem funciona na conservação da fauna brasileira?

    Equipe do Onçafari reunida em volta de uma Land Rover Defender com uma onça-pintada amarela pintada na lataria

    O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em safáris de onça-pintada no Pantanal, preparou esta lista com 10 curiosidades sobre o Onçafari. Confira abaixo!

    1. Método de habituação de animais

    O método do Onçafari foi adaptado da África do Sul, mais precisamente de um caso ocorrido em Londolozi, em que um proprietário de terras passou 3 anos seguindo uma fêmea de leopardo até que ela se acostumasse com os carros. Os filhotes herdaram essa tranquilidade, e a reserva virou uma das melhores do mundo para ver leopardos.

    Com o nome de habituação, a técnica chegou ao Brasil pelas mãos do Onçafari, como projeto-piloto no Pantanal, e foi desenvolvida com o CENAP/ICMBio, o centro federal de pesquisa de carnívoros. O objetivo? Fazer com que as onças entendam que os veículos de safári não são uma ameaça e sigam sua rotina à vista de todos.

    Isso exige muita paciência. No início, segundo a National Geographic Brasil, os pesquisadores ficavam a mais de 200 metros dos animais, e um dos biólogos levou 9 meses para encurtar a distância, com segurança, até 12 metros. O esforço também deixa herança: as mães passam a habituação aos filhotes.

    Habituação não é domesticação. Os animais continuam totalmente selvagens e livres, não recebem comida nem recompensa de ninguém, deixando apenas de reagir aos carros. Em agosto de 2018, o Onçafari passou a aplicar o mesmo método aos lobos-guarás da Pousada Trijunção.

    Onça-pintada de olhos claros observando de dentro da vegetação fechada

    2. O fundador é um ex-piloto de corrida

    Antes de rastrear onças, Mario Haberfeld acelerava nas pistas. Campeão da Fórmula 3 Britânica em 1998, correu na Fórmula 3000 até 2002 e, em 2003, passou para a Champ Car.

    Com o tempo, Haberfeld trocou o automobilismo pela vida selvagem. Em agosto de 2011, lançou o Onçafari no Refúgio Ecológico Caiman, fazenda e lodge de 53.000 hectares perto de Miranda, no Pantanal Sul.

    Os primeiros marcos não demoraram. Já em outubro de 2011, a equipe instalou seu primeiro colar GPS numa fêmea chamada Chuva. A primeira toca foi encontrada em maio de 2013, com os 3 filhotes da fêmea Esperança. Já em abril de 2018, o Caiman chegou ao registro da 100ª onça-pintada.

    Mario Haberfeld de camiseta do Onçafari em frente à Land Rover Defender preta do projeto

    3. O fundador do Onçafari foi eleito Inovador Social do Ano em Davos

    Em 20 de janeiro de 2026, Mario Haberfeld foi eleito Inovador Social do Ano na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Ele foi um dos 21 líderes globais homenageados pela Schwab Foundation for Social Entrepreneurship.

    No discurso, Haberfeld lembrou que 5 dos 10 riscos globais apontados no relatório mais recente do fórum são ambientais. Poucos meses antes, ele já tinha vencido o Prêmio Empreendedor Social 2025, promovido pela Folha de S. Paulo com a Schwab Foundation.

    Antes disso, Haberfeld já tinha sido reconhecido: em junho de 2025, em Londres, recebeu o prêmio Unsung Hero da Latin American Travel Association (LATA).

    Mario Haberfeld segurando o certificado de Empreendedor Social do Ano de 2026 no palco do Fórum Econômico Mundial

    4. Atuação em 4 biomas brasileiros

    Depois do Pantanal, vieram a Mata Atlântica (2016), a Amazônia (2017) e o Cerrado (2018), cuja base do projeto é a Pousada Trijunção, bem no ponto onde se encontram os estados da Bahia, Goiás e Minas Gerais.

    A missão é conservar a biodiversidade brasileira, protegendo áreas naturais e apoiando comunidades locais. Na prática, o trabalho se organiza em grandes corredores ecológicos, que reconectam habitats fragmentados, a partir de 20 bases de conservação. Os números estão no discurso que Haberfeld fez em Davos, em 2026.

    O trabalho também atravessa fronteiras. Pela iniciativa Jaguar Rivers, o Onçafari atua ao lado de organizações da Argentina, Paraguai e Bolívia. Os planos também incluem mais 2 biomas brasileiros: o Pampa e a Caatinga.

    5. Ecoturismo como base do trabalho de conservação

    O ecoturismo é a espinha dorsal do Onçafari. A conta é simples: uma onça que o viajante consegue ver vale muito mais viva do que o gado que ela poderia abater. Assim, o fazendeiro ganha um motivo para protegê-la.

    Num período de 2 anos, 100% dos hóspedes do Caiman viram pelo menos uma onça, segundo o projeto, e a ocupação do lodge cresceu 580% desde 2011. No Pantanal Norte, um estudo de 2017 calculou que o turismo de observação de onças movimenta US$ 6,8 milhões por ano, contra cerca de US$ 121.500 em perdas de gado.

    Essa renda gera empregos e novas carreiras. Alguns peões que antes viam as onças como pragas hoje trabalham como guias. É um exemplo claro de como o ecoturismo pode transformar um predador ameaçado em patrimônio da região.

    👉 Leia mais: Turismo sustentável no Pantanal – 3 iniciativas que protegem a vida selvagem

    6. Você pode fazer os safáris do Onçafari no Caiman e na Pousada Trijunção

    A própria equipe do Onçafari conduz safáris em apenas 2 lodges: o Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal, e a Pousada Trijunção, no Cerrado. O PlanetaEXO leva você aos dois, com pensão completa e atividades guiadas de observação de fauna nas mesmas áreas onde os pesquisadores trabalham.

    O safári de luxo no Refúgio Ecológico Caiman tem 4 dias e 3 noites e sai de Campo Grande, a 236 km, com traslado privativo. As saídas de safári acontecem no início da manhã e no fim da tarde. Quer ir a campo com a equipe do Onçafari? A experiência entra como extra opcional. A melhor época vai de maio a outubro, na estação seca.

    Já no roteiro Pousada Trijunção: tour pelo Cerrado, de 5 dias e 4 noites, o Onçafari faz parte da programação. No dia 3, você sai antes do amanhecer com a equipe do projeto em busca de lobos-guarás e, depois, visita o Parque Nacional Grande Sertão Veredas (230.000 hectares). Como acontece com qualquer animal selvagem, não dá para garantir os avistamentos, mas as chances são muito boas.

    Caminho de pedra em um jardim de Cerrado levando à varanda com rede da Pousada Trijunção

    7. Além do ecoturismo, o Onçafari atua em outras 7 frentes

    O ecoturismo é apenas 1 das 8 frentes do Onçafari. Cada uma das outras cuida de uma parte diferente da conservação:

    Equipe do Onçafari instalando um colar de rastreamento GPS em uma onça-pintada sedada em campo

    • Ciência: com colares GPS/VHF que se soltam sozinhos e armadilhas fotográficas, os pesquisadores já instalaram 50 colares e coletaram amostras de 32 onças.
    • Educação: palestras para comunidades, empresas e escolas, além de apoio de campo ao documentário da BBC Jaguars: Brazil’s Super Cats, narrado por David Attenborough.
    • Reintrodução: 3 centros de reabilitação, com 7 recintos, na Amazônia e no Pantanal.
    • Social: oficinas de artesanato, hortas agroecológicas e trabalho com cerca de 100 indígenas Boe Bororo na Terra Indígena Perigara.
    • Florestas: 4 áreas protegidas que somam mais de 66.000 hectares, criadas com terras de doadores.
    • Prevenção de incêndios: equipamentos e treinamento para brigadistas, além do segundo plano de manejo integrado do fogo em terras privadas do Brasil.
    • Políticas públicas: defesa de leis ambientais mais fortes (entre elas, a que protege 200 km do rio São Benedito com um refúgio) e a campanha contra o tráfico de animais Sou Amigo da Fauna.

    8. Onça-pintada e lobo-guará são as espécies-alvo do Onçafari

    Onça-pintada

    A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e o terceiro maior do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. Segundo o Onçafari, o Brasil abriga cerca de 50% das onças-pintadas que restam, e o Pantanal tem as maiores densidades do planeta.

    O estado de conservação da onça-pintada depende de onde se olha. A IUCN classifica a espécie como Quase Ameaçada; na lista brasileira, aparece como Vulnerável. Em alguns biomas, falar em ameaça de extinção não é exagero: a espécie está extinta no Pampa desde 1952, restando menos de 300 indivíduos na Caatinga e na Mata Atlântica.

    Desde 2011, o Onçafari identificou mais de 300 onças-pintadas e registrou mais de 3.400 avistamentos. Só no Caiman, a contagem saltou da 50ª onça registrada (2016) para a 150ª (2020).

    👉 Leia mais: Onde ver onças-pintadas no Pantanal

    Viajantes em um veículo de safári observando uma onça-pintada descansando em um galho no Pantanal

    Lobo-guará

    Com cerca de 90 cm de altura na cernelha e até 36 kg, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo selvagem da América do Sul. A fruta da lobeira compõe grande parte de sua alimentação, ajudando na dispersão de sementes ao longo do Cerrado. No total, restam cerca de 17.000 indivíduos adultos, mais de 90% deles no Brasil.

    Na Trijunção, o trabalho de conservação do lobo-guará tem seus próprios marcos: o primeiro colar foi instalado em dezembro de 2018, e a primeira toca apareceu em 2019. Com o Ministério do Meio Ambiente, o Onçafari também trabalha para evitar que os lobos se afoguem em canais de irrigação.

    Close de um lobo-guará, de orelhas grandes e pelagem avermelhada, contra o capim seco

    Outras espécies

    O Onçafari também monitora outros 32 mamíferos, entre eles onças-pardas, jaguatiricas, antas, ariranhas, tamanduás-bandeira e cervos-do-pantanal.

    Em 2018, a equipe documentou Una, a primeira onça-preta identificada perto da Trijunção. Em 2026, com a Embrapa Pantanal, foi a vez de registrar cervos-do-pantanal melânicos.

    👉 Leia mais: Animais do Pantanal: fauna e vida selvagem

    9. O Onçafari conquistou um feito inédito na reintrodução da onça-pintada

    O resultado mais conhecido do Onçafari começou com duas órfãs. Resgatadas em 2014, as irmãs Isa e Fera foram soltas no Pantanal em 2016 e se tornaram as primeiras onças-pintadas do mundo reintroduzidas com sucesso na natureza. Em 2018, Isa deu à luz Aurora, a primeira filha de uma onça reintroduzida.

    O programa não parou por aí. Em 2019, as irmãs Pandora e Vivara foram soltas na Amazônia. Já Jatobazinho, um macho tratado no centro do projeto, seguiu para a Argentina e se tornou pai dos primeiros filhotes de onça nascidos na natureza no Parque Nacional Iberá em 70 anos.

    Outra conquista veio em 2018. Naquele ano, Esperança, uma das primeiras onças acompanhadas pela equipe, viu nascer sua bisneta Shiva, prova de que a habituação atravessa gerações.

    Pegada de onça-pintada na areia, do tamanho da mão aberta colocada ao lado

    10. Você pode adotar uma onça-pintada ou um lobo-guará

    Uma das formas mais diretas de apoiar o Onçafari é adotar um animal. Ao adotar uma onça ou um lobo-guará, você acompanha a vida do bicho na natureza por 1 ano e, de quebra, financia o trabalho de pesquisa e proteção dedicado a ele.

    Outra opção é o Amigo da Onça, um programa de contribuição mensal a partir de R$ 20. Além disso, cada compra na loja virtual oficial financia diretamente o projeto. Você ainda pode doar via Pix, deixar uma doação em testamento ou pedir aos amigos que façam uma doação em vez de comprar um presente para você.

    Fora do Brasil, o Onçafari International recebe doações avulsas e recorrentes, mantendo o próprio programa Adopt a Jaguar.

    Viajar também é uma forma de apoio: cada hóspede do Caiman ou da Pousada Trijunção ajuda a sustentar esse modelo de conservação.

    👉 Leia mais: Projetos de conservação que transformam o Pantanal

    Onça-pintada descansando em um galho grosso, com a cabeça apoiada nas patas, olhando para a câmera

    Visite os projetos do Onçafari com o PlanetaEXO

    Agora que você sabe como o Onçafari transformou onças-pintadas e lobos-guarás em motivos para proteger a terra, chegou a hora de vê-los na natureza!

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em tours de vida selvagem no Brasil. Trabalhamos com os melhores operadores locais, e nossa equipe está pronta para ajudar você a montar uma experiência sob medida, com planejamento sem dor de cabeça. Fale conosco agora!

  • Cavalos atravessando a água rasa ao amanhecer no Pantanal

    Emocionante, confortável, divertido: a viagem em família de Sally ao Pantanal Sul

    Quatro dias de uma família britânica numa fazenda de gado em plena atividade, às margens do Rio Aquidauana, contados pela própria Sally

    Professora, Sally Heal tem 48 anos e mora num vilarejo no coração da Inglaterra. Hoje, passa a maior parte do tempo formando outros professores. A filha dela morava no Chile há um ano e já tinha ido ao Brasil com amigos.

    Durante o inverno chileno, a família queria calor. Sally, o marido e os dois filhos, já adultos, de 20 e 22 anos, chegaram a pensar na Costa Rica, mas custos mais altos, voos complicados e chuva pesaram na decisão. A escolha foi o Brasil: a primeira vez da família no país e a segunda na América do Sul.

    O roteiro começou pelo Rio de Janeiro, que todos adoraram, e por Ilha Grande. Depois, um voo para o oeste até Campo Grande. A ideia era ver bichos, plantas e o Brasil de verdade, longe das cidades. A Amazônia quase entrou nos planos, mas o Pantanal levou a melhor, a planície alagável de 210.000 km² que se espalha por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Era o que o marido dela queria desde o começo.

    No fim de agosto de 2026, a família passou quatro dias na Pousada Aguapé, às margens do Rio Aquidauana, num roteiro pelo Pantanal saindo de Campo Grande, organizado pelo PlanetaEXO e conduzido por um guia local. Confira a história abaixo!

    Sally e a família a cavalo, de capacete, na fazenda do Pantanal

    Uma fazenda de gado de verdade, não um hotel cinco estrelas

    Sally imaginava uma hospedagem bem simples, um palpite parcialmente correto. “Era básico, sim, mas muito maior do que eu pensava e muito mais confortável”, contou. O chuveiro superou as expectativas e, do lado de fora do quarto, havia espaço para secar as roupas e sentar na sombra.

    A Pousada Aguapé fica numa fazenda de gado tradicional que está nas mãos da mesma família há mais de 150 anos. São 15 quartos, com piscina e uma área de redes. Para Sally, a simplicidade era justamente o que importava. “Não quero ir ao Pantanal e ficar num lugar com cara de hotel cinco estrelas. Eu poderia ir a um hotel cinco estrelas em qualquer outro lugar.”

    O que ela queria era o Pantanal em estado puro. “Tatus passeando pelo restaurante, pássaros pousando no deck enquanto a gente comia, tucanos voando sobre nossa cabeça e araras fazendo ninho enquanto estávamos na piscina… Foi incrível”, revelou, animada.

    Pantaneiro conduzindo a boiada na poeira do Pantanal

    A fazenda continua em atividade. Sally gostava de observar os peões pantaneiros, “cada um com a sua sela e a faca enfiada na parte de trás da calça”, totalmente à vontade no meio dos cavalos. Um modo de vida bem diferente do dela, mas que achou honesto e quase poético.

    👉 Leia mais: Onde se hospedar no Pantanal

    O guia que se sentou em outra mesa

    A primeira lembrança que Sally tem de Bruno, o guia da família, não envolve bicho nenhum. Eles chegaram à pousada bem na hora do almoço, e ele foi se sentar em outra mesa. “Ele não achou que a gente ia querer sentar com ele. Nós o convidamos para conversar e comer junto. Ele entendia que as férias eram nossas e respeitava muito isso. Achei lindo.”

    Depois vieram a fauna e o olhar treinado dele. O primeiro animal da viagem foi uma ema. Bruno reconheceu a ave na hora e ainda disse que era fêmea. A partir dali, cada pássaro vinha com o nome da espécie e, muitas vezes, a idade.

    O guia da família ao lado da caminhonete aberta usada nos safáris

    No rio, ele não se desligava um segundo e vivia apontando animais. Impressionada, Sally perguntou como ele conseguia enxergar aquilo tudo. A resposta: ele sabia o que estava procurando, e bastava um movimento mínimo. Ela resume a diferença em números. “A gente não teria visto 80% do que viu se não fosse o Bruno mostrando.”

    Bruno e o piloto do barco trabalhavam em dupla, manobrando para que todos tivessem a melhor vista e a melhor foto. Quando encontraram bugios, Rafael, da equipe da pousada, tentou imitar o ronco deles, fazendo o filho de Sally morrer de rir. Bruno entrou na onda: “É uma doença que ele tem. A gente só tem que ter paciência e deixar ele fazer esses barulhos”, brincou.

    👉 Leia mais: Animais do Pantanal: fauna e vida selvagem

    Tamanduás, tucanos e um lagarto de barriga cheia

    O primeiro passeio de barco já começou testando os nervos: um jacaré deitado bem na frente da embarcação. Uma pessoa da família (prometemos não dizer quem) ficou apavorada. Os guias transformaram o susto numa piada que durou a viagem toda e também numa aula, porque jacarés não querem saber de gente. “É só fazer ‘xô, xô’ e andar na direção dele que ele foge”, explicou Sally.

    Depois, foi um bicho atrás do outro. Tucanos voavam em volta da piscina, e tatus, tamanduás, emas e capivaras apareciam numa quantidade que Sally nunca tinha visto.

    Uma cena ficou na memória dela: um ovo de ema já vazio e, do lado, o lagarto que tinha devorado tudo, ainda deitado ali. “Ele estava lá, largado, satisfeito e de barriga cheia, com o ovo vazio do lado”, lembrou. “Não é uma cena bonita, mas foi bem legal.”

    Tamanduá-bandeira se alimentando no campo aberto

    O único animal que não deu as caras foi a onça-pintada. O consolo veio depois, de uma família húngara de quem ficaram amigos nos passeios de barco. Os húngaros seguiram para o Pantanal Norte e mandaram para Sally “fotos e vídeos de onça incríveis, porque eles viram um monte delas”.

    Vale saber: as chances de ver onça-pintada são maiores no Pantanal Norte. Já o Sul se destaca pela fauna típica das fazendas, como os animais que Sally encontrou. Nas duas regiões, a estação seca, de julho a outubro, concentra os bichos em volta da água remanescente.

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    O maior cavalo para a menor amazona

    Sally nunca tinha montado. “Foi bem intimidador. E me deram o maior cavalo, sendo que eu tenho só 1,57 m.” Mais tarde, ela descobriu o motivo: era o cavalo mais velho e mais calmo da fazenda.

    A cavalgada virou a atividade preferida da família. “Acho que foi o nosso melhor dia”, disse Sally. O guia que conduzia o grupo era “excelente, muito engraçado” e toda hora puxava um pouco o ritmo dos cavalos do filho e da filha dela, “só para tirar os dois da zona de conforto e dar umas risadas com eles”. Aí o caminho entrou direto na água.

    Vista da sela enquanto os cavalos atravessam o campo alagado
    Photo: Pousada Aguapé

    O que Sally mais valoriza é o jeito de ver a paisagem de cima do cavalo. “Você chega perto dos animais e do ambiente e sente que está dentro dele, e não dentro de um carro. No carro existe aquela distância do que você está vivendo. Em cima do cavalo, é muito diferente.”

    Também ficou a sensação de conquista. “No fim, sinto que fiz uma coisa que eu nunca teria feito no Reino Unido”, refletiu.

    Caipirinhas, sobremesas e seis tatuagens de fruta

    A comida da acomodação foi, na palavra de Sally, “excepcional”. Com dois filhos adultos famintos e “um marido que adora carne”, a quantidade pesava tanto quanto a qualidade, mas a pousada deu conta das duas. A surpresa ficou para a sobremesa: bolos e doces que não se parecem com nada que se come no Reino Unido.

    Cozinheiro da pousada fatiando carne assada em uma tábua de madeira

    A barreira do idioma nunca atrapalhou uma boa risada. “Eles se interessavam pela gente, e a gente por eles”, disse. “Eu chamaria de brincadeira, só que quase toda por mímica, e não com palavras.”

    Numa das noites, Rosana, que trabalha no bar, deixou Sally assumir o balcão e preparar caipirinhas para todo mundo. “A gente dançou e cantou, foi muito divertido.” E tinha um plano por trás disso. “Eu queria aprender a fazer para poder preparar quando voltasse para casa.”

    A lembrança mais inusitada veio de Rafael, outro guia da pousada. A família reparou numa tatuagem temporária no braço dele e perguntou o que era. Ele se ofereceu para fazer tatuagens iguais na família, usando uma mistura de carvão e suco de fruta que vai saindo ao longo das semanas. Sally fez seis. Quando conversamos, só restava uma, na mão que ela mal tinha lavado. O motivo é o próximo capítulo da história.

    Um dedo quebrado e uma equipe que não entrou em pânico

    O acidente aconteceu no momento menos aventureiro da viagem. Depois de cavalgada, trilha e passeios de barco, Sally jogava vôlei com o filho na piscina quando a bola “pegou de mau jeito”. Resultado: dedo completamente quebrado.

    “Ninguém tinha como prever. Não foi culpa de ninguém”, ressaltou. “Pense em tudo o que a gente fez, como andar a cavalo e fazer trilha, e em quanta coisa poderia ter acontecido. Mas não foi aí. Foi num momento de descanso.”

    E aconteceu longe de tudo. “A gente estava num lugar bem isolado do Pantanal, no meio do nada, na verdade, e aquilo podia ter sido um desastre total.” O hospital mais próximo ficava a cerca de uma hora de estrada de terra. Quem gerencia a pousada levou Sally até lá, cuidou dela e traduziu tudo. Bruno também ajudou muito no hospital. “Todo mundo também estava muito calmo. Ninguém entrou em pânico, e foi muito bom ver isso.”

    Os filhos ficaram na pousada e seguiram com as atividades. “Quando voltei, eles tinham se divertido muito”, contou. “[A equipe] transformou o que poderia ter sido um pesadelo num dia muito agradável para os meus filhos e cuidou de mim muito, muito bem. Fiquei muito grata.”

    Sally com a mão e o braço enfaixados depois do hospital

    Mesmo assim, a lesão encurtou a viagem. O plano era passar uns dias em São Paulo e depois seguir para as Cataratas do Iguaçu. Em vez disso, Sally voltou mais cedo para casa com o filho, enquanto o marido e a filha retornaram ao Chile para esquiar.

    O Brasil é seguro? A resposta sincera de Sally

    Antes da viagem, várias pessoas avisaram a família de que o Rio de Janeiro e São Paulo podiam ser perigosos. Não foi o que Sally encontrou. “Nunca me senti em perigo. Nunca me senti desconfortável. Foi uma boa surpresa.”

    Ela tem uma teoria para isso, que diz tanto sobre quem viaja quanto sobre o país. “Quando viajo, sempre espero que as pessoas sejam calorosas, acolhedoras e gentis. E acho que parte disso vem do jeito como você age quando é visita no país dos outros. O seu comportamento muitas vezes define como você é recebido.”

    No Pantanal, o acolhimento veio com bom humor. “Mesmo sem a gente falar a língua, o pessoal da pousada foi um amor e muito engraçado”, elogiou Sally, satisfeita com o atendimento que a família recebeu.

    As dicas de Sally para quem vai ao Pantanal pela primeira vez

    A primeira dica foi direta: “Vá com o PlanetaEXO.” Os motivos são práticos, assim como o resto dos conselhos dela.

    Reserve com quem tem acesso às pousadas

    Reservar uma viagem ao Pantanal de um computador no Reino Unido foi mais difícil do que a família imaginava. “Você não sabe bem o que está procurando, não fala o idioma e não sabe direito como entrar em contato com as pousadas, porque acho que muitas só trabalham com agências.” A filha encontrou o PlanetaEXO na internet; um cancelamento liberou um quarto quádruplo e a família fechou a reserva só três ou quatro semanas antes de chegar.

    Dali em diante, a comunicação resolveu o resto. “Eu sabia exatamente o que estava fazendo e exatamente o que esperar. Sabia até que roupas levar.” Quando ela confundiu uma regra de bagagem que tinha lido em outro lugar (só malas macias, no máximo 15 kg) e começou a se desesperar, uma única mensagem da equipe do PlanetaEXO esclareceu tudo na hora.

    Viaje com um guia que fale o seu idioma

    “Ele deu vida ao Pantanal”, disse Sally sobre Bruno. “Acho que não teríamos aproveitado nem de longe o tanto que aproveitamos se o Bruno não estivesse com a gente. E o inglês dele era excelente, o que ajudou muito.”

    Este roteiro inclui um guia particular que fala inglês, além do guia local da pousada, que fala português.

    Suba num cavalo

    E mesmo que você nunca tenha montado. Sally e o marido eram iniciantes, e ainda assim foi o melhor dia da viagem.

    Os guias da fazenda ensinam os iniciantes com paciência e cuidado, mantendo um ritmo tranquilo. Como os cavalos andam devagar, dá para chegar bem perto dos animais silvestres.

    Vá com calma

    O último conselho é o que ela daria a qualquer pessoa que vá ao Pantanal pela primeira vez. “Não tenha pressa e vá com calma. Deixe a natureza tomar conta de você, em vez de ficar caçando coisas para ver”, recomendou.

    Planície alagada do Pantanal com um ipê-rosa florido
    Photo: VisitMS

    👉 Leia mais: 10 dicas de viagem ao Pantanal

    Emocionante, confortável, divertido

    Pedimos para Sally descrever o Pantanal em três palavras. Antes, com bom humor, ela pôs uma condição: “Sem falar do meu dedo quebrado.”

    Emocionante, “porque foi emocionante enquanto a gente estava lá”. Confortável, “e não falo só das camas confortáveis. Falo de se sentir em casa logo de cara.” E divertido. “A gente riu muito, com as pessoas de lá e com a minha família. Foi muito divertido.”

    O filho de Sally subindo na caminhonete de safári, com tatuagens temporárias de fruta no braço

    Próximos destinos: onças, Fernando de Noronha e as cataratas

    O Brasil deixou a família com uma lista para a próxima viagem. O marido quer visitar o Pantanal Norte para ver onças. Sally quer Fernando de Noronha, Lençóis Maranhenses e Cataratas do Iguaçu, que ficaram de fora da viagem por causa da lesão.

    Onça-pintada descansando sobre um tronco no Pantanal

    A família até passou pelo Rio e por Ilha Grande, mas o tempo não ajudou. Por isso, quer voltar. “Eu adoraria ver tudo aquilo com sol”, comentou Sally.

    👉 Leia mais: Onde ver onças-pintadas no Pantanal

    Conheça o Pantanal Sul com o PlanetaEXO

    A jornada de Sally e sua família revelou toda a hospitalidade da região do Rio Aquidauana, oferecendo uma prévia das maravilhas que aguardam no Pantanal Sul. Agora, só falta ver tudo isso com os próprios olhos!

    Vista aérea do Pantanal e de seus rios
    Photo: Rico

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes no Pantanal Sul. Em parceria com guias e operadores locais experientes, cuidamos de toda a logística (transfer a partir de Campo Grande, pousada, refeições e programação de atividades) para que a sua família só se preocupe em aproveitar a experiência. Fale conosco!

  • 10 curiosidades sobre Fernando de Noronha, uma das ilhas mais bonitas do Brasil

    10 curiosidades sobre Fernando de Noronha, uma das ilhas mais bonitas do Brasil

    De um vulcão de 12 milhões de anos a uma temporada recorde de tartarugas, estas 10 curiosidades sobre Fernando de Noronha mostram por que o arquipélago vale a visita

    A cerca de 345 km da costa do Nordeste brasileiro, no Atlântico equatorial, Fernando de Noronha é um arquipélago vulcânico de 21 ilhas, das quais só a principal é habitada. O território pertence a Pernambuco, e cerca de 70% de suas terras e águas estão protegidas dentro de um parque nacional marinho, área reconhecida oficialmente como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2001.

    Conhecer algumas curiosidades sobre Fernando de Noronha ajuda os viajantes a terem uma melhor noção do local, como sua história, vida selvagem e iniciativas de conservação. Quer saber o que esta ilha esconde?

    O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes para Fernando de Noronha, preparou esta lista com 10 curiosidades que você deve conhecer antes de reservar sua viagem. Confira abaixo!

    Facts about Fernando de Noronha
    .

    1. Um arquipélago vulcânico de 21 ilhas com cerca de 12 milhões de anos

    Somando todas as partes, o tamanho de Fernando de Noronha é de 26 km², divididos entre 21 ilhas, ilhotas e rochedos. A ilha principal responde por cerca de 17 km² do total, sendo a única com moradores; as demais são pequenas ilhas desabitadas que funcionam como colônias de aves marinhas.

    O que aparece acima da água é só a ponta de um sistema vulcânico extinto. Geólogos reconhecem duas fases principais de vulcanismo. A mais antiga, Formação Remédios, guarda as rochas mais velhas já datadas, com cerca de 12,3 milhões de anos. A mais jovem, Formação Quixaba, esteve ativa aproximadamente entre 3,3 milhões e 1,7 milhão de anos atrás.

    É desses derrames de lava e chaminés vulcânicas que vêm as falésias escuras e os pináculos, como o Morro do Pico.

    2. Mais perto da África que de São Paulo

    Onde fica Fernando de Noronha, exatamente? O ponto do continente mais próximo é o Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte, a 345 km. Depois vêm Natal (361 km) e Recife (545 km).

    Do outro lado do oceano, a África fica a cerca de 2.600 km, mais perto do que São Paulo (2.772 km), Curitiba ou Porto Alegre. Noronha também está no caminho da Corrente Sul-Equatorial, que atravessa o Atlântico rumo ao oeste e banha as ilhas com água morna, em torno de 26–27 °C.

    Fernando de Noronha is near to Africa
    Photo: Google Maps

    Uma crença bem difundida, porém, não se confirma: Fernando de Noronha não é o ponto mais oriental do Brasil. No continente, esse título pertence à Ponta do Seixas, na Paraíba. Contando as ilhas, o território brasileiro mais oriental é o grupo Martim Vaz, parte do arquipélago de Trindade e Martim Vaz, situado mais a leste no Atlântico, no litoral do Espírito Santo.

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    3. A BR-363 é a única rodovia federal em uma ilha oceânica

    A ilha de Fernando de Noronha tem uma rodovia federal só dela. Segundo o DNIT, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, a BR-363 percorre 6,8 km, do Porto de Santo Antônio até a Baía do Sueste.

    O DNIT a descreve como a menor rodovia do Nordeste e a única em uma ilha oceânica. Também costuma ser chamada de menor rodovia federal do Brasil, embora o recorde seja contestado.

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    BR 363 Fernando de Noronha
    Photo: Iza Correa

    4. De primeira capitania do Brasil a ilha-presídio

    Os registros da história de Fernando de Noronha começam em 1503, quando uma expedição portuguesa avistou as ilhas. Um ano depois, em 1504, o rei D. Manuel I doou o arquipélago ao comerciante Fernão de Loronha como Capitania de São João, a primeira capitania hereditária do Brasil. Loronha nunca chegou a morar lá, mas o nome dele ficou.

    Portugal só assumiu o controle de fato em 1737, quando ergueu uma rede defensiva de 10 fortes e transformou a ilha em colônia penal. O presídio de Fernando de Noronha funcionou por cerca de dois séculos. Inicialmente uma prisão convencional até 1938, passou a abrigar detentos políticos a partir do mesmo ano.

    Facts about Fernando de Noronha
    .

    Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, o Brasil fez de Noronha um Território Federal, transferiu os presos para a Ilha Grande e recebeu uma base da Marinha dos Estados Unidos perto da Baía do Sueste.

    Vieram então décadas de administração militar (primeiro o Exército, depois a Aeronáutica e o Estado-Maior das Forças Armadas) até 1988, quando a nova Constituição brasileira devolveu o arquipélago a Pernambuco. No mesmo ano, a maior parte dele virou Parque Nacional.

    5. Patrimônio Mundial da UNESCO e controle de visitação

    Em 2001, a UNESCO incluiu as Ilhas Atlânticas Brasileiras: Reservas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas na lista do Patrimônio Mundial. O reconhecimento destaca a beleza natural, os processos ecológicos típicos de ilhas oceânicas e a importância do conjunto para espécies ameaçadas.

    A UNESCO World Heritage Site 
    @visitbrasil

    No centro dessa proteção está o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. Criado em 1988, cobre cerca de 70% do arquipélago, em terra e no mar, e é administrado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Já a área habitada fica dentro de uma Área de Proteção Ambiental, com regras menos rígidas.

    É dentro do parque que está a Baía do Sancho, eleita seis vezes a melhor praia do mundo pelo Travelers’ Choice do Tripadvisor (2014, 2015, 2017, 2019, 2020 e 2023).

    Praia do Sancho Fernando de Noronha
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    Para proteger essa beleza, um acordo entre o ICMBio e Pernambuco limita os visitantes a 132.000 por ano e 11.000 por mês, além de fixar duas taxas (reajustadas periodicamente):

    • Taxa de Preservação Ambiental (TPA): R$ 105,79 por um dia e R$ 901,36 por 10 dias.
    • Ingresso do parque nacional: R$ 384 para estrangeiros e R$ 192 para brasileiros (válido por 10 dias).

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    6. Pouco mais de 3.000 moradores e (quase) nenhum nascimento na ilha

    Com base nos dados do Censo de 2022, a população de Fernando de Noronha alcançou 3.167 habitantes, representando um crescimento de aproximadamente 20% em relação aos 2.630 moradores registrados em 2010. Toda a comunidade local reside exclusivamente na ilha principal.

    Esse número tem ligação direta com uma das curiosidades sobre Fernando de Noronha que mais surpreendem: os partos são evitados na ilha. Com a desativação da maternidade do Hospital São Lucas em 2004, orienta-se que as grávidas locais viajem ao continente no 7.º mês de gestação para dar à luz, com despesas pagas pelo estado.

    Não é lei, mas protocolo de saúde. Emergências ainda acontecem: em julho de 2026, uma mulher deu à luz em Noronha com 41 semanas de gestação.

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    7. Espécies endêmicas renderam o apelido de “Galápagos do Brasil”

    “Galápagos do Brasil” é um apelido da mídia, não um título oficial, mas as espécies endêmicas por trás dele existem de verdade. Assim como Galápagos, Noronha evoluiu isolada, e parte da fauna não vive em nenhum outro lugar. Entre os animais de Fernando de Noronha estão:

    • Cocoruta (Elaenia ridleyana), um pequeno papa-moscas encontrado apenas no arquipélago.
    • Juruviara-de-Noronha (Vireo gracilirostris), pássaro cantor classificado como Vulnerável pela BirdLife International.
    • Mabuia-de-Noronha (Trachylepis atlantica), o lagarto frequentemente flagrado tomando sol nas pedras e trilhas.
    • 10 espécies endêmicas de peixes recifais, segundo levantamento de fauna marinha da administração do distrito. Entre elas está o neon-cata-piolho (Elacatinus phthirophagus), que não existe em nenhum outro lugar do planeta, e a donzela-de-rocas (Stegastes rocasensis), encontrada principalmente em Noronha e no vizinho Atol das Rocas.

    O arquipélago de Fernando de Noronha também abriga uma das maiores colônias reprodutivas de aves marinhas do Atlântico Sul tropical. Atobás-de-pé-vermelho, atobás-marrons, fragatas e rabos-de-palha fazem ninhos nas falésias e ilhotas mais afastadas.

    Noronha skink
    @mare.noronha

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    8. Golfinhos, tubarões e tartarugas marinhas

    Boa parte dos visitantes, principalmente mergulhadores profissionais e amadores, chega a Noronha atraída pela rica vida marinha. Três grupos de animais merecem destaque.

    Facts about Fernando de Noronha
    Photo: Pamela Rech

    Golfinhos-rotadores

    Depois de passar a noite se alimentando em alto-mar, os golfinhos-rotadores se reúnem na Baía dos Golfinhos para descansar.

    Entre 1991 e 2015, pesquisadores do Projeto Golfinho Rotador registraram indivíduos entrando na baía em 94% dos dias. Os grupos variavam de 2 a 2.719 animais, com média de 284 por dia. Para a UNESCO e a IUCN, é a maior população conhecida de golfinhos residentes do mundo.

    Como é terminantemente proibido nadar ou entrar de barco na Baía dos Golfinhos, você pode observar os golfinhos em Fernando de Noronha logo cedo, do alto da falésia, no Mirante dos Golfinhos.

    Spinner dolphins Fernando de Noronha
    Photo: Sandro Rodrigues

    Tubarões

    Entre os tubarões em Fernando de Noronha, os mais comuns são o tubarão-lixa, o tubarão-limão e o tubarão-de-recife-do-caribe. As águas ao redor são um berçário importante para os filhotes, tornando o avistamento um dos pontos altos de quem faz snorkel ou mergulho com cilindro.

    Shark Fernando de Noronha
    Photo: Sandro Rodrigues

    Ataques a humanos são raros, mas não custa lembrar que trata-se de animais selvagens. Os tubarões não costumam incomodar ninguém, a não ser que sejam perturbados. Por isso, durante os mergulhos, mantenha distância e siga as orientações do seu instrutor.

    Tartarugas marinhas

    Duas espécies de tartaruga marinha frequentam Fernando de Noronha. As tartarugas-verdes (Chelonia mydas) sobem à areia para desovar de dezembro a junho ou julho, principalmente na Praia do Leão. A temporada 2024/25 bateu recorde: foram mais de 766 ninhos, a maior contagem desde o início do monitoramento, em 1994.

    A ilha não é local de desova das tartarugas-de-pente (Eretmochelys imbricata). Como se alimentam nos recifes, indivíduos mais jovens são vistos com frequência durante mergulhos. Protegida por leis rígidas, a espécie está Criticamente em Perigo pela IUCN, após declínio superior a 80% em três gerações.

    Hawksbill Sea Turtle Fernando de Noronha
    @dohertyphotography

    Um aviso prático: a Praia do Leão, principal área de desova das tartarugas-verdes, fica fechada à noite e tem acesso restrito a partir das 17h.

    9. Naufrágios e recifes de coral

    Debaixo d’água, há 169 espécies de peixes recifais e 11 espécies de corais, de acordo com a administração de Noronha. Os recifes também escondem alguns dos mergulhos em naufrágios mais famosos do Brasil.

    O mais famoso é a Corveta Ipiranga V-17, navio da Marinha do Brasil que bateu na rocha submersa do Cabeço da Sapata em outubro de 1983 e afundou em cerca de oito horas, sem deixar vítimas fatais. Hoje o casco está em posição de navegação, a 55–62 metros de profundidade: um mergulho técnico, reservado a mergulhadores com treinamento específico.

    Bem mais perto da superfície, dois navios gregos repousam lado a lado na Baía de Santo Antônio, entre 1 e 8 metros de profundidade. O Eleni Stathatos encalhou em 1929, enquanto o Maria Stathatos pegou fogo no porto em 1937.

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    Dive in Fernando de Noronha
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    10. Ilha livre de plástico em transição para a energia limpa

    Em dezembro de 2018, a administração do distrito assinou o decreto Noronha Plástico Zero, que entrou em vigor em abril de 2019. A norma proíbe a venda e o uso de plásticos descartáveis na ilha, como canudos, copos, pratos, talheres, sacolas plásticas, embalagens de isopor para alimentos e garrafas plásticas com menos de 500 ml.

    Fernando de Noronha Plastic-free
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    Com a energia, o desafio é maior. A maior parte da eletricidade da ilha ainda vem da Usina Termelétrica Tubarão, movida a diesel e biodiesel. As usinas solares Noronha I e II fornecem cerca de 10%.

    Esse cenário, porém, começa a mudar. O projeto Noronha Verde, liderado pela Neoenergia, combina 22 MWp em painéis solares com um sistema de baterias de 49 MWh. Desde maio de 2026, os primeiros painéis já abastecem a rede, ainda em fase de testes. A operação completa está prevista para 2027, com meta de 100% de eletricidade renovável.

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