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  • Cinco onças-pintadas em um só dia: o safári em família de Michael no Pantanal

    Cinco onças-pintadas em um só dia: o safári em família de Michael no Pantanal

    Uma família suíça de cinco pessoas, um romance lido 15 anos antes e quatro dias entre a Transpantaneira e os rios de Porto Jofre, nas palavras do próprio Michael

    Michael Lang tem 51 anos e é clínico geral, dono de um pequeno consultório particular no noroeste da Suíça, a 10 quilômetros das fronteiras com a Alemanha e a França. Ele planejou as férias com a família e alguns amigos, embora o destino tenha mudado algumas vezes: primeiro Sri Lanka, depois África e Costa Rica, até que o Brasil ganhou a disputa.

    Michael queria conhecer o Rio de Janeiro, ver as Cataratas do Iguaçu e fazer um safári na Amazônia ou no Pantanal, que levou a melhor, em grande parte por causa de um livro. Há cerca de 15 anos, ele leu O Testamento, romance de John Grisham sobre um advogado enviado às áreas alagadas do Brasil para encontrar uma missionária.

    Em julho de 2026, Michael, a esposa e os três filhos, de 17 a 21 anos, passaram quatro dias no Safári Econômico de Onças no Pantanal, uma viagem organizada pelo PlanetaEXO e conduzida por um guia local. Esta é a história dele. Confira abaixo!

    Quatro dias na Transpantaneira (e nem um minuto de tédio)

    O Testamento se passa no Pantanal Sul, mas Michael e a família foram para o Pantanal Norte. Para chegar lá, voaram até Cuiabá e seguiram de carro. A viagem teve duas bases. Primeiro, uma pousada mais ao norte; depois, a região dos rios em volta de Porto Jofre, onde termina a estrada Transpantaneira.

    Michael gostou da mudança de cenário. “Foi muito interessante conhecer esses lugares diferentes. Nunca fiquei entediado”, contou. O ritmo também combinou com ele. “Era bem relaxante ficar sentado no barco, deslizando pelo rio.”

    Na hora de apontar o momento mais difícil, Michael não achou nenhum. Nada de trilha puxada, de tempo ruim ou de passeio de barco que demorasse demais. “Na verdade, não tem nada que eu possa dizer que tenha sido complicado para mim”, respondeu. Ele sabe que quatro dias é pouco para os padrões do Pantanal e que existem roteiros mais longos, mas não conseguiu citar um único ponto negativo.

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    Cinco onças-pintadas em um só dia

    Michael adora bichos e é fotógrafo amador de carteirinha, mas não é nenhum especialista em fauna. No Pantanal, sua lista de desejos tinha um protagonista. “Eu queria muito ver onças-pintadas. E vimos um monte delas.” Em um único dia, o grupo avistou cerca de cinco onças em cinco pontos diferentes.

    E não parou por aí: aves por toda parte, uma anta, cervos, ariranhas e muitos jacarés. Claro que Michael, apaixonado por animais, ficou nas nuvens.

    É por isso que os viajantes vêm de tão longe. Na região de Porto Jofre, os rios Cuiabá, Piquiri e Três Irmãos atravessam o Parque Estadual Encontro das Águas, a área pantaneira com as maiores chances de ver onças-pintadas. O pico de avistamentos vai de maio a outubro, nas estações intermediária e seca.

    O aspecto que mais chamou sua atenção foi a ausência de multidões e a pouca quantidade de viajantes pelo local. Nas Cataratas do Iguaçu, viu “centenas de pessoas numa plataforma e nas passarelas”. No rio do Pantanal, a história era outra. “Há uns dez barcos, talvez uma dúzia. Sem turismo em excesso, eu diria.”

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    Um tour privativo e sob medida

    Michael achava que ia dividir o guia, Fábio, com um grupo de dez ou 12 pessoas. Não foi o que aconteceu: o guia era só deles. “Ele foi praticamente nosso guia particular. Eu não esperava isso”, disse. “Foi uma grande surpresa para mim. Mas foi excelente, porque dava para perguntar tudo.”

    Com isso, quem ditava o ritmo era a família. “A gente podia ir no nosso tempo. Nós falávamos: ‘Olha, queremos fazer isso ou aquilo, ou queremos sair neste horário ou naquele’. Então foi tudo muito personalizado”, elogiou. Junto com as onças, foi o ponto alto da viagem para ele. “O contato pessoal com o guia foi excelente.”

    O inglês de Fábio não ajudou só na hora de falar dos bichos. No resto do Brasil, a família teve dificuldade para se comunicar com os locais, mas com o guia foi possível conversar a fundo. “A gente sempre falava de cultura, religião, finanças, política e por aí vai”, disse. “Acho que foi o contato mais próximo que tivemos durante a viagem.”

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    Sapos no banheiro e uma ariranha chamada Cheetah

    Antes de contar uma das histórias engraçadas da viagem, Michael olhou de relance para a filha. Alguns sapinhos tinham ido parar nos quartos da família, fazendo com que ela ficasse com medo de ir ao banheiro. A resposta dele diz tudo sobre o Pantanal: “A gente não está numa cidade. Estamos no meio da natureza.

    E teve também a Cheetah, uma ariranha bem acostumada com humanos. A família cruzou com ela duas vezes no rio, e nas duas ela tentou embarcar. “Ela sempre queria pular para dentro do barco. Era muito engraçado”, contou, rindo.

    Na água, os outros momentos preferidos dele foram os mais calmos, como admirar a paisagem nos passeios de barco ao nascer e ao pôr do sol.

    👉 Leia mais: Animais do Pantanal: fauna e vida selvagem

    E quanto à segurança no Brasil? A resposta sincera de Michael

    Michael nunca se sentiu inseguro no Brasil e explica o motivo com naturalidade. A família evitou as áreas mais arriscadas do Rio e de São Paulo e usou aplicativos de transporte para se deslocar. Como eram duas famílias viajando juntas, andavam sempre em grupo.

    Ele contou sua principal regra para circular sem sustos por lugares desconhecidos. “Se você fica atento ao que pode acontecer, não precisa passar por situações desagradáveis.”

    Michael achou que a Avenida Paulista lembrava Paris, com ruas largas e limpas. Já nos arredores de marcos como a Catedral da Sé e o Mercadão, a cidade mostrava um lado mais duro. Como já tinha visto lugares parecidos, ele não se chocou, mas o contraste entre as duas regiões ficou na memória.

    Ritmo mais lento e comida mais gostosa do que o esperado

    Para muitos europeus, diz Michael, o Brasil é sinônimo de futebol e quase nada além disso. Para ele e a família, a realidade é mais rica e muito mais diversa. A barreira do idioma atrapalhou um pouco, mas o que conquistou sua família foram as pessoas e o ritmo.

    Michael não esperava, mas sua esposa se apaixonou pelo país. “Ela disse que as pessoas são muito simpáticas e muito tranquilas em comparação com a Suíça”, compartilhou, acrescentando que até mesmo uma ida ao supermercado é uma correria em seu país. “No Brasil, era tudo mais devagar. Gosto disso.”

    A comida foi outra surpresa. Michael imaginava algo bem simples, mas se deparou com um verdadeiro banquete. “A comida brasileira foi muito melhor do que a gente esperava, e mais barata do que em outros países. Isso me surpreendeu muito.”

    O Brasil de Michael cabe numa lista: praias quentes e ensolaradas, pessoas tranquilas, cidades grandes, cachoeiras e vida selvagem. O único porém é o tamanho do país, já que “as distâncias são enormes”, então ele sugere incluir voos domésticos no planejamento de viagem. “Recomendo o Brasil para todo mundo que me pergunta aonde ir nas férias. É um lugar onde tem de tudo”, afirmou.

    As dicas de Michael para a primeira viagem ao Brasil

    E se um amigo estivesse planejando a primeira viagem ao país? Os conselhos de Michael são práticos:

    • Misture cidades, natureza e vida selvagem: a família dele uniu, em uma única viagem, São Paulo, Rio de Janeiro, Cataratas do Iguaçu, Ilha Grande e Pantanal.
    • Reserve alguns dias a mais para Ilha Grande, no estado do Rio: após passarem três dias na ilha, os filhos de Michael a colocaram entre as melhores experiências no Brasil, destacando que é “só praia e uma vila linda”.
    • Inclua o safári no orçamento desde o começo: um safári no Pantanal não sai exatamente barato, nem na versão econômica. No fim das contas, Michael achou que o guia particular e a organização valeram o investimento.
    • Escolha um guia que fale inglês: fora dos hotéis, nem sempre é fácil achar quem fale o idioma, então um guia fluente é a melhor porta de entrada para o país.

    👉 Leia mais: 10 dicas de viagem ao Pantanal

    Próximo destino: Salvador ou Lençóis Maranhenses

    Michael quer voltar. Na lista estão Salvador e os Lençóis Maranhenses, com suas dunas de areia branca e lagoas de água cristalina.

    Depois de conhecer as Cataratas do Iguaçu, ele também quer explorar mais o Sul do Brasil, mesmo sem ter um destino definido ainda. Opções não faltam!

    👉 Leia mais: 10 Curiosidades sobre os Lençóis Maranhenses, Brasil

    Conheça o Pantanal com o PlanetaEXO

    Agora que você viu o Pantanal pelos olhos de Michael, já sabe o que vai encontrar por lá: onças-pintadas, ariranhas, jacarés e passeios de barco ao nascer e ao pôr do sol. É hora de ver tudo isso de perto!

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes para o Pantanal. Em parceria com guias e operadores locais experientes, cuidamos da logística (traslados, pousadas, refeições e safáris de barco) para que você e sua família só se preocupem em aproveitar a experiência. Fale conosco agora!

  • A repórter Jihee Yeon filma as dunas dos Lençóis Maranhenses sob um céu alaranjado com o controle de um drone

    Gravação nos Lençóis Maranhenses para a TV coreana: a história de Jihee Yeon no Brasil

    Uma repórter coreana se aventurou nos Lençóis Maranhenses para gravar uma reportagem da KBS, caminhou três dias pelas dunas e saiu de lá impressionada com a beleza e o acolhimento do Brasil

    Repórter da KBS, a principal emissora pública de rádio e televisão da Coreia do Sul, Jihee Yeon, de 34 anos, foi aos Lençóis Maranhenses em busca das imagens mais bonitas que conseguisse gravar para uma reportagem especial.

    “Várias pessoas me recomendaram os Lençóis Maranhenses e disseram que seria a época ideal para visitar a região, pois as lagoas estariam cheias”, contou. “Assim que vi as fotos e os vídeos, fiquei encantada com a paisagem.” Na mesma hora, começou a planejar as gravações.

    Ao lado do cinegrafista Soo Han Kim, que mora em São Paulo e documenta histórias sul-coreanas na América do Sul, Jihee percorreu o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses com equipamento pesado de TV. São 155.000 hectares no estado do Maranhão, com imensas dunas de areia branca que chegam a 40 metros de altura e lagoas de água da chuva. O parque foi só uma etapa de um roteiro maior, que passou também por Belém, Ilha de Marajó, São Luís e Salvador.

    Jihee Yeon caminha pelas dunas brancas dos Lençóis Maranhenses, com dois trilheiros à frente
    Photo: KBS

    Jihee cruzou dunas e lagoas em uma travessia de 3 dias nos Lençóis Maranhenses, organizada e conduzida pela equipe do PlanetaEXO e por guias locais. Agora, contamos sua história. Confira abaixo!

    O que ela veio gravar

    Antes mesmo de chegar, Jihee já tinha uma imagem bem definida na cabeça. “Eu queria filmar as lagoas azuis surgindo depois de uma duna e outra, com água em meio a uma paisagem que mais parece um deserto infinito”, disse.

    A outra metade da pauta eram as pessoas: ela queria conhecer os viajantes que cruzam o parque a pé, e não de 4×4, porque desconfiava que essa escolha tinha significado. “Imaginei que aqueles que optavam por caminhar, em vez de viajar de carro, talvez tivessem motivos especiais para isso e vivenciassem a paisagem de uma maneira mais significativa.”

    O Parque Nacional entregou a primeira parte exatamente como prometido. O que Jihee subestimou foi a dimensão de tudo. “Eu imaginava que as dunas estariam concentradas apenas em algumas áreas, mas se estenderam diante de nós durante os três dias inteiros de caminhada.” E completou: “Não tinha ideia de que a paisagem fosse tão vasta.”

    Houve também uma surpresa de outro tipo: nadar nem estava nos planos. “Não pensei que gostaria tanto de nadar ali, mas era impossível resistir às lagoas.”

    Trilheiros caminham por uma duna de areia branca ao lado de uma lagoa azul-turquesa nos Lençóis Maranhenses
    Photo: KBS

    👉 Leia mais: As melhores lagoas dos Lençóis Maranhenses: o deserto de mil lagoas do Brasil

    Uma paisagem sem termo de comparação

    Jihee conhece desertos de vários países, e foi exatamente por isso que nenhuma comparação funcionou. “Nunca havia visto nada semelhante: inúmeras lagoas espalhadas por uma imensa extensão de dunas, com pequenos povoados inseridos nessa paisagem, contou, maravilhada.

    Esse último detalhe pega muitos viajantes de surpresa: os Lençóis Maranhenses não são um lugar vazio. A experiência de travessia só é possível graças às pequenas comunidades estabelecidas no interior e no entorno do parque. Conectados por trilhas de caminhada, esses vilarejos fornecem o acolhimento, a alimentação e a hospedagem essenciais para os trilheiros.

    Ao ser questionada se algum lugar na Coreia, ou em qualquer outro destino onde já trabalhou, chegava perto disso, ela foi breve. “Já viajei por muitos lugares, mas os Lençóis Maranhenses são realmente únicos e diferentes de tudo o que eu havia visto antes.”

    👉 Leia mais: 10 Curiosidades sobre os Lençóis Maranhenses, Brasil

    As crianças, as flores e um tempo diferente

    Pergunte a Jihee sobre os moradores e ela começa pelas crianças. “Em vez de simplesmente nos tratarem como turistas, pareciam genuinamente felizes em nos receber e passar aquele tempo conosco, lembrou. O grupo nadou com elas nas lagoas, “e as crianças chegaram a nos presentear com flores que haviam colhido nas proximidades. Foi uma experiência extremamente acolhedora e que acredito que nunca esquecerei.”

    A diferença cultural que mais chamou a atenção dela não foi a comida nem a língua, mas o tempo. “Na Coreia, estamos acostumados a nos movimentar rapidamente e a seguir horários bem definidos”, explicou. “Ali, porém, cada dia parecia transcorrer de maneira mais natural, de acordo com o clima, o ambiente e as relações entre as pessoas.”

    Jihee fez questão de não cair no clichê. “Eu não descreveria isso simplesmente como um ritmo de vida mais lento, mas como uma forma de viver mais próxima dos ritmos da natureza.”

    Jihee Yeon segura pequenas flores amarelas à beira da água, com uma criança local ao fundo
    Photo: KBS

    👉 Leia mais: Como se formaram os Lençóis Maranhenses: entenda as dunas de areia do Brasil e suas lagoas

    A primeira noite de Jihee em uma rede

    Nos acampamentos e nas pousadas dos vilarejos ao longo da travessia, a cama dá lugar à rede. Jihee nunca tinha dormido em uma, mas a estreia se tornou um dos pontos altos da viagem para ela.

    “Gostei especialmente de passar a noite ao lado dos outros viajantes, cada um deitado em sua rede enquanto conversávamos”, contou. “Foi muito mais confortável do que eu esperava, e comecei a entender por que as pessoas que vivem nos povoados preferem redes a camas.”

    Além de conduzir o grupo, os guias assumiram um papel especial nesta expedição, algo fora da rotina tradicional: durante três dias, Jihee levou equipamento pesado de filmagem pela areia. “O guia me ajudou a carregar o material e sempre verificava se eu precisava de alguma ajuda durante as gravações”, elogiou. A partir do segundo dia, o grupo se juntou a outro maior e a programação ficou mais apertada, mas “mesmo assim, o guia fez todo o possível para apoiar o meu trabalho.”

    Sobre as hospedagens, os guias e a organização da viagem como um todo, Jihee resume: “Fiquei muito satisfeita com toda a experiência.”

    Vista aérea de casas com telhado de palha num povoado cercado de vegetação e lagoas nos Lençóis Maranhenses
    Photo: KBS

    👉 Leia mais: Onde ficar nos Lençóis Maranhenses?

    Antes do nascer do sol, deitada na areia

    O momento preferido de Jihee na travessia não teve nada de gravação. “Meu momento favorito foi quando saímos antes do nascer do sol e nos deitamos juntos na areia para observar as estrelas.”

    Além da paisagem, o que mais impressionou Jihee foi observar os companheiros de caminhada. Enquanto ela seguia concentrada nas gravações, eles viviam a travessia em um ritmo completamente diferente. “Eles contemplavam a paisagem infinita sem pressa”, lembrou. “Sentiam a areia sob os pés, nadavam nas lagoas e até se sentavam à beira da água para ler.”

    “Eles não estavam apenas olhando para os Lençóis Maranhenses; estavam vivenciando o lugar por inteiro, com todo o corpo, refletiu. “Isso me marcou profundamente.”

    Céu estrelado sobre abrigos de palha e redes durante a travessia dos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: Quantos dias ficar nos Lençóis Maranhenses?

    As dicas de Jihee para quem vai aos Lençóis Maranhenses pela primeira vez

    Jihee tem uma credencial curiosa para dar conselhos, já que foi a única pessoa da travessia que não conseguiu segui-los. Trabalhar com câmera significava estar sempre em movimento, com muito equipamento a tiracolo, e isso teve um preço. “Eu estava tão ocupada que, em alguns momentos, não tive tempo nem tranquilidade para mergulhar completamente na paisagem diante de mim. Isso é algo de que me arrependo”, admitiu.

    Ainda assim, voltou para casa com algumas lições valiosas.

    Jihee Yeon e uma companheira de travessia na beira de uma lagoa entre as dunas dos Lençóis Maranhenses
    Photo: KBS

    Leve o mínimo possível

    Essa lição Jihee aprendeu na pele. Em uma travessia feita inteiramente a pé, sobre areia fofa, cada quilo a mais faz diferença ao longo do caminho, e ela ainda carregava equipamento pesado de filmagem nas costas. Foi um desafio e tanto.

    Não viva os dias pelo relógio

    Para quem vai só a passeio, ela recomenda “não ter pressa e se permitir apreciar plenamente a paisagem”.

    Jihee acha que a melhor forma de conhecer os Lençóis Maranhenses é deixar que o parque dite o ritmo, não o relógio.

    Chegue disposto a se entregar

    “Eu recomendaria que os visitantes fossem preparados para se entregar de corpo e alma à paisagem e a toda a experiência, assim como fizeram as pessoas que viajaram comigo.” Na prática, isso quer dizer entrar nas lagoas, dormir na rede e tirar o tempo necessário para contemplar a paisagem até a ficha cair, tamanha a beleza dos Lençóis.

    👉 Leia mais: 10 Dicas para Aproveitar ao Máximo a sua Viagem aos Lençóis Maranhenses

    E quanto à segurança no Brasil? A resposta sincera de Jihee

    Jihee passou por cinco destinos com equipamento caro e, muitas vezes, gravou na rua. Sobre Belém e a Ilha de Marajó, no Pará, e São Luís e os Lençóis Maranhenses, no Maranhão, ela não tem dúvida: “Senti-me extremamente segura e tranquila. Pude andar livremente à noite e filmar nas ruas, deixando meus equipamentos próximos a mim, sem me sentir ameaçada.”

    O único alerta que recebeu antes de viajar foi sobre Salvador, na Bahia, mas a história foi outra. “Quando cheguei à cidade, as pessoas ao meu redor fizeram questão de me ajudar”, contou. Moradores locais, incluindo motoristas de aplicativos, “explicaram cuidadosamente quais precauções eu deveria tomar e quais lugares deveria evitar. Como estavam sempre cuidando de mim, não senti que estivesse em perigo durante a viagem.”

    “Com base na minha própria experiência, o Brasil não ficou na minha memória como um lugar perigoso, acrescentou. “Eu me lembro do país como um lugar onde pude viajar com segurança e onde as pessoas ao meu redor cuidaram de mim com muito carinho.”

    Grupo da travessia posa com a bandeira do PlanetaEXO nos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: Como chegar aos Lençóis Maranhenses?

    O Brasil pode conquistar a Coreia?

    A admiração dos brasileiros pela cultura sul-coreana não é segredo. Perguntamos a Jihee se o movimento poderia acontecer no sentido contrário e se a tendência “Brazilcore”, que circula nas redes sociais, já tinha chegado à Coreia.

    “Há muito tempo os coreanos associam o Brasil à paixão e a uma energia vibrante. O samba é muito conhecido na Coreia e aparece com frequência como música de fundo em programas de televisão”, respondeu.

    Para ela, o obstáculo não é falta de interesse, mas o calendário: “A maioria dos coreanos não dispõe de períodos muito longos de férias.” Segundo Jihee, só chegar à América do Sul já consome boa parte dessas férias, fazendo com que muitos viajantes desenhem roteiros por vários países para o voo valer a pena.

    Para trazer coreanos a destinos de natureza do Brasil, como os Lençóis Maranhenses, a Amazônia ou o Pantanal, ela acha que um bom caminho é proporcionar rotas claras que caibam no tempo que eles realmente têm. “Oferecer informações e roteiros que permitam conhecer de forma eficiente a diversidade do Brasil em um período limitado poderia incentivar mais coreanos a escolher o país como destino.”

    Já para quem tem mais folga na agenda, ela não vê problema nenhum e destaca a imensidão e a riqueza brasileiras. “Um viajante independente com mais tempo poderia passar facilmente um mês no Brasil e continuar descobrindo lugares novos.”

    👉 Leia mais: Qual a Melhor Época do Ano para Visitar o Brasil?

    Onde Jihee quer gravar da próxima vez

    Uma reportagem só não bastou. Jihee quer voltar para ver o lado do Brasil que ficou de fora: as cidades. “Eu adoraria conhecer grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Tenho muita curiosidade em saber como é a vida urbana no Brasil.”

    Outro destino na lista é Campos do Jordão, cidade serrana paulista conhecida como a “Suíça Brasileira” devido à arquitetura europeia e clima fresco. Como a viagem dela foi no inverno, Jihee ficou fascinada ao saber que a estação pode ser tão diferente da que encontrou nas regiões Norte e Nordeste que percorreu.

    “Nesta viagem, conheci floresta tropical, ilhas, dunas, lagoas e cidades do litoral atlântico, observou. “Em uma próxima oportunidade, adoraria filmar um lado completamente diferente do Brasil.”

    Pessoa sentada numa duna ao lado de um tripé de câmera, de frente para uma lagoa nos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: 15 destinos de ecoturismo no Brasil para se aventurar em 2026

    Travessia nos Lençóis Maranhenses com o PlanetaEXO

    Agora que você atravessou o parque pelos olhos de Jihee, já sabe o que os Lençóis Maranhenses têm a oferecer: dunas que parecem não ter fim, lagoas onde ninguém resiste a um mergulho, noites na rede entre companheiros de aventura e vilarejos onde os moradores recebem turistas com muito carinho.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes para os Lençóis Maranhenses. Trabalhamos lado a lado com guias e operadores locais experientes e cuidamos de toda a logística, da primeira reserva ao último mergulho de lagoa, para que você possa se concentrar na experiência. Fale conosco agora!

  • Três noites no Pantanal Sul: a história de Sandy com a vida selvagem brasileira

    Três noites no Pantanal Sul: a história de Sandy com a vida selvagem brasileira

    Uma aventureira já íntima do Brasil, a primeira viagem do filho ao país e três noites no Rio Miranda, em suas próprias palavras

    Aos 63 anos, Sandy McKelvey passou boa parte da vida adulta indo e voltando do Brasil. Dá aula de inglês para estrangeiros em uma faculdade comunitária de Nova York e fala português, já que tocou um negócio no Brasil e rodou o país por 12 anos quando era mais nova.

    Além de ter morado na Bahia e em Pernambuco, também conhece o Ceará, Belém do Pará, Manaus, Minas Gerais, Natal, São Luís do Maranhão, Santarém, Rondônia e Acre. Em toda essa bagagem faltava justamente o destino indicado por um amigo biólogo que mora em Corumbá, cidade vizinha às áreas alagadas: Sandy nunca tinha pisado no Pantanal.

    A chance perfeita veio com Robert, seu filho, que tinha duas semanas de folga. Como era a primeira vez dele no Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo entraram sem discussão no começo do roteiro. Mas Sandy buscava uma experiência diferente para finalizar a viagem. Escolheu, então, a planície alagada de 210.000 km² que se estende por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

    Em agosto de 2026, Sandy e Robert passaram três noites em um lodge na margem do Rio Miranda, no Passeio Econômico no Pantanal, organizado pelo PlanetaEXO e conduzido por um guia local. Agora quem conta é ela: confira abaixo!

    O que ela esperava e o que o Pantanal entrega de verdade

    Sandy chegou com uma imagem formada a partir de documentários sobre a natureza, mas encontrou uma paisagem impressionantemente produtiva, já que a criação de gado ocupa boa parte do Pantanal Sul.

    “Percebi que boa parte do Pantanal é área rural, fazendas, criação de gado”, disse ela. “E fazia todo sentido. Não era bem o que eu tinha imaginado, mas foi muito interessante do mesmo jeito. Gostei bastante.”

    Sandy também sabia que a natureza é imprevisível, ainda mais tratando-se de animais. Mesmo assim, Robert torceu para ver um tamanduá. O bicho não deu as caras, mas mãe e filho viram capivaras, jacarés, búfalos, bugios e muitas aves.

    No Pantanal, a estação seca, mais ou menos de julho a outubro, concentra os animais em torno da água remanescente e oferece melhores chances de avistamento. É o melhor destino do Brasil para observar vida selvagem, mas a natureza segue o próprio ritmo, e é justamente essa imprevisibilidade que torna o ecoturismo tão autêntico.

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    No Pantanal, o guia é o seu melhor amigo

    Pergunte a Sandy o que fez a viagem tão especial, e a resposta é Bobby, o guia que os acompanhou. “O que tornou a viagem mais especial foi o nosso guia. Ele era simplesmente maravilhoso.”

    O trabalho dele, conforme sua descrição, nunca parava. “Ele passava o tempo todo observando o mato em busca de animais. E, sinceramente, se ele não estivesse com a gente, não teríamos visto nada, porque os bichos ficam escondidos. O exemplo ao qual ela sempre volta é um bando de bugios, que estavam lá no alto e bem longe. “Ele só reparou uns galhos se mexendo e falou: ‘Olha, bugios!’ Foi impressionante”, diz ela, ainda admirada.

    O acaso ainda deu uma mãozinha. Bobby era muito próximo justamente desse amigo de Corumbá, o que deixou a experiência ainda mais rica e pessoal.

    As conversas com ele foram a outra metade da experiência. Sandy fez perguntas o tempo todo, e o que recebeu em troca foi uma faceta do Brasil que ela nunca tinha conhecido na Bahia ou em Pernambuco. “Gostei de conhecer pessoas diferentes das que encontrei em outras partes do Brasil”, contou.

    A conclusão dela é o conselho mais simples e valioso da conversa. Nunca vá ao Pantanal sem um guia. Seria uma total perda de tempo.”

    👉 Leia mais: Como chegar no Pantanal, no Brasil

    Rio acima, onde os bichos chegaram perto

    De toda a programação, um passeio se destacou: a segunda saída de barco, que subiu o rio até um canal mais estreito, onde Sandy viu mais bichos.

    O momento que ela descreve melhor aconteceu num trecho de brejo tomado de plantas, em que o barco simplesmente parou. “Ficamos parados por um instante e então percebemos que estávamos completamente cercados, lembra ela. Dezenas de jacarés em todos os lados.

    No meio deles, andando por cima da vegetação, estava uma jaçanã, a espécie que o pessoal da região chama de ave de Jesus Cristo pela habilidade única de “andar sobre a água” — os pés enormes, de dedos finos e unhas compridas, distribuem o peso do corpo sobre as plantas aquáticas e fazem-na deslizar pela superfície de um jeito fluido e surpreendente.

    “[A jaçanã] estava bem ali, no meio dos jacarés, e ninguém incomodava ninguém”, completou. “Estavam todos juntos, de boa. Achei aquilo muito bonito.”

    👉 Leia mais: Animais do Pantanal: fauna e vida selvagem

    Um dia de pesca surpreendentemente memorável

    A pesca de piranha faz parte do programa padrão do lodge onde Sandy e Robert ficaram, mas ela não estava nem um pouco animada. O horário deles precisou mudar porque outro grupo o ocupou, o que fez a atividade cair no último dia. “Achei que seria feito às pressas e que não seria tão bom”, admitiu.

    Para sua surpresa, essa se tornou uma das melhores coisas de toda a viagem. A diferença, de novo, foi o guia. “Foi superdivertido, na verdade. Se não fosse o Bobby, não teria graça nenhuma.” Sandy tinha ouvido falar de grupos que não pegaram nada e desistiram, mas Bobby fez diferente e criou uma regra: ninguém para até todo mundo fisgar um peixe.

    “Todo mundo pegou peixe. [Bobby] ficava trazendo mais carne e explicando tudo. Não paramos até todos conseguirem”, contou ela, sorrindo.

    Um colar, um facão e meia hora de artesanato

    A última atividade da estadia foi uma trilha curta. De novo, ter um profissional guiando fez toda a diferença. “A gente não perceberia nada se ele não apontasse as coisas, como algumas árvores específicas”, observou Sandy.

    Em certo momento, Bobby parou diante de uma suculenta, mostrou ao grupo como tirar as fibras de uma folha com o facão e começou a trançá-la até que ficasse resistente. Estava fazendo uma pulseira para Robert, errou o comprimento e acabou dando para outra pessoa. Nada grave — faria outra para Robert.

    Ele cortou uma segunda folha e a levou de volta. No dia seguinte, pouco antes da pescaria, Bobby e Robert sentaram e trabalharam juntos. Saiu um colar no lugar da pulseira, feito com um dente de jacaré que ele carregava, uma segunda fibra trançada para colorir e cerca de meia hora de empenho.

    “Ficou de uma beleza absurda, porque esse cara é claramente um artista, além de guia, disse ela. “Eu realmente não esperava. [Bobby] só queria que [Robert] tivesse um souvenir bonito.”

    Ótima hospitalidade e um dia quente

    Sandy e Robert sabiam que a hospedagem escolhida, o Pantanal Jungle Lodge, era rústica na medida certa. “É meio simples, mas esperávamos por isso e gostamos assim”, afirmou ela. Os dois ficaram em um dos quartos de beliche, dividido com outros dois viajantes. “Foi tudo tranquilo. Todo mundo foi muito educado.

    O restante do veredito é curto e consistente: “A comida era muito boa e todos os hóspedes eram supersimpáticos.” O lodge fica na beira do Rio Miranda, o que já faz metade do trabalho. Sandy fotografou aves sem sair da propriedade.

    A hospedagem foi boa, mas o calor pesou. O Pantanal é quente por natureza e, dependendo da época do ano, seco. Uma manhã em especial, durante um passeio a cavalo, mostrou-se exigente. “Devia estar uns 38 °C. Estava muito quente e estávamos no sol.”

    À tarde, o grupo saiu de caiaque contra a corrente. “Eu até gosto muito de caiaque, mas estava quente demais. Naquele momento, pensei: ‘Estou exausta pelo calor’”. Foi difícil, mas ela fez questão de esclarecer que ninguém mais passou por isso. “Foi só comigo. Eu estava sofrendo com o calor.”

    O clima pesa muito no roteiro e na experiência de cada viajante — não apenas no Pantanal, mas em qualquer outro destino de natureza. Conhecer os próprios limites, como Sandy fez, é a atitude mais sábia!

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    O Pantanal é seguro? A resposta sincera de Sandy

    Sandy não responde a essa pergunta com ingenuidade, já que morou no Brasil, acumulou experiências boas e ruins em cidades brasileiras e é criteriosa na hora de circular por grandes cidades.

    Sobre o Pantanal, a resposta veio na hora. “Me senti 100% segura. Você nem precisa se preocupar com onde deixa a carteira ou a bolsa”, afirmou.

    Os animais também nunca a preocuparam. “Nunca senti medo dos bichos. Isso nem passou pela minha cabeça”, disse ela. “A gente fica num barco grande. É seguro.” Reparou também no lado operacional do passeio. “[A equipe] era muito responsável: todo mundo de colete salva-vidas.”

    Próxima parada: a Amazônia (agora com a filha)

    A viagem ao Pantanal já puxou a próxima. A filha de Sandy chega ao Brasil pela primeira vez em breve, e as duas já têm planos para ir a Manaus e se embrenhar na Amazônia, região que Sandy conheceu anos atrás e não visita desde então.

    São destinos que valem conhecer ao menos uma vez na vida. A Amazônia é floresta — densa, vertical e misteriosa. O Pantanal é planície alagada e aberta, onde a água traz os animais para perto.

    Depois de tantos anos de Brasil, Sandy recomenda o lugar que ganhou seu coração: Salvador, na Bahia, uma das cidades onde morou. “É tão única, tão histórica: a cultura, a música. Se for ao Brasil, vá para Salvador.”

    👉 Leia mais: Pantanal ou Amazônia: qual escolher?

    Conhecendo o Pantanal Sul com o PlanetaEXO

    Agora que você leu a história de Sandy, já sabe o que o Pantanal Sul entrega de verdade: uma planície alagada que também é área de trabalho, local em que os bichos aparecem na natureza em vez de ficarem em exposição, e onde um guia que sabe ler a margem do rio é quem faz a viagem valer a pena.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes no Pantanal Sul. Trabalhamos com guias e operadores locais experientes e cuidamos da logística (transfer saindo de Campo Grande, lodge, refeições e programação de atividades) para você se concentrar na natureza, desde a primeira reserva até o último passeio de barco. Fale conosco agora!

  • Vista aérea da Pousada Uakari, com as cabanas de telhado vermelho enfileiradas na passarela sobre o lago, dentro da Reserva Mamirauá

    8 Fatos Sobre a Pousada Uakari, o Hotel Flutuante da Amazônia

    Da busca de um cientista por um macaco raro a uma hospedagem que flutua sobre o próprio rio, veja alguns fatos sobre a Uakari Lodge, situada na Reserva Mamirauá

    Num trecho do Solimões, perto de Tefé, nas profundezas da Amazônia, você encontra um dos lugares mais singulares para dormir na região: uma hospedagem construída inteiramente sobre a água. A Pousada Uakari fica dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, uma área protegida de 1.124.000 hectares de floresta de várzea. Também acompanha o rio, que sobe e desce até 12 metros por ano.

    Com nome inspirado no macaco de face vermelha que vive na floresta, o lodge funciona há três décadas como um dos primeiros exemplos de turismo de base comunitária da Amazônia, tocado em conjunto por um instituto federal de pesquisa e pelas comunidades ribeirinhas que moram na região.

    Passarela de madeira sobre o rio levando a uma cabana de palafita sob o pôr do sol alaranjado na Amazônia
    Photo: Gui Gomes

    Quer saber por que um hotel flutuante dentro de uma reserva protegida vale a viagem? O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes na Amazônia, reuniu estes 8 fatos sobre a Pousada Uakari. Confira abaixo!

    1. A Pousada Uakari nasceu porque um cientista saiu em busca de um macaco raro

    Nos anos 1980, o primatologista José Márcio Ayres viajou até a região com um objetivo bem específico: estudar o macaco uacari-branco, o mesmo animal que batiza a pousada, mas encontrou ali uma área ameaçada pela exploração desenfreada.

    Decidido a proteger o ecossistema da área, propôs em 1985 a criação de um santuário. Dali saíram a Estação Ecológica Mamirauá, em 1986, e o Instituto Mamirauá, em 1998, o instituto federal de pesquisa que administra a pousada até hoje.

    Ayres fez doutorado em Cambridge com uma tese sobre os uacaris e a floresta alagada amazônica, escrita a partir do trabalho de campo que fez perto de Tefé. O Uakari Lodge saiu diretamente dessa pesquisa, por volta de 1998, ampliando um laboratório flutuante que o Instituto já mantinha dentro da reserva. Há quase 30 anos, a pousada recebe visitantes e reinveste a receita do turismo em projetos das comunidades locais.

    Macaco uacari-branco de rosto vermelho e pelagem clara e densa, empoleirado num galho coberto de líquen na floresta amazônica
    Photo: André Zumak

    👉 Leia mais:

    2. Bases flutuantes feitas com uma das madeiras mais leves da Amazônia

    O Uakari Lodge não se ergue sobre palafitas como a maioria das construções à beira do rio; na verdade, flutua.

    As estruturas se apoiam em troncos enormes de assacu (Hura crepitans), árvore nativa da Amazônia que passa dos 30 metros de altura e oferece madeira de densidade baixíssima (cerca de 0,36–0,38 g/cm³) — leve o bastante para manter um prédio inteiro boiando no rio.

    O projeto saiu de dentro da própria reserva, feito a quatro mãos por pesquisadores do Instituto Mamirauá e pela AAGEMAM, a associação dos guias ribeirinhos da região. A pousada harmoniza as técnicas tradicionais de construção flutuante da Amazônia com o conforto de uma hospedagem moderna.

    Bangalôs flutuantes de telhado vermelho da Pousada Uakari vistos do outro lado da água entre os galhos
    Photo: Gui Gomes

    👉 Leia mais: O melhor hotel de selva na Amazônia: onde se hospedar no Brasil

    3. Administrada por um instituto de pesquisa e pela comunidade local

    A Pousada Uakari é administrada pelo Instituto Mamirauá, criado formalmente em 1999 como órgão federal de pesquisa ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

    No dia a dia, a gestão é compartilhada com a AAGEMAM, o que proporciona aos moradores voz direta sobre como a área protegida onde vivem recebe visitantes.

    Essa proteção ambiental é respaldada por um significativo reconhecimento institucional. Com 1.124.000 hectares de floresta alagada no encontro dos rios Solimões e Japurá, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá foi reconhecida como Zona Úmida de Importância Internacional pela Convenção de Ramsar, em 1993. Em 2003, sua área de demonstração foi incorporada ao Complexo de Conservação da Amazônia Central, Patrimônio Mundial da UNESCO.

    4. Pioneirismo e o vaivém das águas

    Quando a lei que criou a reserva foi assinada, em 12 de julho de 1996, Mamirauá tornou-se a primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Brasil, uma categoria de área protegida criada especialmente para ela. Daí vem a sigla que você encontra em mapas e placas da região: RDS Mamirauá.

    Diferente das regiões de água escura, essa é uma planície de água clara, cujas oscilações sazonais são extremas. Entre a seca (setembro a novembro) e a cheia (maio a julho), o nível do rio varia de 10 a 12 metros, com picos localizados que chegam a 16 metros.

    A floresta em volta fica submersa cerca de quatro meses por ano, e é exatamente por isso que a Uakari precisou nascer como pousada flutuante no Amazonas.

    Floresta de várzea alagada à beira do rio na Reserva Mamirauá, com uma ave sobrevoando a água

    👉 Leia mais: Melhores Opções de Cruzeiro na Amazônia no Brasil

    5. Canoas no lugar de estradas

    Como não existe estrada dentro de uma floresta alagada, toda atividade aqui acontece de canoa ou de barco pequeno: passeios pela própria mata inundada, caminhadas noturnas em busca de jacarés, pesca de piranha, avistamento de botos e visitas guiadas a uma das comunidades ribeirinhas da reserva.

    A Pousada Uakari trabalha com estadias de 3, 4 ou 7 noites, além de um programa de 4 noites dedicado à observação de aves. Devido ao caráter remoto e à estrutura enxuta da hospedagem, a recomendação é que as crianças tenham pelo menos 10 anos.

    Compreender a logística de acesso é fundamental para entender onde fica Mamirauá. O percurso começa com um voo até Manaus, seguido por uma conexão aérea regional de aproximadamente 1 hora rumo a Tefé. A partir de Tefé, a Pousada Uakari é acessada por um trajeto fluvial que leva entre 1h30 e 2h de barco.

    Guia remando uma canoa com dois viajantes pela floresta alagada da Amazônia
    Photo: Gui Gomes

    👉 Conheça a aventura: Uakari Lodge – Viagem a Ecolodge na Floresta Amazônica

    6. Sustentabilidade na prática e prêmio internacional

    A pousada gera a própria eletricidade com energia solar, capta água da chuva para o uso dos hóspedes e trata o esgoto antes que chegue ao rio.

    Esse compromisso com a comunidade e com o meio ambiente ganhou reconhecimento mundial em 2015. O Uakari Lodge levou a medalha de prata na categoria “Best for Poverty Reduction” do World Responsible Tourism Awards, distinção dividida com apenas outros dois finalistas internacionais, por meio de uma iniciativa desenhada para canalizar o impacto financeiro diretamente para as populações locais.

    Equipe esperando no deck de madeira da Pousada Uakari ao pôr do sol enquanto um barco chega
    Photo: Gui Gomes

    7. Um dos melhores lugares do planeta para ver o boto-cor-de-rosa

    As águas ao redor da Pousada Uakari concentram algumas das maiores densidades já registradas de botos-cor-de-rosa, com até 61 indivíduos por quilômetro quadrado nas áreas de confluência, além de 64 por quilômetro quadrado de tucuxis (espécie menor e cinza).

    Os botos estão longe de ser o único bicho por ali. A reserva também abriga onças-pintadas, jacarés-açu, preguiças, quatis e, claro, o macaco uacari-branco, que dá nome à pousada e praticamente não existe em nenhum outro lugar do planeta.

    Dois botos-tucuxi cinzas emergindo nas águas calmas do rio, na Amazônia
    Photo: Gui Gomes

    👉 Leia mais: 15 animais da Amazônia – Desvende a vida selvagem no Brasil

    8. O Uakari Lodge ajudou a salvar um dos maiores peixes da Amazônia

    O manejo do pirarucu (Arapaima), conduzido pelo Instituto Mamirauá, é participativo: foi montado junto com as comunidades ribeirinhas e virou um dos casos de recuperação de peixe mais bem documentados do mundo.

    Com fiscalização feita pelos próprios pescadores e contagens de estoque, a população de pirarucu nos lagos manejados saltou de cerca de 2.500 para mais de 190.500 até 2018. O resultado foi decisivo para tirar a espécie da lista de animais brasileiros ameaçados.

    O modelo já foi replicado em outras partes do estado do Amazonas, resultado direto da mesma lógica de conservação pelo turismo que criou o Uakari Lodge.

    Pirarucu (arapaima), um dos maiores peixes de água doce da Amazônia, nadando debaixo d’água

    👉 Leia mais: Projetos de Conservação Ambiental na Amazônia – 8 para Apoiar em 2026

    Conheça a Pousada Uakari com o PlanetaEXO

    Agora que você já sabe como a busca de um cientista por um macaco raro virou uma das pousadas mais comunitárias da Amazônia, falta o principal: ver a Reserva Mamirauá com os próprios olhos.

    Como plataforma de ecoturismo focada em viagens para hotéis de selva na Amazônia brasileira, o PlanetaEXO mantém uma parceria de longa data com a Pousada Uakari. Trabalhamos diretamente com operadores locais e montamos estadias sob medida, sem dor de cabeça e sem complicação. Fale conosco!

  • 10 dicas de viagem para o Monte Roraima antes de subir o tepui

    10 dicas de viagem para o Monte Roraima antes de subir o tepui

    Carregadores, permissões, equipamento, papelada e clima no tepui de 2.810 metros na fronteira com a Venezuela: as decisões que definem uma expedição ao Monte Roraima

    O Monte Roraima chega a 2.810 metros no ponto em que Venezuela, Brasil e Guiana se encontram. O platô de arenito no topo, com 33 a 50 km², se formou há 1,8 bilhão de anos. Quando as camadas superiores erodiram, há 180 milhões de anos, sobrou o tepui Roraima que você vê hoje, com paredões retos de 400 a 1.000 metros e uma mesa de pedra pendurada no céu.

    A geologia dita a logística. 85% da montanha estão na Venezuela (10% na Guiana e 5% no Brasil), e todo trekking sai de Paraitepuy, uma aldeia Pemón do lado venezuelano. O lado brasileiro fica dentro do Parque Nacional do Monte Roraima e da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, onde a subida exige escalada técnica na parede e autorização prévia do ICMBio. Resultado: a viagem começa muito antes da trilha, na fronteira, nas permissões e na escolha dos guias.

    O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em viagens ao Monte Roraima, reuniu 10 dicas de viagem relacionadas a carregadores, permissões, equipamento, clima e papelada, cada uma com o número que a sustenta. Confira abaixo!

    Trekking no Monte Roraima: a borda do platô do cume acima de um mar de nuvens, com a parede vertical do tepui à direita
    Photo: mariusz_prusaczyk

    1. Contrate carregadores das comunidades Pemón

    A primeira dica de viagem no Monte Roraima é contratar carregadores particulares em Paratepuy antes mesmo de pisar na trilha.

    Ao longo do itinerário de 10 dias, a extensão percorrida é de aproximadamente 90 quilômetros, alternando caminhadas diárias de 6 a 15 quilômetros no topo do platô. Além disso, grande parte das agências estabelece o limite de 15 quilos para a bagagem individual.

    Os carregadores do Monte Roraima vêm das comunidades Pemón, que vivem nas terras cortadas pela trilha. Ao contratar quem é da região, você sustenta diretamente a aldeia que administra o acesso à área. Turismo de base comunitária é exatamente isso.

    Carregador pemón com a mochila carregada na trilha da savana rumo ao Monte Roraima, com os tepuis Kukenán e Roraima ao fundo

    2. Reserve a viagem ao Monte Roraima com uma operadora que resolve trâmites de fronteira

    A rota prática passa pelo Brasil. De Boa Vista, são 220 km (cerca de 3 horas) pela BR-174 até Pacaraima, a única travessia rodoviária entre os dois países. De lá, siga para Santa Elena de Uairén, na Venezuela. A caminhada só começa em Paraitepuy, mais 100 km de 4×4 atravessando a Gran Sabana.

    Regularize o visto para o Monte Roraima com antecedência, já que isso pode impactar todo o planejamento do roteiro. A Venezuela exige certificado de febre amarela de quem chega do Brasil ou passa mais de 12 horas em aeroporto brasileiro, enquanto as regras de visto variam conforme a nacionalidade.

    Quem tem passaporte britânico, canadense ou australiano costuma entrar sem visto e ficar até 90 dias. Já os cidadãos dos Estados Unidos solicitam um e-visa e pagam uma taxa de US$ 180, ainda que o Departamento de Estado americano mantenha o alerta nível 3, “reconsidere a viagem”, para o território venezuelano.

    Operadoras especializadas no Monte Roraima resolvem as formalidades de fronteira e qualquer outra burocracia que apareça, cuidando também de todos os traslados. É o que garante conforto, tranquilidade e segurança.

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    Guia da PlanetaEXO apontando para o tepui Kukenán na savana a caminho do Monte Roraima
    Photo: Lucas Gobatti

    3. Leve proteção para a chuva

    Com chuvas anuais acima de 1.500 mm, o clima no topo do Monte Roraima difere do vale. A janela mais seca vai de dezembro a abril, mas há pancadas de chuva o ano todo. Mesmo na alta temporada, é comum ter manhãs de sol, tarde nublada e chuva à noite.

    Pesquisando sobre as caminhadas guiadas, você provavelmente vai esbarrar na tal chuva invertida: ventos ascendentes intensos, que chegam a 75 km/h, capazes de suspender a água antes mesmo de atingir o solo, projetando-a de volta para cima.

    Na hora de decidir o que levar para o Monte Roraima, pense na água. Jaqueta impermeável é ideal para o corpo, enquanto capa de mochila e sacos estanques protegem os seus pertences, incluindo saco de dormir e eletrônicos. Em acampamento selvagem, preservar o equipamento é o que salva a experiência. Complete com meias extras e uma toalha de microfibra.

    Dois trekkers atravessando a rocha molhada do platô do Monte Roraima em meio à névoa densa e à chuva

    4. Treine para La Rampa, não para a distância

    No Monte Roraima, quantos quilômetros de trilha você encara? A rota se divide em etapas bem diferentes:

    • Paraitepuy até o acampamento do rio Kukenán: 15 km em 4 a 5 horas.
    • Rio Kukenán até o Acampamento Base: 8 km e 750 metros de subida.
    • Subida por La Rampa: uma saliência natural vence a parede e é o único caminho não técnico até o platô do topo, com 4,5 km em 4 a 5 horas.
    • Exploração do platô do topo: distâncias diárias de 6 a 15 km.

    Portanto, o foco do treino para o Monte Roraima deve ser a inclinação, e não a quilometragem. A chave é ganhar elevação repetidamente e carregar peso sobre superfícies úmidas.

    Para se preparar, comece o treino dois meses antes com caminhadas inclinadas usando mochila carregada, corrida ou pedalada. Foque no fortalecimento de pernas e tornozelos, visto que pedras escorregadias e travessias de rios exigem mais das articulações do que a altitude do sistema respiratório.

    A dificuldade do Monte Roraima não é técnica: na via padrão não existe corda, cadeirinha nem trecho de escalada com grau. Com preparo, quem caminha razoavelmente bem termina a travessia.

    👉 Leia mais: Qual é a dificuldade da subida do Monte Roraima?

    Trekker com capa de chuva na mochila subindo La Rampa, a rampa natural que leva ao topo do Monte Roraima
    Photo: Lucas Gobatti

    5. Saiba o que há no topo do Monte Roraima antes de pisar no platô

    O sapinho de Roraima (Oreophrynella quelchii) não passa do tamanho de uma unha e só vive entre 2.300 e 2.800 metros, neste cume e no vizinho Wei-Assipu-tepui. Achá-lo exige guia experiente, que saiba exatamente onde procurar.

    A planta-jarro Heliamphora nutans foi a primeira do gênero registrada pela ciência, identificada nas encostas da montanha por Robert e Richard Schomburgk em outubro e novembro de 1839. Fora do Roraima, a espécie só resiste no Kukenán, Yuruaní, Maringma e Wei Assipu, ou seja, é exclusiva desse grupo de tepuis.

    Os cumes dos tepuis abrigam ecossistemas únicos, com cerca de um terço de flora endêmica, segundo o WWF. Apesar do isolamento das terras baixas há 70 a 90 milhões de anos, um estudo de 2012 com pererecas revelou um ancestral comum de 5,3 milhões de anos, provando que algumas espécies superam esses paredões. Para preservar esse ecossistema, ande apenas sobre a rocha e não pise na vegetação.

    👉 Leia mais: 10 fatos sobre o Monte Roraima

    O minúsculo sapinho-de-roraima (Oreophrynella quelchii) na ponta de um dedo, no platô do cume
    Photo: @cafred33

    6. Leve equipamento com classificação para 0°C

    Uma das principais dicas de viagem para o Monte Roraima envolve o clima, um dos principais desafios do trekking.

    A jornada inicia aos 25°C na savana, cai para 5°C nas noites da subida e fica em 10°C durante o dia no topo. Com chuva e vento à noite, a temperatura chega a 0°C. Essa oscilação surpreende quem vem preparado apenas para o clima tropical.

    Para montar o equipamento, priorize um saco de dormir com classificação para 0°C, acompanhado de um isolante térmico. Inclua também botas já amaciadas, bastões de caminhada para a descida e uma lanterna de cabeça com pilhas reservas.

    O acampamento no Monte Roraima é sempre em barraca, nas áreas demarcadas ao longo do platô. Muita gente dorme sob os abrigos naturais de rocha, que mantêm chuva e vento longe, mas não protegem da umidade gelada que sobe do chão de pedra.

    Como não existem pontos de venda no platô durante toda a expedição, traga garrafa própria e purificador de água para consumir das fontes naturais do topo.

    O facho da lanterna de cabeça de um trekker sob o céu estrelado, na borda do platô do Monte Roraima à noite
    Photo: @overlandtheamericas

    7. Divida a bagagem em compartimentos à prova d’água

    Guarde tudo em sacos estanques e deixe protetor solar, lanches e câmera em um bolso externo, sempre à mão. Distribua bem o peso: o que é pesado vai encostado nas costas, para a carga ficar sobre o quadril e não nos ombros.

    Depois, tire peso da mochila. Cada grama sobrando vira castigo em La Rampa, a roupa não usada é o arrependimento mais comum da trilha. Em vez de vários conjuntos, leve camadas que se repetem e combinam entre si. Lembre-se de que não há como secar roupas molhadas no acampamento.

    Documentos e dinheiro viajam à parte, no próprio saco estanque. Você precisa de passaporte com validade mínima de seis meses, do certificado de febre amarela e de dinheiro em espécie.

    Caminhante na trilha da Gran Sabana com os tepuis Kukenán e Roraima ao fundo

    8. Trilha sem sinal e o que volta com você

    Quem faz trekking no Monte Roraima fica sem escolha: não há internet no tepui. Entre Paraitepuy e a descida, você passa vários dias offline, então avise em casa que vai ficar desconectado por um tempo.

    Ficar off muda o jeito de registrar a viagem: em vez de atualizar o feed, você escolhe o que vale guardar. Entre os pontos marcantes do platô estão o Vale dos Cristais, o Lago Gladys, o mirante La Ventana, o marco de fronteira do Ponto Triplo, El Foso e o Maverick Rock (o ponto mais alto do cume, a 2.810 metros). Como frio e umidade acabam com a bateria em poucas horas, guarde os power banks nos sacos estanques e durma com as pilhas reservas dentro do saco de dormir.

    Um diário de papel resiste a condições que danificam um celular e registra o que as fotografias não conseguem capturar. Pense na sua jornada como parte de uma comunidade global de exploradores. Cada imagem, anotação e troca de mensagens com outros caminhantes faz parte da história que você contará quando voltar para casa.

    👉 Leia mais: Como chegar ao Monte Roraima?

    Silhueta de um trekker na borda do penhasco do Monte Roraima ao pôr do sol, acima do mar de nuvens
    Photo: @watchluke

    9. Estude a história e a cultura local

    “Tepui” quer dizer “casa dos deuses” em Pemón. Já o nome “Roraima” vem de roroi (azul-esverdeado) e ma (grande). Na cosmologia Pemón, essa mesa de pedra é o toco da árvore mítica que guardava todos os frutos do mundo até Makunaima derrubá-la, história que batiza a Expedição Makunaima de 10 dias do PlanetaEXO.

    Na Venezuela, você atravessa território Pemón, acompanhado por guias e carregadores também indígenas. Do lado brasileiro vivem os Ingarikó, dentro do Parque Nacional do Monte Roraima e da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e dividem a região com os povos Macuxi, Wapichana, Patamona e Taurepang.

    Por não fazer parte da rota turística tradicional, o lado brasileiro do parque, estabelecido em 28 de junho de 1989 e cobrindo 116.747 hectares, conta, desde 2005, com uma gestão compartilhada entre o ICMBio, a FUNAI e o povo Ingarikó.

    A primeira subida registrada é de 18 de dezembro de 1884, feita por Everard im Thurn e Harry Perkins, com o apoio de guias locais que provavelmente já conheciam o topo muito antes. Mergulhar nessa história muda o que você enxerga no platô e rende ótimas conversas ao longo da trilha.

    👉 Leia mais: O que existe no topo do Monte Roraima?

    A parede do tepui Kukenán acima da savana verde, com um riacho cortando o primeiro plano
    Photo: @alecio_Cezar

    10. Deixe folga no planejamento

    Três coisas mudam nessa rota, independentemente do planejamento: o clima, a fronteira e o ritmo da pessoa mais lenta do grupo.

    A definição de quantos dias no Monte Roraima são necessários varia conforme a sua intenção de exploração no platô. A exigência física diária permanece equivalente nas opções disponíveis; a diferença fundamental reside no tempo de permanência na altitude superior a 2.700 metros.

    • Expedição de 8 dias: proporciona três pernoites no cume, cobrindo atrações como as Jacuzzis, o mirante La Ventana e o Maverick Rock.
    • Expedição de 10 dias: acrescenta mais duas noites no topo, permitindo alcançar o Ponto Triplo, o Lago Gladys e vivenciar uma pernoite em comunidade indígena.
    • Expedição de 12 dias: oferece uma vivência ainda mais extensa e aprofundada ao longo do itinerário.

    O clima na montanha é imprevisível: chuvas fortes, nuvens densas ou abrigos lotados podem mudar seus planos. Por isso, deixar dias livres na agenda ajuda a transformar imprevistos em boas lembranças da expedição.

    👉 Conheça a aventura: Expedição ao Monte Roraima: trekking de 12 dias saindo de Boa Vista

    O platô do cume do Monte Roraima visto do alto, cercado por nuvens e com cachoeiras caindo das paredes

    Dicas de viagem para o Monte Roraima na prática: planeje sua expedição com o PlanetaEXO

    Agora que você já tem as dicas de viagem para o Monte Roraima que realmente fazem diferença na trilha, é hora de escolher as datas e montar o roteiro.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em trilhas e trekking no Brasil. Operamos essa rota saindo de Boa Vista, com guias Pemón e parceiros que cuidam da travessia de fronteira, das permissões e dos acampamentos, para você só curtir a caminhada. Fale conosco!

  • Há perigos na Amazônia? Veja como visitar a floresta com segurança

    Há perigos na Amazônia? Veja como visitar a floresta com segurança

    A floresta amazônica é perigosa? Descubra o que oferece risco de verdade e como profissionais experientes garantem uma viagem segura e proveitosa

    A maior floresta tropical do planeta ocupa 5,5 milhões de km², sendo 60% em território brasileiro. A escala pode assustar, mas a realidade conta outra história. Se você tem dúvidas se é seguro visitar a Amazônia, a resposta é sim, desde que tenha profissionais experientes ao seu lado.

    Guias credenciados, operadores locais e lodges de selva percorrem os mesmos rios e as mesmas trilhas centenas de vezes por ano. É essa repetição que transforma mata fechada em viagem planejada.

    Ao contrário do que o cinema sugere, os perigos da Amazônia são bem menos cinematográficos: calor forte, picadas de mosquitos e desconforto durante as atividades na floresta lideram a lista. Com as informações certas e o apoio de quem conhece o terreno, tudo isso é evitável.

    Viajante ao pé de uma árvore gigante de raízes tabulares na floresta amazônica, no Brasil

    O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes na Amazônia, reuniu neste conteúdo todos os riscos reais da selva e os cuidados ao viajar. Confira abaixo!

    Os perigos da Amazônia que existem de verdade

    A Floresta Amazônica não é perigosa do jeito que as pessoas pensam, com predadores ferozes caçando humanos em meio à selva hostil.

    Os riscos de viajar para a Amazônia são comuns, mensuráveis e aparecem numa ordem que surpreende: calor, doenças transmitidas por insetos, infecções transmitidas pela água, pequenos ferimentos em locais distantes de hospitais e os mesmos pequenos delitos que você enfrentaria em qualquer grande cidade. Os animais selvagens vêm por últimoe com folga.

    A segurança de uma viagem organizada é estrutural. Você anda por rotas fixas, com horários fixos e um guia que responde profissionalmente pelo grupo. Os barcos levam colete salva-vidas, os lodges mantêm kit de primeiros socorros e sempre há alguém que sabe onde você está e a que horas volta.

    É seguro visitar a Amazônia quando a viagem é bem feita, incluindo profissionais que se preocupam com a sua segurança e fazem questão de que você aproveite a experiência.

    Guia local mostrando uma árvore gigante a um grupo de viajantes em uma caminhada guiada na Amazônia
    Photo: Felipe Castellari

    Manaus, a cidade que abre as portas da floresta

    Quase toda viagem à Amazônia brasileira começa em Manaus, cidade de mais de 2 milhões de habitantes e dona do aeroporto (MAO) que atende a região inteira.

    No dia a dia, o risco em Manaus é furto oportunista, não violência, respondendo aos mesmos hábitos que funcionam em São Paulo, Lisboa ou Cidade do México.

    Adote os mesmos cuidados urbanos de praxe: não exponha o celular, use transporte por aplicativo, evite caminhar sozinho à noite e distribua dinheiro e cartões. Também vale deixar o passaporte original no cofre e carregar uma cópia.

    Feche seus passeios antes de chegar, com um operador confiável que você já pesquisou, em vez de comprar com quem te aborda no porto ou no aeroporto.

    Teatro Amazonas ao pôr do sol em Manaus, cidade porta de entrada da Amazônia brasileira
    Photo: Rafael Zart

    👉 Leia mais: Manaus é segura? Um guia para viajantes com destino à Amazônia

    Animais perigosos da Amazônia (e por que você provavelmente não vai ver nenhum)

    A lista de bichos perigosos da Amazônia é real: onça-pintada, sucuri, jacaré-açu, jararaca, surucucu e poraquê. Já a lista de viajantes feridos por eles é muito curta. Onça ataca humano? Praticamente nunca. Sucuri ataca humano? Mais raro ainda.

    A selva é imensa, a fauna é dispersa, discreta e ativa principalmente à noite, sem contar que a mata fechada esconde quase tudo. Na maioria das excursões, o desafio do guia é achar os animais para que os visitantes possam avistá-los. Ver esses animais é o objetivo do passeio, não um problema de segurança.

    O único risco para a vida selvagem, com dados concretos que o comprovam, está ao nível do solo. Entre 2010 e 2020, o Amazonas registrou 16.868 picadas de cobra, a maioria causada por Bothrops (jararacas) e depois por Lachesis (surucucus).

    O acidente com cobra pesa muito na região amazônica, mas a maior parte dos casos atinge moradores rurais e indígenas que trabalham descalços na mata, ou seja, o risco não é do visitante que anda em trilha marcada, de bota fechada e com guia do lado.

    Jacaré na superfície das águas escuras da floresta amazônica, no Brasil
    Photo: Marcelo Bonifácio

    Os animais que de fato moldam a sua viagem são os insetos. Doenças como dengue e zika chegam pela picada do mosquito, enquanto formigas, vespas, abelhas e aranhas respondem por ferroadas, reações doloridas e, de vez em quando, uma emergência alérgica. É aqui que o seu esforço de prevenção rende: saber como se proteger dos mosquitos na Amazônia importa mais do que qualquer precaução contra onça.

    • Use repelente com 30% de DEET ou 20% ou mais de picaridina na pele exposta, reaplicando a cada 4 a 6 horas.
    • Aplique permetrina exclusivamente nas vestimentas; o produto mantém sua eficácia ao longo de múltiplos ciclos de lavagem e jamais deve entrar em contato direto com a pele.
    • Use manga e calça compridas nas trilhas, principalmente no amanhecer e no fim da tarde, quando os insetos ficam mais ativos.
    • Mantenha portas e janelas fechadas à noite. A maioria dos hotéis de selva na Amazônia tem tela nas aberturas, além de oferecerem mosquiteiros sobre as camas.
    • Examine e chacoalhe seus calçados diariamente antes de colocá-los nos pés, já que aranhas e escorpiões procuram abrigo em locais quentes e escuros.
    • Para não atrair insetos, evite usar perfumes e outros produtos com muito cheiro. Também é importante dispensar roupas neon.

    👉 Leia mais: 15 animais da Amazônia para conhecer a fauna do Brasil

    Calor e umidade: o perigo da Amazônia que quase todo mundo subestima

    Segundo as normas climatológicas (1991–2020) do INMET, Manaus registra média anual de temperatura máxima de 32°C e umidade relativa de 81%. O mês mais quente é setembro, quando a média das máximas se aproxima dos 34°C.

    A temperatura em si é suportável, mas o que pode tornar a floresta amazônica perigosa é a umidade. Devido ao ar saturado, a evaporação do suor (principal forma de resfriamento do corpo) fica comprometida. Com isso, qualquer atividade física exige muito mais energia do que o habitual, tornando a regulação da temperatura corporal um desafio constante ao longo do dia.

    Exaustão pelo calor é mais comum em viagens à Amazônia do que qualquer encontro com animais. Fique atento à dor de cabeça, náusea, tontura, fraqueza, irritabilidade, suor excessivo e queda no volume de urina.

    Avise seu guia assim que sentir qualquer sintoma. Tratado cedo, o quadro se resolve com uma pausa curta na sombra. Ignorado, vira insolação — condição grave em ambiente de selva remota.

    Viajante em uma canoa sob a sombra da copa da floresta alagada, na Amazônia brasileira
    Photo: Marcelo Bonifácio
    • Beba cerca de 1 litro por hora enquanto caminha no calor. Não espere a sede chegar.
    • Como só a água não repõe os minerais que você perde ao suar por várias horas, tenha sais de reidratação ao seu alcance.
    • Use blusas de manga comprida de cores claras e secagem rápida em vez de regatas. Cobrir a pele é mais fresco do que expô-la, além de servir como proteção contra insetos e sol.
    • Passe protetor solar SPF 30+ e use chapéu de aba larga (fórmulas biodegradáveis são melhores para o rio).
    • Aceite o horário. As excursões saem com a primeira luz e param no começo da tarde para fugir do pico de calor, não para esticar o roteiro.

    👉 Leia mais: Qual a melhor época para visitar a Floresta Amazônica no Brasil

    Vacina de febre amarela para o Brasil e as outras que a Amazônia pede

    O Brasil não exige nenhuma vacina de estrangeiros. Ainda assim, a vacina de febre amarela para viajar à floresta é fortemente recomendada para quem vai ao Amazonas e ao restante da região amazônica.

    Tome a dose pelo menos 10 dias antes de chegar a uma área de risco — tempo que o corpo precisa para criar imunidade. Pelas diretrizes do Certificado Internacional de Vacinação, revisadas pela OMS em 2014, uma única dose protege pela vida toda.

    Além dessa, quais vacinas tomar para ir para Manaus? A Secretaria Municipal de Saúde orienta que o visitante esteja com a imunização contra sarampo em dia. Vale ressaltar que a dose para sarampo e a de febre amarela não devem ser administradas na mesma data, exigindo um intervalo recomendado de aproximadamente 30 dias entre as aplicações.

    Por conta dessa exigência, o ideal é organizar o seu calendário de vacinação com 6 a 8 semanas de antecedência em relação à data do embarque. Além dessas imunizações, vale consultar um especialista em medicina de viagem para avaliar a necessidade de doses contra tétano, difteria, hepatite A e B, raiva e febre tifoide, a depender das especificidades do seu itinerário.

    Comida e água: o que comer e o que deixar de lado

    Dentro dos hotéis de selva e nos cruzeiros pelo rio Amazonas, coma e beba o que for servido sem preocupação.

    Os operadores que recebem viajantes internacionais filtram ou engarrafam a água e compram de fornecedores licenciados. A maioria dos lodges oferece água potável para reabastecer, então uma garrafa reutilizável vale o espaço na sua mochila.

    Nunca beba água sem tratamento de rio, riacho ou igarapé, por mais limpa que possa parecer. A água da floresta carrega parasitas e bactérias que uma superfície bonita não denuncia. A Secretaria de Saúde de Manaus recomenda consumir água engarrafada também em áreas urbanas e lavar as mãos com sabão várias vezes ao dia.

    Na cidade, coma onde há movimento e alvará à vista. Aproveitar a culinária de rua enriquece o passeio e vale muito a pena: escolha barracas com movimento constante de moradores locais e que sirvam refeições preparadas na hora.

    Peixe grelhado inteiro servido sobre folhas de bananeira com farofa, limão e tomate, na Amazônia brasileira
    Photo: Felipe Castellari

    👉 Leia mais: Comida amazônica: 7 pratos típicos para provar na Amazônia brasileira

    Machucados, doenças da Amazônia e o que acontece quando algo dá errado

    Quase toda ocorrência médica na floresta é coisa pequena: bolha no pé, ferroada de inseto, canela ralada, estômago embrulhado, tornozelo torcido num tronco escondido no chão.

    Lodges e guias levam kit de primeiros socorros e resolvem isso na hora. Mesmo assim, leve os seus próprios remédios de uso pessoal (na embalagem original), além de analgésicos, antialérgicos, antidiarreicos, curativos para bolhas e sais de reidratação. A farmácia mais próxima fica a uma viagem de barco, que pode levar horas.

    Para casos leves, guias e lodges fazem o primeiro atendimento no local. Para situações mais graves, os operadores seguem protocolos rígidos de transferência do paciente para Manaus, que conta com unidades de pronto atendimento em cinco zonas do município, além de centros especializados como a Fundação de Medicina Tropical, referência em acidentes com animais.

    O sistema público de saúde brasileiro oferece atendimento gratuitoinclusive para visitantes estrangeiros — pelo princípio constitucional do acesso universal. Ainda assim, ir ao pronto-socorro é coisa de último caso.

    Para evitar os perigos da Amazônia, o seguro-viagem deve fazer parte do planejamento. Contrate uma apólice que cubra explicitamente a remoção médica de áreas remotas e cite as atividades do seu roteiro: trekking, caiaque, navegação, camping, etc.

    As apólices comuns costumam excluir justamente essas duas coisas (resgate em área remota e atividades de aventura), que é a combinação de qualquer viagem à Amazônia. Confira se a repatriação está incluída e anote o número da apólice em algum lugar que você alcance sem sinal de celular.

    👉 Leia mais: 10 dicas de viagem para aproveitar ao máximo a sua aventura na Amazônia

    É seguro nadar no rio Amazonas?

    No trecho certo, na hora certa e com o aval do guia, sim, é seguro nadar no rio Amazonas. Aliás, nadar faz parte da maioria dos roteiros pela floresta.

    O Rio Negro é o local clássico para banho na região, justamente porque suas águas escuras, ácidas e tingidas de tanino abrigam muito menos mosquitos e parasitas do que as águas brancas e turvas do Solimões. Alguns trechos são excelentes, outros nem tanto, e a diferença não é perceptível da margem.

    Quando um trecho do rio Amazonas é perigoso, o problema geralmente é relacionado à correnteza, profundidade, galhos submersos e buracos na lama — que ficam escondidos sob a água escura.

    Para um banho de rio seguro, os bombeiros recomendam uma regra simples: mantenha a água no máximo na altura dos joelhos em locais com correnteza forte. Caso seja arrastado pela água, evite lutar contra a força da corrente e nade em sentido diagonal para alcançar a margem.

    Animais aquáticos merecem atenção, ainda que o perigo seja bem menor do que a fama sugere. Mesmo que se tornem mais agressivas quando protegem seus ovos, ataques de piranhas a humanos são raros. Já os poraquês oferecem mais risco em relação à incapacitação das vítimas do que à descarga elétrica, enquanto jacarés só aparecem à noite.

    Viajantes nadando com flutuadores ao lado do barco no rio Amazonas, no Brasil
    Photo: Felipe Castellari

    Algumas regras mantêm o banho de rio longe de perigos na Amazônia:

    • Siga sempre a orientação do guia sobre onde e quando entrar na água; nunca nade sozinho.
    • Fique fora da água à noite, no amanhecer e no fim da tarde, quando os jacarés se aproximam das margens.
    • Não entre na água com ferimentos abertos ou após consumir álcool.
    • Sempre use colete salva-vidas em passeios de barco. Em embarcações licenciadas, exigem-se modelos certificados pela Marinha do Brasil, pois a maioria dos acidentes náuticos envolve pessoas sem o equipamento.
    • Vigie as crianças na água o tempo todo, mesmo em trechos aparentemente calmos.

    👉 Leia mais: Como chegar à Floresta Amazônica no Brasil?

    Visita a comunidades locais: respeito é regra de segurança

    Comunidades ribeirinhas e indígenas fazem parte de muitos roteiros pela Amazônia. Muitas recebem visitantes em suas casas para trocas culturais genuínas e proveitosas: comida, artesanato e o conhecimento prático de um lugar onde vivem há gerações.

    O turismo de base comunitária é de grande importância para a região amazônica, proporcionando apoio financeiro e social às famílias locais, além de fomentar inúmeros esforços de conservação ambiental.

    Povos isolados são outra história, e o turismo passa deliberadamente longe deles. A FUNAI tem 115 registros documentados de grupos indígenas isolados, sendo 29 confirmados oficialmente — todos localizados na Amazônia, representando a maior população isolada do mundo.

    O Brasil aplica uma política rígida de não contato, o que significa que guias e operadores mantêm os roteiros bem longe dessas áreas protegidas. A fronteira não é só legal, é letal: grupos isolados não têm imunidade para doenças que um visitante carrega sem nem perceber.

    Crianças brincando de cabo de guerra em uma comunidade ribeirinha da Amazônia, no Brasil
    Photo: Isadora Sá

    Nas comunidades abertas à visita, a etiqueta local funciona como principal regra de segurança:

    • Peça sempre permissão antes de fotografar, principalmente crianças.
    • Evite distribuir doces, dinheiro ou presentes por conta própria. Seu guia poderá aconselhá-lo sobre os itens apropriados para evitar problemas imprevistos após a sua partida.
    • Respeite os limites dos anfitriões, observando as famílias locais sobre onde andar ou sentar.
    • Em caso de dúvida, pergunte primeiro ao seu guia. Isso evite a maioria dos constrangimentos e ofensas.

    👉 Leia mais: Turismo que mantém a Amazônia viva

    Conheça os seus limites e seja honesto

    As expedições na Amazônia exigem diferentes níveis de resistência. Remar por florestas alagadas é muito diferente de longas caminhadas na selva ou de passar a noite em uma rede em áreas remotas. O calor e a umidade constantes aumentam ainda mais o esforço, tornando até mesmo atividades leves exaustivas a 32°C.

    Se algo te deixa desconfortável, diga antes de começar. Como parte de sua rotina, os guias planejam alternativas com antecedência. Assim, quando o grupo já sabe que um dos integrantes não fará a caminhada longa, é possível manter todos reunidos e cumprir o cronograma sem atrasos.

    Respeitar os limites do próprio corpo e da própria cabeça é uma das formas mais eficazes de manter os perigos da Amazônia bem longe. A pessoa que mais oferece risco em qualquer viagem é a que não quer parecer fraca: forçar além do limite é o que transforma um dia sob controle em evacuação.

    Viajante caminhando com garrafa de água em uma trilha na floresta amazônica, no Brasil
    Photo: Marcelo Bonifácio

    Siga sempre o seu guia

    Viagens seguras à Amazônia se resumem a uma coisa: siga as instruções do seu guia e diga a ele o que você está sentindo. Guias experientes interpretam os sinais da floresta com uma precisão que nenhum turista consegue.

    Eles sabem quais plantas queimam a pele, qual trecho de rio é seguro, o que significa uma mudança no som da copa e como prestar primeiros socorros a horas de distância de um hospital. Esse conhecimento só te protege se você o usar.

    Guia conduzindo viajantes por uma trilha na floresta amazônica, no Brasil
    Photo: Gui Gomes
    • Fique com o grupo e na trilha. Nunca entre na mata sozinho, nem mesmo a poucos metros do lodge.
    • Pergunte antes de tocar em qualquer animal, planta ou fruto. Muitos são inofensivos, mas vários não são — e saber qual é qual é uma tarefa complicada.
    • Declare medicamentos, alergias, condições de saúde e fobias na hora de fechar a viagem.
    • Cumpra os horários. Sair no amanhecer e voltar no fim da tarde são decisões de segurança sobre calor, fauna e luz, não preferência de agenda.
    • Faça perguntas. Os guias esperam por elas, e um grupo que entende o motivo de uma regra cumpre a regra muito melhor.

    Viagens seguras à Amazônia com o PlanetaEXO

    Agora que você sabe que é seguro visitar a Amazônia quando viaja com especialistas e respeita o que a natureza diz, é hora de fechar a sua viagem!

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em imersão na selva amazônica e trabalha lado a lado com os melhores operadores, lodges e guias da região — os mesmos profissionais que fazem desta floresta um lugar seguro para viajar. Nosso time cuida de todo o planejamento e da logística para que tudo o que você tenha que fazer seja aproveitar. Fale conosco!

  • O que fazer na Chapada Diamantina, Bahia

    O que fazer na Chapada Diamantina, Bahia

    Veja detalhes sobre distâncias, dificuldade, ingressos e cidade-base de 10 pontos turísticos da Chapada Diamantina para planejar a sua viagem

    O Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, ocupa 152.000 hectares de terras altas no centro do estado, espalhados pelos municípios de Lençóis, Palmeiras, Mucugê, Andaraí e Ibicoara. Criado por decreto federal em 17 de setembro de 1985, é um dos poucos lugares do Brasil onde três biomas se encontram dentro de um mesmo parque: Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.

    Em uma semana, é possível olhar por cima de uma queda de 340 metros, nadar em uma caverna alagada de onde saiu o esqueleto de uma preguiça pré-histórica e dormir em um vale sem sinal de celular. Nas rotas mais procuradas, o acesso é controlado. O ICMBio contabiliza mais de 25.000 visitantes por ano só na trilha da Cachoeira da Fumaça. Quer saber o que fazer na Chapada Diamantina sem gastar um dia inteiro no percurso errado?

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes na Chapada Diamantina. Selecionamos 10 atrações da Chapada Diamantina e o que fazer em cada uma, com distância, dificuldade, informações sobre ingressos e cidade-base. Confira abaixo!

    Vale do Pati

    No meio do parque nacional, o Vale do Pati só se atravessa a pé: não há estrada até lá, nem sinal de celular ou hotel. A travessia completa soma mais de 70 quilômetros em cinco dias, chega perto dos 1.400 metros de altitude e tem etapas diárias de 15 a 25 quilômetros.

    Você dorme na casa das famílias que ainda vivem no vale, que alugam quartos e preparam refeições. É possível entrar e sair por três pontos diferentes (Vale do Capão, Andaraí e Guiné, no município de Mucugê), o que faz com que os roteiros variem de 3 a 8 dias. Nenhuma outra travessia do parque se molda tanto ao seu ritmo como o Pati.

    Bom saber:

    • Cidades-base: Vale do Capão, Guiné ou Andaraí.
    • Distância: mais de 70 km em 5 dias, com versões de 3 e de 8 dias.
    • Dificuldade: alta (15 a 25 km por dia carregando a própria mochila).
    • Guia: indispensável; a rota não é sinalizada e cruza propriedades privadas.

    👉 Leia mais: 10 curiosidades sobre o Vale do Pati

    Cachoeira do Buracão

    Próxima a Ibicoara, no sul da Chapada Diamantina, a Cachoeira do Buracão tem 85 metros de queda em um grande cânion. O acesso é feito por uma trilha leve a moderada de 3 km, sendo uma das opções mais acessíveis da região.

    Cachoeira do Buracão caindo no poço escuro entre as paredes de rocha em camadas do cânion, perto de Ibicoara, vista de dentro da água

    A cachoeira fica dentro do Parque Natural Municipal do Espalhado, cujo acesso exige guia cadastrado ou condutor de visitantes do município. Também é preciso pagar a taxa de entrada e usar colete salva-vidas — obrigatório para entrar no poço. Embora a queda d’água seja mais volumosa após a época de chuvas, a forte correnteza pode inviabilizar o banho.

    Bom saber:

    • Cidade-base: Ibicoara.
    • Distância: cerca de 3 km em cada sentido, em trilha de leve a moderada.
    • Taxa e guia: os dois são obrigatórios; contrate o guia na cidade ou na associação de guias.
    • Combine com: Cachoeira das Orquídeas e Cachoeira do Recanto Verde no mesmo dia.

    👉 Conheça a aventura: Trilha na Chapada Diamantina de 6 Dias: Vale do Pati e Cachoeiras

    Morro do Pai Inácio

    Se você tem meio dia livre e ainda está decidindo o que visitar na Chapada Diamantina, comece por aqui. O cume do Morro do Pai Inácio fica a 1.120 metros, cerca de 250 metros acima da planície. O percurso a partir da portaria é curto e íngreme, levando cerca de 25 minutos até o topo.

    Pôr do sol no Morro do Pai Inácio sobre os morros de topo plano e o vale cortado pela BR-242, na Chapada Diamantina

    Do alto, contempla-se toda a extensão do vale atravessado pela BR-242, destacando-se os morros do Camelo e dos Três Irmãos. Vá perto do pôr do sol e emende com uma cachoeira próxima, como o Poço do Diabo.

    Bom saber:

    • Cidade-base: Lençóis ou Palmeiras, as duas a menos de uma hora de carro.
    • Distância: cerca de 500 metros de subida a partir do estacionamento.
    • Dificuldade: fácil (a única parada desta lista para quem não é trilheiro).
    • Taxa e horário: pequena taxa de entrada (R$ 12 recentemente; confirme no local); das 9h às 17h.

    Cachoeira da Fumacinha

    Se você gosta de aventura e esforço físico, mas ainda não sabe o que fazer na Chapada Diamantina, a Fumacinha representa o dia mais difícil desta lista. Conforme levantamento do Projeto Cachoeiras Gigantes, a queda d’água tem 210 metros de altura — marca muito superior aos 100 metros habitualmente mencionados. Além disso, os paredões que cercam a cachoeira alcançam quase 300 metros.

    Um trilheiro em pé sobre uma pedra dentro do cânion fechado da Cachoeira da Fumacinha, minúsculo diante de paredes de quase 300 metros

    Subindo o leito do rio, são 18 quilômetros de ida e volta. A trilha sai da comunidade do Baixão, a 30 quilômetros (estrada de terra) de Ibicoara. Os primeiros 3 quilômetros são tranquilos; depois disso, é pular de pedra em pedra e usar as mãos.

    Aqui, o guia cadastrado da Chapada Diamantina é obrigatório, já que o rio fica perigoso no período de chuvas.

    Bom saber:

    • Cidade-base: Ibicoara, mais 30 km de estrada de terra até o início da trilha.
    • Distância: 18 km ida e volta (3 a 4 horas em cada sentido).
    • Dificuldade: alta (blocos de pedra no leito do rio; depois do km 3, sobe usando as mãos).
    • Fique de olho na previsão: correnteza forte na temporada de chuvas e vazão bem menor nos meses secos.

    👉 Leia mais: Cachoeiras da Chapada Diamantina: melhores trilhas e joias escondidas

    Cachoeira da Fumaça (por cima)

    Com 340 metros, a Cachoeira da Fumaça é a segunda cachoeira mais alta do Brasil, atrás apenas da Cachoeira da Neblina, no Rio de Janeiro. Muito antes de atingir o chão, a água é capturada pelo vento, que a transforma em névoa. Daí o nome: de longe, o que desce o paredão parece fumaça.

    A Cachoeira da Fumaça, de 340 metros, vista por cima, com a água virando neblina e um arco-íris sobre o vale

    Saindo do Vale do Capão, são 12 quilômetros de ida e volta, incluindo 2 quilômetros de degraus íngremes e mais 4 de rocha irregular até o mirante. É a trilha controlada mais movimentada do Parque Nacional da Chapada Diamantina.

    No alto não há poço para banho, então a maioria dos grupos roda mais 3 quilômetros até a Cachoeira do Riachinho para se refrescar depois.

    Bom saber:

    • Cidade-base: Vale do Capão, no município de Palmeiras.
    • Distância: 12 km ida e volta (cerca de 5 horas).
    • Dificuldade: moderada (os 2 primeiros km concentram toda a subida).
    • Época: no fim da estação seca, a queda pode sumir por completo.

    👉 Leia mais: Qual a melhor época para visitar a Chapada Diamantina?

    Cachoeira da Fumaça (por baixo)

    Mesma cachoeira, ângulo oposto, viagem completamente diferente. Chegar à base pede uma travessia de 3 dias entre o Vale do Capão e Lençóis, em qualquer um dos dois sentidos, com acampamento selvagem e a sua própria comida, água e equipamento nas costas.

    Um trilheiro sentado no acampamento observando a Cachoeira da Fumaça por baixo, na travessia entre o Vale do Capão e Lençóis

    No fim do trekking, você cai no poço natural bem no pé do paredão. Até chegar lá, a trilha atravessa mata preservada, ruínas do garimpo de diamantes e mais duas cachoeiras (Capivara e Palmital).

    Não há banheiro em nenhum ponto da trilha. Todo o lixo e os resíduos voltam com você.

    Bom saber:

    • Cidades-base: Vale do Capão e Lençóis, uma em cada ponta.
    • Duração: 3 dias, acampamento selvagem, sem reabastecimento.
    • Dificuldade: alta (mochila cheia, trechos de rocha, travessias de rio).
    • Leve: barraca, tratamento de água, toda a comida e sacos para o lixo.

    👉 Conheça a aventura: Roteiro Chapada Diamantina em 7 dias: Cachoeiras, Grutas e Trilhas

    Poço Encantado e Poço Azul

    Na hora de decidir o que conhecer na Chapada Diamantina, essas duas cavernas alagadas são a parada mais fácil e também a mais fora do comum.

    Em Itaetê, o Poço Encantado mede 110 × 70 metros e tem mais de 60 metros de profundidade. Como a água transparente vem de um lençol freático não renovável, banhos são proibidos. De 1º de abril a 10 de setembro (com auge em junho e julho), a luz do sol entra por uma fenda na rocha e bate no lago entre 10h e 13h30.

    O raio de sol entrando na água azul do Poço Encantado, dentro do salão da caverna em Itaetê

    Em Nova Redenção, o Poço Azul conta com água corrente, o que permite a flutuação com colete salva-vidas. Também é um sítio fossilífero: mergulhadores retiraram dali um esqueleto quase completo de Eremotherium laurillardi, uma preguiça terrestre de até 6 metros e cerca de 5 toneladas, extinta há aproximadamente 11.000 anos. O primeiro crânio veio à tona em 1995.

    Uma visitante boiando de costas na água azul do Poço Azul, com as paredes da caverna refletidas no poço, em Nova Redenção

    Bom saber:

    • Cidades-base: Itaetê (Poço Encantado) e Nova Redenção (Poço Azul), a uma hora uma da outra.
    • Distância: o Poço Encantado fica a 140 km de Lençóis, com acesso por estrada de terra.
    • Taxas: os dois ficam em propriedade privada e cobram no local.
    • Melhor luz: de abril a setembro, entre 10h e 13h30.

    👉 Leia mais: 10 curiosidades sobre a Chapada Diamantina e seu Parque Nacional

    Cachoeira do Mixila

    A queda de 80 metros do Mixila está no fundo do cânion do rio Capivari, cujo ponto mais estreito tem somente 4 metros de largura. Para chegar, siga o leito do rio saindo de perto de Lençóis e pule de pedra em pedra. No meio do caminho, cruze dois poços a nado e deixe a mochila para trás, nas rochas.

    Uma banhista numa boia com os braços erguidos ao pé da Cachoeira do Mixila, de 80 metros, no cânion do rio Capivari
    Foto: @nairaferreiraa

    Em um só dia, o trekking é custoso e exige muito preparo físico, já que inclui 25 quilômetros de ida e volta, seguidos de 9 quilômetros de carro — preferencialmente de 4×4. Dormir uma noite no caminho melhora muito o roteiro e ainda permite incluir as cachoeiras Capivari e Poção.

    Bom saber:

    • Cidade-base: Lençóis.
    • Distância: cerca de 25 km ida e volta.
    • Dificuldade: alta (4 a 5 horas no primeiro dia, 6 a 7 horas no segundo).
    • Você vai nadar: dois poços no caminho; leve sacos à prova d’água.

    Cachoeira do Sossego

    A Cachoeira do Sossego desce cerca de 20 metros por uma parede em degraus dentro de um cânion. Embaixo, o poço é largo o bastante para atravessar a nado e tem lajes em volta para secar ao sol. A ida e volta a partir de Lençóis, na Bahia, tem 12 quilômetros e 463 metros de desnível, normalmente feitos em um único dia.

    Um viajante de chapéu de palha sentado na pedra acima do poço da Cachoeira do Sossego, a 12 quilômetros de Lençóis

    O trecho final vai pelo leito do rio, por cima de blocos enormes, e passa embaixo de uma laje saliente, que só se encara com o rio baixo. Evite essa rota depois de chuva prolongada, já que o nível sobe rápido e as pedras ficam bastante escorregadias.

    Bom saber:

    • Cidade-base: Lençóis.
    • Distância: 12 km ida e volta (463 m de desnível).
    • Dificuldade: alta para a distância (os trechos de blocos de pedra é que atrasam).
    • Não vá: após vários dias seguidos de chuva.

    👉 Leia mais: As 5 Melhores Trilhas da Chapada Diamantina: Trilhas, Cachoeiras e Distâncias

    Gruta da Lapa Doce e Pratinha

    Em Iraquara, a Gruta da Lapa Doce faz parte de um sistema de cavernas de 42 quilômetros. Desses, 850 metros estão abertos à visitação, com cerca de 1,5 hora debaixo da terra entre estalactites, estalagmites e cortinas de calcário. Com mais de dez entradas, é a caverna mais visitada do município.

    Visitantes com lanternas ao lado de uma coluna gigante de estalagmites no salão da Gruta da Lapa Doce, em Iraquara

    A visita começa com uma descida íngreme de escadas e fica tranquila daí em diante, sendo um dos melhores lugares para conhecer na Chapada Diamantina sem nenhum preparo físico. Quase todo mundo emenda com a Pratinha, a minutos dali, onde um rio transparente sai direto da boca de uma caverna, onde é possível boiar, mergulhar de snorkel ou descer de tirolesa. As duas cobram entrada no local.

    Uma mergulhadora de snorkel na água turquesa e transparente da Pratinha, sob o paredão de calcário em camadas e entre as folhas das plantas aquáticas

    Bom saber:

    • Cidade-base: Iraquara, a cerca de 1,5 hora de carro de Lençóis.
    • Distância: 850 metros debaixo da terra (cerca de 1,5 hora).
    • Dificuldade: fácil (depois das escadas da entrada).
    • Guia: obrigatório dentro da Lapa Doce; as taxas são pagas no local, nas duas paradas.

    Pronto para descobrir o que fazer na Chapada Diamantina? Planeje sua viagem com o PlanetaEXO

    Agora você já sabe o que fazer na Chapada Diamantina, então tudo o que resta fazer é escolher suas atrações preferidas e começar a planejar as férias!

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em caminhadas e trekking no Brasil, com guias e operadores locais que conhecem o Parque Nacional como a palma da mão. Nossa equipe cuida de toda a viagem (da logística ao roteiro sob medida) para você só aproveitar. Fale conosco agora!

  • Hotel flutuante ecológico na Amazônia visto do barco ao amanhecer no Rio Negro

    Explorando a Amazônia: a aventura de Erica em um hotel flutuante no Brasil

    Explorando a Amazônia: a aventura de Erica em um hotel flutuante no Brasil

    Uma viajante, duas amigas e uma imersão surpreendente na maior floresta tropical do mundo

    Algumas viagens começam por um lugar, mas esta começou por um evento. Erica L., 41 anos, trabalha como analista de pesquisa nos Estados Unidos. Quando uma amiga marcou o casamento no Rio de Janeiro, Erica viu ali a oportunidade perfeita para esticar a viagem. Afinal, se ia atravessar o mundo até o Brasil, precisava explorar mais.

    Junto com duas amigas, ela partiu para uma viagem inesquecível para a Amazônia, hospedada em um hotel autossuficiente de 6 suítes que flutua no rio, sobe e desce conforme o nível da água e funciona com energia limpa o ano inteiro.

    Vista aérea de um rio escuro serpenteando pela floresta amazônica no Brasil

    Erica e as amigas entraram na floresta em um tour de 3 dias na selva amazônica saindo de Manaus, organizado e conduzido pela equipe do PlanetaEXO e por guias locais. Aqui, contamos a história dela para mostrar como é, de verdade, viver a natureza: encontros marcantes com a fauna, conexões com quem vive ali e muito mais conforto do que ela esperava. Confira abaixo!

    Uma extensão de viagem que superou as expectativas

    Quando Erica reservou o tour, a expectativa já estava alta. Ela tinha lido o roteiro do PlanetaEXO e visto as fotos, mas a realidade superou tudo. A equipe do hotel fez muito mais do que o esperado. Foram maravilhosos e gentis com a gente”, lembra ela.

    O que mais a surpreendeu foi o nível de conforto. Ela esperava uma expedição dura e problemas com mosquitos (chegou a dar um “sermão” nas amigas sobre repelente), mas a experiência foi exatamente o oposto.

    O hotel flutuante tem um deck de observação de estrelas no terraço e uma piscina agradável. “Foi tudo muito tranquilo e confortável. Os passeios de barco eram suaves, de no máximo 3 horas, e a equipe estava sempre atenta ao que o grupo precisava.”

    Viajantes em um passeio de barco pelo Rio Negro durante um tour de 3 dias na Amazônia saindo de Manaus

    👉 Leia mais: O melhor hotel de selva na Amazônia: onde se hospedar no Brasil

    Hospitalidade amazônica e atenção aos detalhes

    Viajar com restrições alimentares pode ser um desafio, ainda mais em áreas remotas. Erica é vegetariana e as duas amigas são veganas. “Sinceramente, eu estava um pouco preocupada de elas passarem fome, porque não é uma dieta muito comum.”

    A equipe do hotel, porém, brilhou. Em todas as refeições, pratos principais e sobremesas veganas eram preparados especialmente para elas, com legumes e ingredientes locais, reforçando o compromisso do hotel com a sustentabilidade e as práticas ecológicas.

    Suíte do hotel flutuante na Amazônia com vista para o rio, rede na varanda e binóculo sobre a cama

    👉 Leia mais: Pratos típicos da Amazônia: 7 comidas para provar na sua viagem à floresta

    O guia que lê a floresta

    Em uma floresta sem placas e com rios que mudam conforme a estação, o guia é fundamental. Os guias de Erica, Tyson e Josephine, deixaram sua marca.

    Tyson conhecia tanto a região que, durante um dos passeios, avisou ao piloto do barco que aquela seria a última vez que poderiam fazer um determinado trajeto, porque o nível do rio tinha baixado e poderia ser perigoso. “Foi muito louco pensar no quanto você precisa conhecer um terreno para entender isso. Meu cérebro não tem esse tipo de conhecimento”, brincou Erica, admirada com tal nível de domínio.

    A hospitalidade estava à mesma altura. Sabendo que uma família francesa chegaria no dia seguinte, Tyson ficou acordado até as 3 da manhã tentando aprender francês básico para recebê-los da melhor forma possível.

    Outra surpresa foi descobrir a origem da equipe. “Eu não sabia que os colaboradores seriam de comunidades indígenas locais”, admitiu. “Isso, por si só, é uma das partes mais legais da viagem. [A equipe] era muito acolhedora e gentil. Foi o acolhimento mais caloroso que eu já recebi em qualquer tipo de turismo.”

    Grupo em uma trilha na mata fechada com um guia local durante um tour na selva amazônica

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    Encontros com a fauna que ficam na memória

    Embora o grupo tenha pescado piranhas e visto preguiças, jacarés, várias aves e duas espécies de macacos, foi a interação com os botos-cor-de-rosa que roubou a cena.

    “Tyson falou pra gente: ‘Acho que vocês não vão ver só botos; acho que vocês vão ver bandos de botos’. E vimos mesmo! Foi incrível. Eles estavam pescando, pulando para fora da água e chegaram bem perto do barco”, lembrou Erica, animada, contando que os avistamentos foram frequentes o bastante para capturar ótimos vídeos.

    Boto-cor-de-rosa nadando logo abaixo da superfície do Rio Negro, na Amazônia

    👉 Leia mais: 15 animais da Amazônia: desvende a vida selvagem no Brasil

    É seguro viajar para a Amazônia? A resposta sincera de Erica

    Segurança é uma preocupação comum de quem visita o Brasil pela primeira vez. Erica, no entanto, sentiu-se 100% segura. Antes da viagem, leu o post do blog do PlanetaEXO sobre segurança em Manaus e tomou precauções sensatas.

    “Eu sabia que devia respeitar o que estava ao meu redor. Sempre usamos o Uber Black e eu fui muito cautelosa com o horário em que saíamos. Não queria ser mais aventureira do que seria em um lugar que eu conhecesse melhor, então não tive problemas [em nenhum lugar do Brasil]”, contou ela.

    O idioma também não foi um empecilho. O espanhol básico de Erica deu conta, já que é parecido com o português. No hotel, ela conversou em espanhol com o chef e o bartender do lodge. “Todo mundo foi muito paciente e gentil.”

    As dicas de Erica para quem vai pela primeira vez

    Depois da experiência, Erica deixou três dicas práticas para quem está planejando conhecer a Amazônia:

    Leve notas pequenas para as gorjetas

    Erica queria ter levado mais dinheiro para dar gorjeta individualmente às várias pessoas da equipe (guias, pilotos de barco e funcionários do hotel) que prestaram uma assistência excepcional. “Eu não tinha ideia de como o serviço seria atencioso e completo.” Eram pelo menos cinco pessoas a quem ela queria retribuir individualmente.

    Vale saber: a cultura de gorjeta no Brasil é diferente da dos Estados Unidos, já que o serviço costuma vir embutido na conta e a equipe não espera por isso. A gratificação é bem-vinda, nunca obrigatória. Se quiser contribuir, leve notas menores.

    Prepare-se para doações locais

    Durante a viagem, o grupo visitou uma escola local impressionante, onde as crianças aprendem vários idiomas. Se ela soubesse de antemão que algumas comunidades aceitam doações, teria adorado levar material escolar.

    “Eu jamais me atreveria a fazer algo assim, porque pode ser estranho oferecer presentes que as pessoas não autorizaram”. Erica recomenda perguntar com antecedência se existe alguma forma de apoiar as comunidades locais visitadas ao longo do itinerário.

    Leve roupas casuais, de resort

    Erica se preparou para uma expedição “extrema” na selva, mas o hotel tinha um clima muito agradável. “Os viajantes podem querer levar roupas mais casuais ou de estilo resort para usar durante o tempo que passarem no alojamento”, aconselha.

    Hotel flutuante ecológico de telhados vermelhos refletido no Rio Negro, na Amazônia brasileira

    👉 Leia mais: Melhor época para visitar a Amazônia no Brasil

    Próximos planos: o Pantanal

    Uma viagem só não foi suficiente. O Brasil conquistou Erica, e ela já pensa em voltar. O próximo destino? O Pantanal.

    Como grande fã da vida selvagem (e que perdeu a oportunidade de ver capivaras no Rio de Janeiro!), ela já sonha em visitar a região para avistar as icônicas onças-pintadas.

    Onça-pintada lambendo o filhote, no Brasil

    👉 Leia mais: Onde ver onças-pintadas no Pantanal

    Conheça a Amazônia com o PlanetaEXO

    Agora que você viu a Amazônia pelos olhos de Erica, sabe o que essa viagem realmente exige de você (muito pouco) e o que ela devolve: encontros espontâneos com a vida selvagem, guias atentos que interpretam o rio como um mapa, hospitalidade de alto nível e paisagens naturais grandiosas.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes na Amazônia. Trabalhando ao lado dos melhores operadores, cuidamos de toda a logística (transfers, hospedagens, refeições e roteiro) para você só aproveitar. Fale conosco!

  • Parque Estadual do Jalapão, Tocantins – Guia de Viagem

    Parque Estadual do Jalapão, Tocantins – Guia de Viagem

    Como chegar ao Jalapão, no Brasil, quando ir, o que são de fato os fervedouros, de quantos dias você precisa e quanto custa a viagem

    O Parque Estadual do Jalapão ocupa o extremo leste do Tocantins, no meio do Cerrado, a maior savana da América do Sul, que cobre 2.036.448 km² (22% do Brasil) e abriga mais de 12.000 espécies de plantas. Dentro de seus limites há dunas, chapadas de arenito, cachoeiras e poços alimentados por nascentes.

    O que separa o Jalapão dos outros parques brasileiros é a água. Nos fervedouros, nascentes subterrâneas empurram a água por baixo da areia e você boia em vez de afundar. Ali perto, o Rio Novo guarda uma das três únicas populações conhecidas do pato-mergulhão, uma ave com menos de 250 indivíduos restantes no mundo.

    Quer saber quando ir, de quantos dias você precisa e quanto custa a viagem na prática? O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes ao Jalapão, preparou este guia de viagem para ajudar você a planejar cada etapa do roteiro. Confira abaixo!

    O que você vai encontrar neste guia:

    1. Sobre o Parque Estadual do Jalapão
    2. Onde fica o Jalapão?
    3. Como chegar ao Jalapão?
    4. Qual a melhor época para ir ao Jalapão?
    5. O que ver no Parque Estadual do Jalapão?
    6. Quantos dias no Jalapão são suficientes para a sua viagem?
    7. Preciso de guia para visitar o Parque Estadual do Jalapão?
    8. Quanto custa ir para o Jalapão?
    9. O que levar para o Jalapão
    10. Vale a pena ir ao Jalapão?
    Vista aérea de um fervedouro de água turquesa cercado por buritis no Parque Estadual do Jalapão, Tocantins
    Foto: Lucas Guerra

    Sobre o Parque Estadual do Jalapão

    O Parque Estadual do Jalapão foi criado em 12 de janeiro de 2001 e é administrado pela Naturatins, o órgão ambiental do Tocantins. São 158.970 hectares (1.590 km²) que reúnem cachoeiras, campos de dunas, cânions e afloramentos de arenito, além, é claro, dos fervedouros.

    A região inteira do Jalapão (34.000 km²) chega perto do tamanho da Suíça, o que significa que o parque estadual é apenas uma porção desta área. Ao lado, a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins protege outros 716.306 hectares sob a gestão do ICMBio.

    Somadas às reservas vizinhas na Bahia, no Piauí e no Maranhão, essas áreas formam o maior bloco contínuo de Cerrado protegido do Brasil.

    O arenito debaixo dos seus pés é mais antigo que tudo isso. As rochas pertencem ao Grupo Urucuia, depositado no Cretáceo. Para os geólogos, são campos de dunas antigos, ali havia deserto, não mar. É esse mesmo arenito poroso que armazena e libera lentamente a água subterrânea que alimenta nascentes, rios e cachoeiras.

    A região também é um polo de artesanato sustentável, construído em torno do capim-dourado e da fibra de buriti. A colheita tem regra: pela Portaria Naturatins 362/2007, só pode ser colhida entre 20 de setembro e 30 de novembro, apenas por extrativistas cadastrados, sendo as flores espalhadas no solo para que a planta se auto-semeie. A Lei 3.594/2019 cuida do restante da cadeia produtiva.

    Onde fica o Jalapão?

    O Jalapão fica em qual estado? A resposta é Tocantins. O Parque Estadual do Jalapão ocupa o leste, a cerca de 300 quilômetros de Palmas.

    A região se espalha por vários municípios, entre eles Ponte Alta do Tocantins, Mateiros e São Félix do Tocantins. A Serra do Espírito Santo, o paredão achatado que domina o horizonte, chega a cerca de 900 metros.

    Aqui, “remoto” não é força de expressão. Mateiros, a principal porta de entrada do parque, tinha 2.748 moradores espalhados por 9.589 km² no Censo 2022, uma densidade de 0,29 habitante por km², segundo o IBGE.

    Esse isolamento é exatamente o que manteve a paisagem intacta, e é também por isso que o planejamento prático apresentado no restante deste guia é mais importante do que em qualquer outro lugar.

    Como chegar ao Jalapão?

    A entrada mais comum é por Palmas, que tem o aeroporto mais próximo, o Brigadeiro Lysias Rodrigues (PMW). Três companhias voam para lá (Gol, Azul e LATAM), com cerca de 240 decolagens por mês em voos diretos para São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, entre outras cidades.

    De Palmas, conte com no mínimo 4 horas de estrada até Mateiros ou São Félix do Tocantins, as duas cidades que a maioria dos viajantes usa como base.

    No Jalapão, o 4×4 não é opcional: alguns trechos das rodovias TO-030, TO-110 e TO-247 já foram asfaltados, mas boa parte do caminho segue em terra batida ou areia fofa, com pouquíssima sinalização na estrada.

    Percorrer o Jalapão é um circuito. Os atrativos ficam espalhados pela região, ou seja, os roteiros costumam entrar por um lado e sair pelo outro.

    A maioria dos passeios começa e termina em Palmas. Todo roteiro no Jalapão do PlanetaEXO inclui traslados: você não precisa se preocupar com o deslocamento por estradas arenosas sem placas; basta aproveitar a jornada!

    Estrada de terra vermelha cruzando o Cerrado a caminho do Parque Estadual do Jalapão, com um morro testemunho ao fundo

    Qual a melhor época para ir ao Jalapão?

    É possível visitar o Parque Estadual do Jalapão o ano inteiro, mas a estação seca (de maio a setembro) é a ideal: quase nada de chuva, céu limpo e estradas confiáveis.

    Maio é o melhor mês, com o Cerrado ainda verde e o ar úmido logo após a temporada de chuvas. Conforme setembro se aproxima, tudo fica mais seco e mais poeirento, mas o pôr do sol se torna ainda mais bonito.

    A estação chuvosa vai de outubro a abril. As tempestades deixam as estradas de terra quase intransitáveis e tornam a fauna mais difícil de avistar. Janeiro é o mês mais chuvoso, com média em torno de 255 mm de chuva.

    Frio, ali, não existe. Mateiros tem média anual de 25,1 °C e cerca de 1.372 mm de chuva por ano. A variação térmica é pequena o ano todo, com máximas entre 30 °C e 34 °C e mínimas entre 15 °C e 20 °C.

    O que muda de uma estação para a outra é o cenário: paisagem verde e cachoeiras cheias nos meses de chuva, acesso mais fácil e luz mais nítida nos meses secos.

    Dunas douradas do Jalapão ao pôr do sol, com a Serra do Espírito Santo ao fundo

    Período Chuva O que isso muda na sua viagem
    De maio a junho Muito baixa Vegetação verde, rios cheios, estrada tranquila. O período mais equilibrado.
    De julho a setembro Quase nenhuma Ar mais seco, estradas mais poeirentas, os melhores pores do sol. Alta temporada, então reserve cedo.
    De outubro a dezembro Aumentando As tempestades voltam, a paisagem fica verde e chegam menos visitantes.
    De janeiro a abril A maior (≈255 mm em janeiro) As estradas podem ficar bloqueadas e fica mais difícil chegar a alguns atrativos.

    Vista aérea da Cachoeira da Velha, a larga queda d'água do Rio Novo, no Jalapão

    Qual é o clima no Jalapão, Tocantins, agora?

    Veja como está o tempo neste momento no Parque Estadual do Jalapão.

    O que ver no Parque Estadual do Jalapão?

    O Jalapão reúne roteiros e atividades para quem gosta de natureza e aventura: trilha, rafting, fervedouros e visita às comunidades quilombolas.

    Fervedouros

    Os fervedouros do Jalapão são o motivo pelo qual quase todo mundo se aventura pelo parque estadual. A água sobe ao longo de uma fissura no arenito e empurra a água por meio de uma camada de areia, mantendo os grãos em suspensão permanente, de modo que não há um piso sólido para se apoiar e o fluxo ascendente mantém tudo na superfície.

    Não tem nada a ver com sal ou densidade da água, e nenhum fenômeno comparável foi documentado em nenhum outro lugar. A maioria dessas piscinas tem apenas de 1 a 2 metros de profundidade, mas não é possível tocar o fundo onde a nascente emerge.

    Os mais conhecidos são o Fervedouro do Soninho, Ceiça, Buritizinho e Bela Vista. Este último, inclusive, é o mais largo da região e o único com restaurante e hospedagem no local.

    Vários fervedouros agora funcionam com entradas agendadas e um limite de quantas pessoas podem estar na água ao mesmo tempo. Assim, os guias costumam agendar as atividades para o início da manhã ou final da tarde.

    Rafting no Rio Novo

    Para uma dose maior de adrenalina, o rafting no Rio Novo percorre corredeiras de classe III e IV.

    O mesmo rio abriga uma das últimas populações do pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), espécie listada como Criticamente Ameaçada pela IUCN, com menos de 250 indivíduos no mundo todo. Assim, trechos tranquilos da água também são ótimos para observação de aves.

    Os passeios geralmente incluem paradas em praias de areia ao longo do rio.

    Quatro viajantes em um bote laranja encarando as corredeiras do Rio Novo, no Jalapão

    Cachoeiras

    A Cachoeira da Formiga cai num poço de água verde tão cristalina que é possível ver o fundo sem dificuldade.

    Por outro lado, a Cachoeira da Velha, no Rio Novo, é o oposto: uma queda larga, de volume alto, para contemplar em vez de nadar. Este é o ponto de partida da maioria das descidas de rafting.

    Banhistas mergulhando nas águas turquesa e transparentes da Cachoeira da Formiga, no Jalapão
    Foto: @viagemnarelacao

    Trilhas, dunas e nascer do sol

    Comece o dia antes do amanhecer para ver o sol nascer da Serra do Espírito Santo, um paredão de arenito que chega a quase 900 metros.

    Depois, feche a tarde nas dunas do Jalapão, o único campo de dunas do Cerrado brasileiro, com cristas de até 40 metros de altura.

    As dunas se originaram da erosão das areias da própria serra, carregadas pelo vento e acumuladas nesse mesmo ponto ao longo de milênios.

    Grupo de caminhantes em uma trilha de rocha vermelha no Cerrado do Parque Estadual do Jalapão

    Comunidades locais

    A comunidade quilombola Mumbuca, em Mateiros, é o berço do artesanato de capim-dourado, que hoje sustenta dezenas de famílias na região. A visita costuma incluir os ateliês, uma refeição caseira e a história de como a colheita passou a ser regulamentada.

    Cerca de 54 famílias participam da colheita anual, hoje celebrada na Festa da Colheita do Capim Dourado.

    👉 Leia mais: O que fazer no Jalapão?

    Quantos dias no Jalapão são suficientes para a sua viagem?

    Quatro dias, no mínimo. O Parque Estadual do Jalapão é grande, os atrativos ficam espalhados e cada base, de Ponte Alta a Mateiros e São Félix do Tocantins, dá acesso a um conjunto diferente de atividades. Com esse tempo de viagem, dá para conhecer as atrações mais importantes sem gastar todo o itinerário no trânsito.

    Considere o tempo na estrada. Chegar a qualquer uma das cidades-base leva, no mínimo, 4 horas a partir de Palmas, e o deslocamento entre as atrações consome ainda mais tempo do que o mapa sugere. Se sua agenda estiver apertada, esse tempo de viagem será o que você deixará de aproveitar para passear.

    Cinco ou seis dias mudam a viagem. Os dias extras rendem trilhas mais longas, atrativos fora do circuito principal, manhãs sem pressa nos fervedouros antes de os grupos do dia chegarem e interações mais profundas com as comunidades locais.

    Pôr do sol no Cerrado do Jalapão, com buritis recortados contra o céu alaranjado

    Preciso de guia para visitar o Parque Estadual do Jalapão?

    Não é obrigatório, mas ter um guia profissional ao seu lado é altamente recomendado. As estradas são de areia e terra, próprias só para veículos 4×4, e a sinalização é quase inexistente. Com uma densidade populacional de 0,29 pessoas por km² em Mateiros, você pode dirigir por horas sem encontrar ninguém para pedir informações.

    Uma visita guiada também resolve questões logísticas difíceis de organizar fora da região: transporte de ida e volta de Palmas, horários de cada fervedouro, autorizações e acesso às visitas às comunidades, além de apoio em caso de inundação das estradas. Isso minimiza o seu impacto nos locais e gera renda para as comunidades que os mantêm.

    Guia ajudando um viajante a subir uma escada em um paredão rochoso no Parque Estadual do Jalapão

    Quanto custa ir para o Jalapão?

    O preço de uma viagem para o Jalapão depende da duração do itinerário, do tamanho do grupo e das atividades que você acrescenta.

    No PlanetaEXO, os preços hoje começam em R$ 3.350 por pessoa na viagem de 4 dias saindo de Palmas, R$ 4.130 na aventura de 5 dias e R$ 5.940 no trekking de 6 dias.

    Essas tarifas cobrem guia profissional, hospedagem, café da manhã e almoço, todo o transporte durante a viagem e a entrada nos atrativos do roteiro. Os preços por pessoa diminuem à medida que o grupo aumenta e sobem em julho (mês de pico), portanto, o mesmo itinerário pode variar em mais de 30% dependendo de quando você viaja e quantas pessoas estão no grupo.

    Um detalhe que vale planejar: algumas atividades são vendidas como opcionais, entre elas o nascer do sol na Serra do Espírito Santo e o rafting no Rio Novo. Defina esses detalhes com antecedência, pois eles influenciam diretamente o valor total do investimento e a dinâmica da sua viagem.

    👉 Conheça as aventuras:

    Viajante sentado na borda de um paredão de arenito ao amanhecer, olhando a planície do Cerrado no Jalapão

    O que levar para o Jalapão

    Monte a mala pensando no seu roteiro, já que dias de trilha, cachoeira e rafting pedem equipamentos diferentes. Esta é a lista que recomendamos a todo viajante:

    • Camisa de manga longa com proteção UV.
    • Calça de trilha (calça leve ou legging).
    • Bota de trilha ou tênis confortável com boa aderência.
    • Sapatilha de água ou um segundo par de tênis que possa molhar, para o rafting.
    • Protetor solar e repelente.
    • Chapéu ou boné.
    • Óculos de sol.
    • Garrafa de água ou cantil.
    • Mochila de ataque de até 20 litros para as trilhas.
    • Casaco leve para as noites mais frescas de maio a setembro, quando as mínimas chegam a 15 °C.
    • Capa de chuva entre outubro e abril, com as chuvas mais fortes de dezembro a março.
    • Roupas leves e roupa de banho.

    Viajantes com mochilas de ataque e chapéus em um mirante do Jalapão, diante da planície do Cerrado

    Vale a pena ir ao Jalapão?

    Visitar o Parque Estadual do Jalapão vale muito a pena! Poucos lugares reúnem campos de dunas, corredeiras de classe IV, cachoeiras de água transparente e um fenômeno de nascente sem registro em nenhum outro canto. Tudo isso a poucas horas um do outro e dentro do bloco de Cerrado mais bem preservado que restou no Brasil.

    Combine a imersão nas comunidades quilombolas e a tradição do artesanato de capim-dourado, e a sua experiência se transforma em um equilíbrio perfeito entre vivência cultural e contato com a natureza.

    Visitante diante de duas altas cachoeiras que caem em um cânion de arenito vermelho, no Jalapão

    Pronto para conhecer o Parque Estadual do Jalapão?

    Agora que você já sabe quando ir, como chegar e de quantos dias precisa, só falta montar o seu roteiro no Jalapão.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes no Jalapão. Junto com os melhores operadores e guias locais do Tocantins, cuidamos da logística, hospedagem e horários para você se concentrar apenas nas paisagens. Fale conosco!

  • Vista aérea das Cataratas do Iguaçu ao pôr do sol, com dezenas de quedas cortando a Mata Atlântica, no Brasil.

    10 Curiosidades sobre as Cataratas do Iguaçu, a maravilha natural entre Brasil e Argentina

    Da origem do nome Guarani à lava que esculpiu o cânion, confira as principais curiosidades das Cataratas do Iguaçu, um dos sistemas de cachoeiras mais impressionantes do mundo.

    O Rio Iguaçu nasce na Serra do Mar, perto de Curitiba, e faz o contrário do esperado: em vez de descer para o Atlântico, vira as costas para o oceano e atravessa o estado do Paraná rumo ao oeste por 1.320 quilômetros. Poucos quilômetros antes de encontrar o Rio Paraná, no ponto exato em que Brasil, Argentina e Paraguai se encontram, despenca da borda de um planalto de basalto. Essa queda tem nome: Cataratas do Iguaçu.

    A fronteira divide o conjunto de um jeito bem desigual. O rio corre por território brasileiro em quase toda a sua extensão, mas só faz divisa perto do fim. É justamente ali que a Argentina fica com quase 80% das quedas, enquanto o Brasil guarda cerca de 20%.

    Cataratas do Iguaçu vistas de um mirante na mata, sob as nuvens carregadas da estação chuvosa, no Brasil.
    Photo: Gaborsz

    Que a Argentina concentra as cascatas e o Brasil oferece a vista de conjunto, você provavelmente já sabia. Mas o que mais um lugar tão fotografado ainda esconde?

    O PlanetaEXO, plataforma de ecoturismo especializada em pacotes em Foz do Iguaçu, reuniu 10 curiosidades sobre as Cataratas do Iguaçu. Confira abaixo!

    1. O que significa Iguaçu?

    Em guarani, “y” significa “água” e “guasu” quer dizer “grande”. Junte as duas e forma-se o Iguaçu: água grande. Quem vivia às margens desse rio, muito antes de existir qualquer mapa, o descreveu em duas sílabas, sem um único adjetivo.

    A grafia muda conforme a fronteira: Iguaçu em português, Iguazú em espanhol, Iguassu nos textos ingleses mais antigos e Iguazu no inglês atual. O significa é sempre o mesmo.

    Mulher observando as Cataratas do Iguaçu com um arco-íris formado na neblina de água, no Brasil.
    Photo: Thiago Rocha

    2. Lenda das Cataratas do Iguaçu explica as quedas d’água como uma ferida na terra

    Uma lenda do povo Kaingang atribui a origem das quedas à fúria de um deus-serpente, filho de Tupã, o deus criador e senhor dos trovões na mitologia tupi-guarani.

    M’Boi, divindade serpente e guardiã das águas, exigia o sacrifício de uma jovem por ano. Naipi já estava prometida a ele quando um guerreiro chamado Tarobá se apaixonou por ela. Na cerimônia que a consagraria, os dois fugiram rio abaixo, de canoa.

    M’Boi descobriu. Furioso, cravou o corpo na terra e o torceu, rasgando uma fenda enorme no leito do rio. A água despencou lá dentro. Naipi e Tarobá viraram parte da paisagem. Ela, uma das rochas no centro das cataratas, golpeada pela correnteza para sempre. Ele, uma palmeira inclinada sobre o desfiladeiro, perto o bastante para vê-la e nunca perto o bastante para alcançá-la.

    Leia a próxima curiosidade sobre as Cataratas do Iguaçu e repare na coincidência: a lenda e a geologia descrevem exatamente a mesma fenda!

    Vista panorâmica das quedas das Cataratas do Iguaçu pelo lado brasileiro do Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil.
    Photo: Miriam Duran

    3. Como se formaram as Cataratas do Iguaçu: um dos maiores derrames de lava da história da Terra

    Durante a ruptura do Gondwana e a abertura do Atlântico Sul, entre 125 e 115 milhões de anos atrás, fissuras continentais imensas despejaram lava basáltica. Os derrames cobriram cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados e formaram uma pilha de até 1.500 metros de espessura.

    Essa é a Formação Serra Geral, o maior derrame de lava basáltica já registrado em crosta continental. A mesma rocha aparece do outro lado do oceano, na Namíbia, onde ganhou o nome de Etendeka.

    Ao esfriar, a lava lançou os alicerces das quedas. O basalto se fratura em colunas verticais e se separa na horizontal, entre um derrame e outro. No topo dessa estrutura fica uma camada resistente de 8 a 10 metros, que protege a rocha mais frágil debaixo dela. A água se infiltra por essas juntas, corrói a base aos poucos e a camada dura de cima acaba desabando em grandes blocos.

    É a mecânica de uma cachoeira — não a água desgastando a rocha uniformemente, mas puxando uma camada de baixo da outra. A história kaingang diz que a terra foi rasgada. O basalto concorda.

    Cataratas do Iguaçu ao pôr do sol, com a neblina subindo entre as quedas e a floresta, no Brasil.

    4. Quantas quedas têm as Cataratas do Iguaçu e o dia em que ficaram 26 vezes mais fortes

    Quando o assunto é a quantidade de quedas, o número que sempre aparece é o de 275 quedas ao longo de uma frente de 2,7 quilômetros. Na imponente Garganta do Diabo, a altura das Cataratas do Iguaçu atinge até 82 metros. Compare com Niágara, de 1,2 quilômetro de largura e uns 50 metros de altura, ou com as Cataratas Vitória, de mais de 1,6 quilômetro.

    Só que essas 275 quedas não são exatamente um fato. A conta real varia entre 150 e 300, dependendo do rio. Em mês seco, as cascatas menores viram fio d’água e desaparecem. Na cheia, quedas separadas se juntam numa só cortina. Ou seja: você não vê a mesma cachoeira que o visitante anterior viu.

    A vazão diz isso de um jeito mais cru. A média é de 1.746 metros cúbicos por segundo. Em 9 de junho de 2014, o Rio Iguaçu despejou 45.700 metros cúbicos por segundo pela borda. Isso representa 26 vezes a sua média e cerca de 19 vezes o volume de água que as Cataratas do Niágara movimentam em um dia normal.

    O Iguaçu tem mais de uma vez e meia a altura de Niágara. A diferença é tão grande que a ex-primeira-dama norte-americana, Eleanor Roosevelt, em visita ao Brasil em 1944, teria exclamado “Minha pobre Niágara!” ao ver o tamanho do que tinha pela frente.

    Garganta do Diabo, nas Cataratas do Iguaçu: o paredão de quedas de grande volume sob a nuvem de água, no Brasil.
    Photo: Ondrej Bocek

    5. Um pássaro atravessa a cortina de água para dormir atrás das quedas

    O taperuçu-velho, também conhecido como andorinhão-velho-da-cascata, tem cerca de 18 centímetros e faz uma coisa que parece erro de cálculo. No fim da tarde, acelera na direção das quedas e some dentro da cortina branca. Depois, reaparece de dentro do que parece ser água sólida.

    Atrás da lâmina d’água, na rocha vertical encharcada, constrói um ninho achatado em forma de disco, de musgo e pedrinhas cimentadas com barro, e põe um único ovo. As colônias se agarram aos paredões ao lado e atrás da água que cai. A lógica é defensiva: uma parede que predador nenhum escala, protegida por uma água que predador nenhum atravessa voando.

    Os taperuçus só existem ali devido ao que está em volta. Juntos, os parques brasileiro e argentino formam o maior remanescente protegido do interior da Mata Atlântica. Na lista de animais das Cataratas do Iguaçu entram mais de 400 aves e cerca de 80 mamíferos, ao lado de mais de 2.000 espécies de plantas, num bioma que perdeu quase toda sua cobertura original.

    Essa escassez explica outra coisa: a maior concentração de aves da Mata Atlântica na região não está na mata. O Parque das Aves, na porta do parque brasileiro, abriu em 1994 em 16 hectares de floresta. Atualmente, o local serve de lar para mais de 1.300 aves pertencentes a mais de 130 espécies, sendo que mais de 90% são originárias da Mata Atlântica. Mais da metade veio de apreensões do tráfico e de casos de maus-tratos, não de gaiola de criação.

    Além do resgate, o parque reproduz espécies para soltura. Nos viveiros grandes, que o visitante atravessa a pé, as aves destinadas à reintrodução mantêm o preparo físico e o comportamento natural. Além disso, programas como o “Voa, Jacutinga” se dedicam a criar jacutingas para repovoar a mata onde elas viviam.

    Taperuçus-velhos pousados no paredão molhado atrás da cortina de água das Cataratas do Iguaçu, no Brasil.
    Photo: José Mário S. Cassiano

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    6. As Cataratas do Iguaçu são um dos últimos redutos de onça-pintada da Mata Atlântica

    Uma curiosidade sobre as Cataratas do Iguaçu para quem gosta de animais. Desde 2005, o Projeto Onças do Iguaçu, no Brasil, e o Proyecto Yaguareté, na Argentina, contabilizam as onças-pintadas do Corredor Verde, uma por uma, num censo binacional repetido a cada dois anos.

    A edição de 2022 instalou 224 estações de câmeras (72 no Brasil e 152 na Argentina) em 582.123 hectares e retornou com 3.763 fotografias de 55 onças adultas.

    A população que essas câmeras acompanham já passou por um sobe e desce violento. Entre 1990 e 1995, a estimativa era de 400 a 800 onças na região. Em 2005, restavam de 9 a 11. O censo de 2022 registrou cerca de 93 em todo o corredor, e o de 2024, com cerca de 84, numa faixa de 64 a 110.

    São números pequenos, mas é exatamente por isso que eles importam. Este é um dos últimos lugares da Mata Atlântica onde uma população de onças-pintadas ainda funciona, num bioma que já cobriu quase toda a costa brasileira e hoje sobrevive em fragmentos.

    As câmeras instaladas por pesquisadores que trabalham para protegê-las, no entanto, sempre as registram.

    Onça-pintada descansando na margem gramada de um rio no Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil.
    Photo: Sam Power

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    7. A história das Cataratas do Iguaçu passa por um pioneiro da aviação

    A história do parque brasileiro começa em 1916, quando Santos Dumont foi conhecer as cataratas e descobriu que elas pertenciam a um proprietário particular, o uruguaio Jesús Val.

    Em 8 de maio, o homem que tinha voado o 14-bis sobre Paris foi recebido por Afonso Alves de Camargo, governador do Paraná, e defendeu que o governo estadual desapropriasse a área e a transformasse em parque.

    Menos de três meses depois, em 28 de julho de 1916, o Decreto 653 declarou de utilidade pública 1.008 hectares na margem direita do Rio Iguaçu, ao lado do que então se chamava Saltos de Santa Maria. A desapropriação em si só foi resolvida em 1919, quando Val aceitou a indenização.

    Os parques vieram depois. A Argentina criou o seu Parque Nacional Iguazú em 1934, e o Brasil abriu o Parque Nacional do Iguaçu em 10 de janeiro de 1939, pelo Decreto-Lei 1.035, de Getúlio Vargas. A UNESCO inscreveu o parque argentino em 1984 e o brasileiro em 1986.

    No Brasil, Santos Dumont é lembrado pelo avião. No que diz respeito às curiosidades sobre Foz do Iguaçu, é o motivo pelo qual as cataratas não estão atrás de um portão particular.

    Retrato de estúdio em sépia do pioneiro da aviação Santos Dumont, de chapéu branco e terno risca de giz
    Photo: Museu Paulista (USP) Collection

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    8. Já foi Patrimônio Mundial em Perigo e virou Nova Maravilha da Natureza

    O título não é vitalício, e o Iguaçu já chegou perto de perdê-lo. A Estrada do Colono, aberta em 1954, corta o parque brasileiro em dois. O governo federal a fechou em 1986, mas foi reaberta ilegalmente em 1987 e seguiu em uso por mais catorze anos. Em 1999, a UNESCO colocou o Parque Nacional do Iguaçu na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

    A estrada foi fechada de vez em 13 de junho de 2001, numa operação de órgãos militares e ambientais federais que depois destruiu o leito da via em toda a extensão e plantou 25.000 mudas ali. A UNESCO tirou o parque da lista de perigo em dezembro de 2001. A pressão para reabrir a estrada nunca parou.

    Dez anos depois, surgiu o tipo oposto de manchete. Numa votação pública global encerrada às 11h11 de 11 de novembro de 2011, o Iguaçu foi eleito uma das Novas 7 Maravilhas da Natureza, dividindo a lista com a Amazônia, Baía de Ha Long, Ilha de Jeju, Komodo, Rio Subterrâneo de Puerto Princesa e Table Mountain.

    As duas coisas são verdadeiras e uma não apaga a outra: o intervalo que fez das Cataratas do Iguaçu uma maravilha do mundo que você conhece hoje é o mesmo em que quase perderam sua proteção.

    Vista aérea das Cataratas do Iguaçu ao pôr do sol, com o Rio Iguaçu serpenteando pela floresta, no Brasil.

    9. Existe exatamente um hotel dentro do parque brasileiro

    Aberto em 1958 em estilo colonial português, o Hotel das Cataratas ganhou alas novas em 1971 e 1982. Atualmente conhecido como Belmond Hotel das Cataratas, é a única hospedagem situada no interior do Parque Nacional do Iguaçu.

    O endereço vale mais que a arquitetura. O parque tem horário de visitação, então todo mundo chega depois que abre e vai embora antes de fechar. Quem dorme lá dentro faz a trilha antes do primeiro e depois do último ônibus. Nas duas janelas em que a luz está baixa, a névoa pega o sol e as passarelas estão vazias.

    Vista aérea do Belmond Hotel das Cataratas, o único hotel dentro do Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil.

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    10. Cinco noites por mês, o parque abre no escuro

    Em cinco noites por mês, em torno da lua cheia, o parque argentino abre depois do pôr do sol. São três saídas por noite, de cerca de duas horas e meia cada: o Tren Ecológico de la Selva atravessa a mata sob as estrelas e, no fim, a passarela de aço leva até a Garganta do Diabo, iluminada só pela lua.

    O que quase todo mundo vai buscar ali é o arco-íris lunar, um arco formado quando a luz da lua se refrata na neblina do mesmo jeito que a luz solar faz durante o dia, só que mais fraco e quase sem cor a olho nu.

    Ainda que seja um fenômeno fascinante, o arco-íris lunar em Iguaçu não é garantido, já que depende de céu limpo, lua alta e a quantidade certa de neblina no ar.

    Arco-íris lunar sobre as Cataratas do Iguaçu em noite de lua cheia, sob um céu estrelado, no Brasil.

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