O que fazer na Chapada Diamantina, Bahia

Two trekkers with backpacks and trekking poles crossing a rocky riverbed below the cliff walls of Chapada Diamantina

Veja detalhes sobre distâncias, dificuldade, ingressos e cidade-base de 10 pontos turísticos da Chapada Diamantina para planejar a sua viagem

O Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, ocupa 152.000 hectares de terras altas no centro do estado, espalhados pelos municípios de Lençóis, Palmeiras, Mucugê, Andaraí e Ibicoara. Criado por decreto federal em 17 de setembro de 1985, é um dos poucos lugares do Brasil onde três biomas se encontram dentro de um mesmo parque: Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.

Em uma semana, é possível olhar por cima de uma queda de 340 metros, nadar em uma caverna alagada de onde saiu o esqueleto de uma preguiça pré-histórica e dormir em um vale sem sinal de celular. Nas rotas mais procuradas, o acesso é controlado. O ICMBio contabiliza mais de 25.000 visitantes por ano só na trilha da Cachoeira da Fumaça. Quer saber o que fazer na Chapada Diamantina sem gastar um dia inteiro no percurso errado?

O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes na Chapada Diamantina. Selecionamos 10 atrações da Chapada Diamantina e o que fazer em cada uma, com distância, dificuldade, informações sobre ingressos e cidade-base. Confira abaixo!

Vale do Pati

No meio do parque nacional, o Vale do Pati só se atravessa a pé: não há estrada até lá, nem sinal de celular ou hotel. A travessia completa soma mais de 70 quilômetros em cinco dias, chega perto dos 1.400 metros de altitude e tem etapas diárias de 15 a 25 quilômetros.

Você dorme na casa das famílias que ainda vivem no vale, que alugam quartos e preparam refeições. É possível entrar e sair por três pontos diferentes (Vale do Capão, Andaraí e Guiné, no município de Mucugê), o que faz com que os roteiros variem de 3 a 8 dias. Nenhuma outra travessia do parque se molda tanto ao seu ritmo como o Pati.

Bom saber:

  • Cidades-base: Vale do Capão, Guiné ou Andaraí.
  • Distância: mais de 70 km em 5 dias, com versões de 3 e de 8 dias.
  • Dificuldade: alta (15 a 25 km por dia carregando a própria mochila).
  • Guia: indispensável; a rota não é sinalizada e cruza propriedades privadas.

👉 Leia mais: 10 curiosidades sobre o Vale do Pati

Cachoeira do Buracão

Próxima a Ibicoara, no sul da Chapada Diamantina, a Cachoeira do Buracão tem 85 metros de queda em um grande cânion. O acesso é feito por uma trilha leve a moderada de 3 km, sendo uma das opções mais acessíveis da região.

Cachoeira do Buracão caindo no poço escuro entre as paredes de rocha em camadas do cânion, perto de Ibicoara, vista de dentro da água

A cachoeira fica dentro do Parque Natural Municipal do Espalhado, cujo acesso exige guia cadastrado ou condutor de visitantes do município. Também é preciso pagar a taxa de entrada e usar colete salva-vidas — obrigatório para entrar no poço. Embora a queda d’água seja mais volumosa após a época de chuvas, a forte correnteza pode inviabilizar o banho.

Bom saber:

  • Cidade-base: Ibicoara.
  • Distância: cerca de 3 km em cada sentido, em trilha de leve a moderada.
  • Taxa e guia: os dois são obrigatórios; contrate o guia na cidade ou na associação de guias.
  • Combine com: Cachoeira das Orquídeas e Cachoeira do Recanto Verde no mesmo dia.

👉 Conheça a aventura: Trilha na Chapada Diamantina de 6 Dias: Vale do Pati e Cachoeiras

Morro do Pai Inácio

Se você tem meio dia livre e ainda está decidindo o que visitar na Chapada Diamantina, comece por aqui. O cume do Morro do Pai Inácio fica a 1.120 metros, cerca de 250 metros acima da planície. O percurso a partir da portaria é curto e íngreme, levando cerca de 25 minutos até o topo.

Pôr do sol no Morro do Pai Inácio sobre os morros de topo plano e o vale cortado pela BR-242, na Chapada Diamantina

Do alto, contempla-se toda a extensão do vale atravessado pela BR-242, destacando-se os morros do Camelo e dos Três Irmãos. Vá perto do pôr do sol e emende com uma cachoeira próxima, como o Poço do Diabo.

Bom saber:

  • Cidade-base: Lençóis ou Palmeiras, as duas a menos de uma hora de carro.
  • Distância: cerca de 500 metros de subida a partir do estacionamento.
  • Dificuldade: fácil (a única parada desta lista para quem não é trilheiro).
  • Taxa e horário: pequena taxa de entrada (R$ 12 recentemente; confirme no local); das 9h às 17h.

Cachoeira da Fumacinha

Se você gosta de aventura e esforço físico, mas ainda não sabe o que fazer na Chapada Diamantina, a Fumacinha representa o dia mais difícil desta lista. Conforme levantamento do Projeto Cachoeiras Gigantes, a queda d’água tem 210 metros de altura — marca muito superior aos 100 metros habitualmente mencionados. Além disso, os paredões que cercam a cachoeira alcançam quase 300 metros.

Um trilheiro em pé sobre uma pedra dentro do cânion fechado da Cachoeira da Fumacinha, minúsculo diante de paredes de quase 300 metros

Subindo o leito do rio, são 18 quilômetros de ida e volta. A trilha sai da comunidade do Baixão, a 30 quilômetros (estrada de terra) de Ibicoara. Os primeiros 3 quilômetros são tranquilos; depois disso, é pular de pedra em pedra e usar as mãos.

Aqui, o guia cadastrado da Chapada Diamantina é obrigatório, já que o rio fica perigoso no período de chuvas.

Bom saber:

  • Cidade-base: Ibicoara, mais 30 km de estrada de terra até o início da trilha.
  • Distância: 18 km ida e volta (3 a 4 horas em cada sentido).
  • Dificuldade: alta (blocos de pedra no leito do rio; depois do km 3, sobe usando as mãos).
  • Fique de olho na previsão: correnteza forte na temporada de chuvas e vazão bem menor nos meses secos.

👉 Leia mais: Cachoeiras da Chapada Diamantina: melhores trilhas e joias escondidas

Cachoeira da Fumaça (por cima)

Com 340 metros, a Cachoeira da Fumaça é a segunda cachoeira mais alta do Brasil, atrás apenas da Cachoeira da Neblina, no Rio de Janeiro. Muito antes de atingir o chão, a água é capturada pelo vento, que a transforma em névoa. Daí o nome: de longe, o que desce o paredão parece fumaça.

A Cachoeira da Fumaça, de 340 metros, vista por cima, com a água virando neblina e um arco-íris sobre o vale

Saindo do Vale do Capão, são 12 quilômetros de ida e volta, incluindo 2 quilômetros de degraus íngremes e mais 4 de rocha irregular até o mirante. É a trilha controlada mais movimentada do Parque Nacional da Chapada Diamantina.

No alto não há poço para banho, então a maioria dos grupos roda mais 3 quilômetros até a Cachoeira do Riachinho para se refrescar depois.

Bom saber:

  • Cidade-base: Vale do Capão, no município de Palmeiras.
  • Distância: 12 km ida e volta (cerca de 5 horas).
  • Dificuldade: moderada (os 2 primeiros km concentram toda a subida).
  • Época: no fim da estação seca, a queda pode sumir por completo.

👉 Leia mais: Qual a melhor época para visitar a Chapada Diamantina?

Cachoeira da Fumaça (por baixo)

Mesma cachoeira, ângulo oposto, viagem completamente diferente. Chegar à base pede uma travessia de 3 dias entre o Vale do Capão e Lençóis, em qualquer um dos dois sentidos, com acampamento selvagem e a sua própria comida, água e equipamento nas costas.

Um trilheiro sentado no acampamento observando a Cachoeira da Fumaça por baixo, na travessia entre o Vale do Capão e Lençóis

No fim do trekking, você cai no poço natural bem no pé do paredão. Até chegar lá, a trilha atravessa mata preservada, ruínas do garimpo de diamantes e mais duas cachoeiras (Capivara e Palmital).

Não há banheiro em nenhum ponto da trilha. Todo o lixo e os resíduos voltam com você.

Bom saber:

  • Cidades-base: Vale do Capão e Lençóis, uma em cada ponta.
  • Duração: 3 dias, acampamento selvagem, sem reabastecimento.
  • Dificuldade: alta (mochila cheia, trechos de rocha, travessias de rio).
  • Leve: barraca, tratamento de água, toda a comida e sacos para o lixo.

👉 Conheça a aventura: Roteiro Chapada Diamantina em 7 dias: Cachoeiras, Grutas e Trilhas

Poço Encantado e Poço Azul

Na hora de decidir o que conhecer na Chapada Diamantina, essas duas cavernas alagadas são a parada mais fácil e também a mais fora do comum.

Em Itaetê, o Poço Encantado mede 110 × 70 metros e tem mais de 60 metros de profundidade. Como a água transparente vem de um lençol freático não renovável, banhos são proibidos. De 1º de abril a 10 de setembro (com auge em junho e julho), a luz do sol entra por uma fenda na rocha e bate no lago entre 10h e 13h30.

O raio de sol entrando na água azul do Poço Encantado, dentro do salão da caverna em Itaetê

Em Nova Redenção, o Poço Azul conta com água corrente, o que permite a flutuação com colete salva-vidas. Também é um sítio fossilífero: mergulhadores retiraram dali um esqueleto quase completo de Eremotherium laurillardi, uma preguiça terrestre de até 6 metros e cerca de 5 toneladas, extinta há aproximadamente 11.000 anos. O primeiro crânio veio à tona em 1995.

Uma visitante boiando de costas na água azul do Poço Azul, com as paredes da caverna refletidas no poço, em Nova Redenção

Bom saber:

  • Cidades-base: Itaetê (Poço Encantado) e Nova Redenção (Poço Azul), a uma hora uma da outra.
  • Distância: o Poço Encantado fica a 140 km de Lençóis, com acesso por estrada de terra.
  • Taxas: os dois ficam em propriedade privada e cobram no local.
  • Melhor luz: de abril a setembro, entre 10h e 13h30.

👉 Leia mais: 10 curiosidades sobre a Chapada Diamantina e seu Parque Nacional

Cachoeira do Mixila

A queda de 80 metros do Mixila está no fundo do cânion do rio Capivari, cujo ponto mais estreito tem somente 4 metros de largura. Para chegar, siga o leito do rio saindo de perto de Lençóis e pule de pedra em pedra. No meio do caminho, cruze dois poços a nado e deixe a mochila para trás, nas rochas.

Uma banhista numa boia com os braços erguidos ao pé da Cachoeira do Mixila, de 80 metros, no cânion do rio Capivari
Foto: @nairaferreiraa

Em um só dia, o trekking é custoso e exige muito preparo físico, já que inclui 25 quilômetros de ida e volta, seguidos de 9 quilômetros de carro — preferencialmente de 4×4. Dormir uma noite no caminho melhora muito o roteiro e ainda permite incluir as cachoeiras Capivari e Poção.

Bom saber:

  • Cidade-base: Lençóis.
  • Distância: cerca de 25 km ida e volta.
  • Dificuldade: alta (4 a 5 horas no primeiro dia, 6 a 7 horas no segundo).
  • Você vai nadar: dois poços no caminho; leve sacos à prova d’água.

Cachoeira do Sossego

A Cachoeira do Sossego desce cerca de 20 metros por uma parede em degraus dentro de um cânion. Embaixo, o poço é largo o bastante para atravessar a nado e tem lajes em volta para secar ao sol. A ida e volta a partir de Lençóis, na Bahia, tem 12 quilômetros e 463 metros de desnível, normalmente feitos em um único dia.

Um viajante de chapéu de palha sentado na pedra acima do poço da Cachoeira do Sossego, a 12 quilômetros de Lençóis

O trecho final vai pelo leito do rio, por cima de blocos enormes, e passa embaixo de uma laje saliente, que só se encara com o rio baixo. Evite essa rota depois de chuva prolongada, já que o nível sobe rápido e as pedras ficam bastante escorregadias.

Bom saber:

  • Cidade-base: Lençóis.
  • Distância: 12 km ida e volta (463 m de desnível).
  • Dificuldade: alta para a distância (os trechos de blocos de pedra é que atrasam).
  • Não vá: após vários dias seguidos de chuva.

👉 Leia mais: As 5 Melhores Trilhas da Chapada Diamantina: Trilhas, Cachoeiras e Distâncias

Gruta da Lapa Doce e Pratinha

Em Iraquara, a Gruta da Lapa Doce faz parte de um sistema de cavernas de 42 quilômetros. Desses, 850 metros estão abertos à visitação, com cerca de 1,5 hora debaixo da terra entre estalactites, estalagmites e cortinas de calcário. Com mais de dez entradas, é a caverna mais visitada do município.

Visitantes com lanternas ao lado de uma coluna gigante de estalagmites no salão da Gruta da Lapa Doce, em Iraquara

A visita começa com uma descida íngreme de escadas e fica tranquila daí em diante, sendo um dos melhores lugares para conhecer na Chapada Diamantina sem nenhum preparo físico. Quase todo mundo emenda com a Pratinha, a minutos dali, onde um rio transparente sai direto da boca de uma caverna, onde é possível boiar, mergulhar de snorkel ou descer de tirolesa. As duas cobram entrada no local.

Uma mergulhadora de snorkel na água turquesa e transparente da Pratinha, sob o paredão de calcário em camadas e entre as folhas das plantas aquáticas

Bom saber:

  • Cidade-base: Iraquara, a cerca de 1,5 hora de carro de Lençóis.
  • Distância: 850 metros debaixo da terra (cerca de 1,5 hora).
  • Dificuldade: fácil (depois das escadas da entrada).
  • Guia: obrigatório dentro da Lapa Doce; as taxas são pagas no local, nas duas paradas.

Pronto para descobrir o que fazer na Chapada Diamantina? Planeje sua viagem com o PlanetaEXO

Agora você já sabe o que fazer na Chapada Diamantina, então tudo o que resta fazer é escolher suas atrações preferidas e começar a planejar as férias!

O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em caminhadas e trekking no Brasil, com guias e operadores locais que conhecem o Parque Nacional como a palma da mão. Nossa equipe cuida de toda a viagem (da logística ao roteiro sob medida) para você só aproveitar. Fale conosco agora!