Category: Histórias

  • Veículo de safári aberto atravessa uma ponte de madeira sobre a baía no Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal Sul

    Safári solo no Pantanal: a viagem de Andrea ao Refúgio Ecológico Caiman

    Uma bióloga australiana, um simpósio sobre fauna silvestre em Campo Grande e cinco dias sozinha no Refúgio Ecológico Caiman, nas palavras da própria Andrea

    Andrea Laws-King, 67, é australiana, bióloga especialista em reprodução, amazona de enduro equestre e empresária. Veio ao Brasil para participar do III Simpósio Internacional de Biotecnologias Reprodutivas Aplicadas à Conservação da Vida Selvagem, em Campo Grande.

    Depois do evento, ela teria alguns dias livres e queria aproveitá-los para conhecer melhor o país. Foi pesquisando destinos até encontrar o Pantanal, um lugar que ela nem conhecia de nome. Ficava perto de Campo Grande e combinava com o interesse dela por natureza e animais — era o destino perfeito para sua viagem solo.

    Em agosto de 2026, Andrea passou cinco dias no Refúgio Ecológico Caiman. A reserva particular de 53.000 hectares recebe hóspedes do mundo todo em acomodações de luxo e organiza atividades de ecoturismo e conservação. A viagem inteira foi planejada e reservada com o PlanetaEXO. Esta é a história dela. Confira abaixo!

    Andrea em uma caminhada guiada pela mata de palmeiras do Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal
    Photo: Andrea Laws-King

    Onças-pintadas de perto com o Onçafari

    Durante a estadia, Andrea acompanhou de perto o trabalho do Projeto Onçafari, iniciativa de conservação e proteção de onças-pintadas. O projeto aposta na habituação: aos poucos, os animais se acostumam à presença humana, o que facilita a pesquisa e fortalece o ecoturismo. Criado em 2011 dentro das terras do próprio Caiman, o programa faz do lodge o melhor lugar de todo o Pantanal Sul para ver esses grandes felinos.

    Andrea sabia que o Onçafari fazia parte do roteiro reservado com o PlanetaEXO, mas não tinha muita noção do que o projeto realmente envolvia. Não demorou para se encantar com o trabalho da equipe. “Gostei muito do meu dia com o Onçafari, vendo as onças e aprendendo sobre elas”, contou. “Com certeza me abriu os olhos para a conservação da vida selvagem.”

    Bom saber: os safáris regulares do Caiman já dão boas chances de ver uma onça. No entanto, a Onçafari Experience, que oferece um mergulho na ciência por trás do projeto, é cobrada à parte. Muitos viajantes, como Andrea, dizem que vale o investimento!

    Onça-pintada descansando em um galho de árvore no Pantanal, o felino que o Onçafari ajuda a proteger
    Photo: Onçafari

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    Araras-azuis, árvores novas e uma homenagem comovente

    Andrea descobriu o Projeto Arara Azul no site do Caiman e, assim que chegou ao lodge, pediu para participar da atividade. A arara-azul é considerada o maior papagaio voador do planeta e continua classificada como vulnerável. Fundado em 1990 pela pesquisadora Neiva Guedes, o projeto é mantido por contribuições fixas cobradas em cada saída, e cada centavo vai direto para as ações de proteção.

    Andrea e seu grupo, composto por famílias da França e Inglaterra, assistiram de camarote os cientistas subirem nas árvores para verificar os ninhos. “Adorei sair com eles para visitar ninhos naturais e artificiais das araras-azuis, enquanto era observada por essas magníficas aves.”

    No passeio, Andrea teve uma surpresa boa: a chance de plantar uma árvore. Contribuir com a flora local após observar um dos animais mais emblemáticos do Pantanal a deixou feliz e emocionada. Para ela, foi um dos momentos mais marcantes da viagem, e por um motivo muito pessoal. “Me pediram para dar um nome [à árvore]! O grupo sugeriu o do meu cachorro velhinho, Snowball, que tinha acabado de falecer na Austrália”, lembrou, com carinho.

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    A combinação certa: natureza, guias especialistas e hospitalidade de alto padrão

    No Caiman, quem dita o roteiro é o ritmo da natureza. Os safáris acontecem bem cedo e de novo à tarde, horários em que os animais estão mais ativos e as chances de vê-los são maiores. Na volta para o lodge, quando a noite cai sobre o Pantanal, os guias usam holofotes para encontrar as espécies de hábitos noturnos.

    Quando o assunto são os guias, Andrea é direta e só tem elogios. “Os guias eram extremamente bem preparados. Queriam que todo mundo visse o máximo possível de aves e bichos. O respeito deles pelos animais e pela natureza não tinha tamanho.”

    De volta ao Caiman, ela logo percebeu o contraste entre a natureza intocada e os serviços de alto padrão que recebia como hóspede. “A experiência no lodge foi incrível! Entre um safári e outro em veículos abertos, a estadia foi fenomenal”, disse, encantada.

    A acomodação principal, a Casa Caiman, é uma antiga sede de fazenda com 18 suítes, restaurante, bar, piscina e um deck com vista para a baía. Andrea aprovou tudo. “A organização no Caiman foi impecável”, elogiou. “O conforto era sem igual, e a equipe não podia ser melhor!”

    Piscina com espreguiçadeiras e redes sob as árvores na Casa Caiman
    Photo: Felipe Castellari

    👉 Leia mais: Onde se hospedar no Pantanal

    Segurança para mulheres que viajam sozinhas

    Sua primeira experiência no Brasil foi durante a infância, em uma viagem em família ao Rio de Janeiro. Anos depois, voltava ao Brasil como adulta e sozinha, num país completamente diferente da Austrália. “Estava animada, mas também um pouco nervosa”, admitiu. O nervosismo, no entanto, logo passou. “Me senti segura durante a estadia, e as pessoas foram todas muito acolhedoras.”

    Ter uma equipe especializada cuidando da logística também fez diferença para Andrea. “Ir ao Pantanal numa viagem organizada pelo PlanetaEXO facilitou tudo para uma mulher que viaja sozinha”, disse. “Os traslados de chegada e de saída correram sem nenhum contratempo, e a equipe me manteve bem informada. Eu me senti muito segura.”

    Andrea com o grupo de viajantes em volta da árvore Snowball recém-plantada no Caiman
    Photo: Andrea Laws-King

    👉 Leia mais: Ecoturismo cresce entre mulheres que viajam sozinhas pelo Brasil

    As dicas de Andrea para viagens ao Pantanal e ao Caiman

    Quando perguntaram que conselho daria a quem vai ao Pantanal pela primeira vez, Andrea nem hesitou. “Sem dúvida: reserve com o PlanetaEXO e faça a viagem ao Caiman. É exatamente como está descrito [no site].”

    Ela também reparou na cavalgada, ainda que tenha ficado de fora. Como o enduro equestre já faz parte de seu trabalho, quis aproveitar o tempo com atividades fora da rotina. Mesmo assim, notou que os passeios a cavalo são excelentes para quem tem menos experiência.

    “[No Caiman], as cavalgadas são pensadas para quem não monta, com ritmo lento e no esquema ‘siga o líder’.” Uma ótima dica para iniciantes!

    Hóspedes em uma cavalgada tranquila por uma trilha na mata do Caiman, seguindo o guia
    Photo: Lais Moura

    O Pantanal em três palavras e os próximos planos de viagem de Andrea

    Impressionada com o conforto do Caiman, a conexão com a natureza e a beleza do Pantanal, Andrea resumiu a viagem em três palavras: “Imenso. Remoto. Encantamento.”

    Gostou tanto da viagem pelo Brasil que já quer voltar, desta vez para outro destino. “Na próxima, eu adoraria conhecer a Amazônia! Ver piranhas e botos-cor-de-rosa? Quero muito!”

    Hóspedes observam um tamanduá-bandeira no campo durante um safári no Caiman
    Photo: Felipe Castellari

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    Conheça o Caiman e o Pantanal Sul com o PlanetaEXO

    Agora que você conheceu o Caiman pelos olhos de Andrea, já sabe o que este canto do Pantanal oferece: pesquisa com onças-pintadas que dá para acompanhar de perto, araras-azuis de olho em você do topo dos ninhos e conforto absoluto entre um safári e outro.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em viagens ao Pantanal Sul. Trabalhamos com guias e operadores locais experientes e cuidamos da logística (traslado saindo de Campo Grande, hospedagem, refeições e programação de atividades) para você só ter olhos para a fauna. Fale conosco agora!

    Vista aérea do Refúgio Ecológico Caiman com a sede, a baía e as áreas alagadas do Pantanal Sul
    Photo: Felipe Castellari
  • Mulher em pé sobre uma duna branca acima de uma lagoa azul-turquesa nos Lençóis Maranhenses, sob céu azul

    Novo documentário do PlanetaEXO destaca ecoturismo nos Lençóis Maranhenses

    “Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters” mostra como famílias locais vivem da hospedagem de viajantes em um modelo de turismo em que 80% do faturamento permanece na comunidade

    O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses vive um momento de superexposição turística. Em 2025, impulsionado pelo título de Patrimônio Mundial da Unesco, o destino recebeu 656.388 visitantes, um salto de 41% em relação ao ano anterior, segundo o ICMBio.

    No entanto, longe das lagoas de fácil acesso, a tradicional travessia a pé pelas dunas tem provado que um modelo de turismo focado em baixo volume e alta retenção de receita gera impactos socioeconômicos muito mais profundos.

    É esse o cenário apresentado pelo curta-documentário “Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters”, lançado em 23 de setembro no YouTube pelo PlanetaEXO.

    Pôr do sol sobre uma lagoa de água da chuva entre as dunas brancas dos Lençóis Maranhenses
    Muito além das lagoas lotadas: o cenário espetacular dos Lençóis Maranhenses, onde um turismo de baixo impacto transforma a realidade de quem vive no parque. (Crédito: Isadora Sá)

    Enquanto a maior parte da visitação ao Parque Nacional se concentra em passeios de poucas horas, as 45 comunidades no entorno e interior da reserva apostam no pernoite em residências locais. A atuação do PlanetaEXO, que conecta viajantes diretamente a parceiros locais, comprova a viabilidade e a rentabilidade desse formato.

    O marco financeiro comprova a tese do negócio. Nas duas últimas temporadas, a empresa viabilizou a travessia (em roteiros de dois a cinco dias) para um grupo restrito de apenas 583 viajantes.

    A matemática do baixo volume e alta rentabilidade é o principal destaque: por meio das operações geridas exclusivamente pelo PlanetaEXO, registrou-se um faturamento bruto de aproximadamente R$ 1,79 milhão.

    Mantendo 80% desse valor no próprio destino, a iniciativa da empresa injetou mais de R$ 1,4 milhão integralmente na região. O montante foi repassado sem intermediários para remunerar guias, motoristas e famílias anfitriãs responsáveis por hospedagem e alimentação.

    Pequeno grupo de caminhantes atravessando as dunas de areia branca dos Lençóis Maranhenses
    Longe das multidões, perto do que importa. O turismo de travessia aposta em pequenos grupos para garantir alta retenção de receita para as comunidades locais. (Crédito: Isadora Sá)

    “A gente fica com a menor parte de propósito”, explica Lucas Ribeiro, fundador do PlanetaEXO e diretor do curta. “Se a maior parte do dinheiro não ficar com quem recebe o viajante, cozinha e caminha junto, não é turismo comunitário; é só uma paisagem bonita sendo vendida.”

    Trocando a pesca pela hospitalidade

    No oásis de Baixa Grande, a horas de caminhada da estrada mais próxima, a mudança econômica é vivenciada por moradores como Seu Moacir e Dona Dete, anfitriões da travessia e personagens centrais do documentário.

    Após dedicar-se à pesca de subsistência, Moacir viu sua renda mudar ao hospedar turistas. “Vinte anos na pesca. A gente pegava o peixe para vender e não dava nada, né? O turismo dá um pouco mais”, relata no filme.

    A percepção é reforçada por sua esposa. “Tudo era muito difícil”, afirma Dona Dete. “Aí veio o turismo hoje e melhorou, graças a Deus, porque aqui era menor, né? As casinhas eram poucas. Agora melhorou. Tem como eu receber mais gente”.

    Dona Dete e Seu Moacir sorrindo na janela de sua casa no oásis de Baixa Grande
    De pescadores a anfitriões: Dona Dete e Seu Moacir viram sua realidade se transformar com a renda do turismo no oásis de Baixa Grande. (Crédito: Marcelo Bonifácio)

    O reflexo econômico salta aos olhos da cadeia local. Segundo o guia maranhense Marcelo Zelarayán, a ferramenta turística melhorou muito a vida das pessoas, garantindo que hoje as famílias tenham “suas casas bem estruturadas”. Ele pontua, no entanto, que o grande atrativo da travessia não é apenas geográfico: “O melhor dos Lençóis são as pessoas”.

    Do lado de quem busca por pacotes nos Lençóis Maranhenses, o distanciamento do turismo de massa e o impacto social direto são diferenciais na decisão de compra. “Queríamos visitar de uma forma não turística. Não queríamos estar em grupos enormes”, explica a viajante francesa Morgane Meyer, em depoimento captado no trajeto.

    Dois viajantes descendo correndo uma duna branca em direção a uma lagoa nos Lençóis Maranhenses
    Em busca de uma imersão autêntica e longe do turismo de massa, os viajantes franceses Morgane e Guillaume optaram pela clássica travessia a pé. (Crédito: Isadora Sá)

    Para o turista português Diogo Melo, também retratado no curta, o retorno às famílias anfitriãs justifica o formato: “É muito óbvio o impacto positivo que tem nas comunidades. Quando ficamos [em suas casas], dá para perceber que isto ajuda as famílias a conseguirem ter um nível de vida mais estável e viverem mais confortavelmente”.

    O viajante português Diogo Melo descansando em uma duna dos Lençóis Maranhenses
    Para o viajante português Diogo Melo, o grande diferencial da travessia é presenciar o impacto positivo e direto que o turismo traz à estabilidade das famílias anfitriãs. (Crédito: Isadora Sá)

    O documentário integra os esforços do PlanetaEXO de comprovar que o turismo em áreas naturais brasileiras deve descentralizar a renda, transformando a conservação e o desenvolvimento local em um modelo de negócio viável e lucrativo para as redes de parceiros nativos.

    Ficha Técnica | “Lençóis Maranhenses: Far From The Crowds, Close To What Matters”

    • Formato: Curta-documentário
    • Duração: 5min27
    • Direção: Lucas Ribeiro
    • Direção de Fotografia: Isadora Sá e Marcelo Bonifácio
    • Edição: Marcelo Bonifácio
    • Entrevistas: Lucas Ribeiro e Isadora Sá
    • Participações: Seu Moacir e Dona Dete (Baixa Grande – Lençóis Maranhenses), Bruno Lamas (Brasil), Carol Costa (Brasil), Diogo Melo (Portugal), Franck Nicolas (França), Guillaume Poupin (França), Magali Liprandi (França), Marcelo Zelarayán (Barreirinhas – Brasil) e Morgane Meyer (França).
    • Agradecimentos Especiais: Equipe Paraíso do Caju
  • Céu rosado ao pôr do sol sobre as dunas brancas e uma lagoa de água da chuva nos Lençóis Maranhenses

    Lindo, avassalador, alegria total: os 15 anos de espera de Maja pelos Lençóis Maranhenses

    Uma professora aposentada da Eslovênia, um marido de câmera na mão e seis dias por Barreirinhas, Atins e Santo Amaro, contados pela própria Maja

    Maja Žumer tem 73 anos e passou a carreira ensinando ciência da informação na Universidade de Ljubljana, na Eslovênia. Aposentada oficialmente há um ano, continua ligada a um programa de pesquisa. Foi justamente por isso que um congresso em São Paulo colocou o Brasil de volta em sua agenda.

    Esta não foi a primeira viagem de Maja ao Brasil, mas foi a primeira vez que ela viu de perto as dunas surreais dos Lençóis. Fazia 15 anos que sonhava com o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Depois de uma tentativa frustrada, enfim fez a viagem, ao lado do marido, Slobodan Žumer, apaixonado por fotografia.

    Maja e Slobodan Žumer sorrindo numa selfie sobre uma duna, com uma lagoa ao fundo, nos Lençóis Maranhenses

    Em agosto de 2026, o casal fez o Roteiro Completo dos Lençóis Maranhenses, que liga as três principais bases do parque (Barreirinhas, Atins e Santo Amaro) por estrada, rio e 4×4. Com guias locais, a viagem foi organizada pelo PlanetaEXO. A seguir, Maja conta como foi. Confira!

    Quinze anos, tentativa frustrada e a tão sonhada viagem

    Tudo começou com uma conversa em família. Há pelo menos 15 anos: a nora de Maja chegou em casa com uma descoberta: um lugar no Brasil chamado Lençóis Maranhenses. Maja se apaixonou na hora pela ideia. O problema era a distância.

    A primeira chance veio há 10 anos, em um congresso no Rio de Janeiro. Maja procurou por toda parte um agente para organizar o roteiro e não achou nenhum que lhe agradasse. Como ia viajar sozinha, tudo ficava mais difícil. Os planos mudaram para as Cataratas do Iguaçu. “Foi lindo, tenho que admitir”, contou ela, “mas não era Lençóis.”

    Quando surgiu um segundo congresso em São Paulo neste ano, a decisão foi simples: “É agora ou nunca.” Maja procurou várias agências, e o PlanetaEXO se destacou. “O PlanetaEXO foi o único que respondeu na hora, estava sempre disponível e tirou todas as minhas dúvidas”, lembra ela.

    Hoje, o veredito é claro: “Provavelmente era a minha última chance. E foi tudo perfeito.”

    👉 Leia mais: Como chegar aos Lençóis Maranhenses?

    Um destino único que nem mesmo viajantes experientes conhecem

    Maja já rodou o mundo. Esteve na Argentina, México, Guatemala e Saara. Mesmo assim, os Lençóis foram diferentes de tudo o que ela conhecia.

    “Posso dizer que é algo excepcional”, disse ela. “Não existe nada igual. Nem outros desertos se comparam, por causa da cor e, claro, da combinação com a água”, completou.

    Na Eslovênia, ficou surpresa como quase ninguém conhece os Lençóis Maranhenses. “Quando comento com as pessoas, até com quem viaja muito e já foi ao Brasil várias vezes, ninguém nunca ouviu falar”, contou ela, destacando a unicidade do Parque Nacional.

    Luz dourada do sol refletida numa lagoa entre dunas marcadas pelo vento nos Lençóis Maranhenses

    Cruzar as dunas de 4×4 era como dirigir na neve

    Depois de 15 anos vendo fotos, as expectativas eram altas, mas Maja e Slobodan descobriram que nenhuma foto captura a beleza real dos Lençóis Maranhenses. O primeiro passeio de 4×4 ficou marcado na memória dela: como uma paisagem de areia podia lembrar tanto uma cena de inverno?

    “É como dirigir na neve, e eu adoro esquiar, então, para mim, é algo muito, muito positivo”, disse, também impressionada com a dimensão de tudo. “Claro que eu sabia que era uma área enorme, mas não tinha noção de que dava para ver tão longe e de que tudo mudava o tempo todo.”

    Água verde e cristalina de uma lagoa diante de uma duna branca sob o céu azul nos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: Como se formaram os Lençóis Maranhenses: entenda as dunas de areia do Brasil e suas lagoas

    Uma paisagem nova a cada hora e um marido fotógrafo realizado

    Foram seis dias explorando o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Não houve repetição de paisagem uma única vez. “Era sempre algo diferente. A vista era diferente, a luz era diferente. Nunca foi chato”, contou Maja. Com o bom tempo a seu favor, a hora do dia fez o resto: “O meio-dia é bem diferente da tarde, da manhã ou do pôr do sol.”

    A textura das dunas também mudava. Para um amante da fotografia como Slobodan, os Lençóis eram um “paraíso para fotógrafos”. Segundo Maja, ele estava tão contente que os guias logo perceberam.

    “[Os guias] sempre paravam para as fotos. Era só a gente fazer um sinal que paravam na hora”, lembrou. “Mesmo sem a gente fazer sinal, bastava verem meu marido tentando tirar uma foto que já diminuíam a velocidade.”

    👉 Leia mais: Qual a melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses?

    Lagoas mornas e 10 metros de praia só para eles

    O roteiro completo reúne circuitos de lagoas nas três bases: Lagoa Azul (Barreirinhas); Ponta do Mangue e Canto do Atins (Atins); e Lagoa do Junco e Lagoa do Reflexo (Santo Amaro).

    Maja adorou todas, mas um detalhe chamou sua atenção: a temperatura. “Fiquei surpresa quando percebi como a água é quente”, disse. “Talvez seja essa associação com a neve de novo.”

    Multidão também nunca foi um problema. Os guias levaram o casal tanto a lagoas onde ficaram completamente sozinhos quanto a outras mais movimentadas, mas nunca lotadas. “Sempre tivemos os nossos 10 metros de praia só para nós. Os guias escolheram muito bem as lagoas e os visuais.”

    Sombras de Maja e Slobodan projetadas na areia branca ondulada dos Lençóis Maranhenses

    Três bases, um rio e nada de correria

    Maja e Slobodan passaram por Barreirinhas, seguiram de lancha pelo Rio Preguiças até Atins e curtiram muito os dias em Santo Amaro. Nada disso exigiu esforço físico.

    “Na verdade, quase não precisamos caminhar. Apesar de sermos mais velhos, ainda estamos em boa forma. Nós dois ainda esquiamos. Fisicamente, foi muito fácil e relaxante, e deu tempo para tudo”, explicou ela, mencionando como a viagem foi tranquila e valeu muito a pena.

    O ritmo sem pressa foi uma das coisas de que ela mais gostou. “Nunca tivemos que correr, e sempre sabíamos com antecedência quanto tempo teríamos em cada lugar. Deu tudo muito certo.”

    Os guias sempre passavam a programação do dia seguinte na tarde anterior, uma organização que funcionou muito bem para eles. Para Maja, foi uma ajuda enorme. “Senão, a gente teria que ficar pensando: ‘Será que eu lembro direito ou não do que vamos fazer?’ Então foi maravilhoso.”

    👉 Leia mais: Quantos dias ficar nos Lençóis Maranhenses?

    Anfitriões sorridentes, pousadas limpas e a descoberta do caju

    Longe das dunas, a primeira coisa que Maja notou foi o astral das pessoas. “Estão sempre de bom humor, sempre sorrindo. Não se vê ninguém de cara fechada”, afirmou ela, com o próprio sorriso estampado no rosto. “O ambiente todo é agradável.”

    Nos restaurantes, os atendentes se desdobravam para ajudar com o idioma; nas pousadas, os anfitriões cuidavam para que o casal ficasse à vontade e tudo corresse bem.

    As hospedagens também foram todas reservadas pelo PlanetaEXO, e cada uma superou as expectativas. O estilo variava de um lugar para outro — uns mais descontraídos, outros menos —, mas todos eram, nas palavras de Maja, “muito bons, limpos e confortáveis. Não tivemos problema nenhum.”

    À mesa, o casal comeu peixe, carne e, claro, arroz com feijão. A novidade foi o suco de caju. Ela achou o sabor interessante e autêntico, como tudo nos Lençóis Maranhenses. “Estava tudo delicioso.”

    Varal de luzes numa estrutura de madeira e lanternas à beira de uma lagoa ao entardecer nos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: Onde ficar nos Lençóis Maranhenses?

    O Brasil é seguro? A resposta sincera de Maja

    Nos Lençóis, a segurança nem passou pela cabeça de Maja. O casal andava por Atins no tempo livre, até mesmo depois de escurecer, sem nenhuma preocupação. “Sempre nos sentimos seguros”, afirmou.

    São Paulo e Rio são diferentes, ela admite, mas isso não chegou a ser surpresa. “Todas as cidades grandes são assim. Você precisa tomar cuidado e não fazer besteira. Não sou de me assustar com isso. Já estive em muitos lugares.”

    Pela experiência que tem com viagens, Maja recomenda uma coisa só a qualquer viajante: bom senso.

    👉 Leia mais: 10 Dicas para Aproveitar ao Máximo a sua Viagem aos Lençóis Maranhenses

    Os Lençóis em três palavras e o próximo destino de Maja

    Pedimos para Maja resumir a viagem em três palavras: Lindo. Avassalador, “mas no bom sentido, porque essa paisagem linda desperta todos os sentidos.” E alegria total.

    O conselho dela para quem está pensando em conhecer os Lençóis Maranhenses ou o Brasil é simples: “Vá o quanto antes. Não pense duas vezes.”

    Apesar disso, Maja é realista e não sabe se ainda vai voltar ao Brasil. Mas a lista de desejos já está pronta. Como Slobodan adorou as viagens que já fez a Manaus e à Amazônia, ela também quer conhecer esses lugares, além da região sul.

    Afinal, os Lençóis já provaram que os planos podem surpreender. “Dez anos atrás, eu nem imaginava que ia voltar”, disse ela. “Então, quem sabe? Eu nunca diria não.”

    Conheça os Lençóis Maranhenses com o PlanetaEXO

    Agora que você viu o parque pelos olhos de Maja — com dunas que lembram neve fresca, lagoas tão mornas que dá vontade de nunca mais ir embora e dias sem nenhuma correria —, já sabe que vale cada dia de espera.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes para os Lençóis Maranhenses. Trabalhamos lado a lado com guias e operadores locais experientes e cuidamos de toda a logística, para que você só precise pensar nas dunas. Fale conosco agora!

  • Cavalos atravessando a água rasa ao amanhecer no Pantanal

    Emocionante, confortável, divertido: a viagem em família de Sally ao Pantanal Sul

    Quatro dias de uma família britânica numa fazenda de gado em plena atividade, às margens do Rio Aquidauana, contados pela própria Sally

    Professora, Sally Heal tem 48 anos e mora num vilarejo no coração da Inglaterra. Hoje, passa a maior parte do tempo formando outros professores. A filha dela morava no Chile há um ano e já tinha ido ao Brasil com amigos.

    Durante o inverno chileno, a família queria calor. Sally, o marido e os dois filhos, já adultos, de 20 e 22 anos, chegaram a pensar na Costa Rica, mas custos mais altos, voos complicados e chuva pesaram na decisão. A escolha foi o Brasil: a primeira vez da família no país e a segunda na América do Sul.

    O roteiro começou pelo Rio de Janeiro, que todos adoraram, e por Ilha Grande. Depois, um voo para o oeste até Campo Grande. A ideia era ver bichos, plantas e o Brasil de verdade, longe das cidades. A Amazônia quase entrou nos planos, mas o Pantanal levou a melhor, a planície alagável de 210.000 km² que se espalha por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Era o que o marido dela queria desde o começo.

    No fim de agosto de 2026, a família passou quatro dias na Pousada Aguapé, às margens do Rio Aquidauana, num roteiro pelo Pantanal saindo de Campo Grande, organizado pelo PlanetaEXO e conduzido por um guia local. Confira a história abaixo!

    Sally e a família a cavalo, de capacete, na fazenda do Pantanal

    Uma fazenda de gado de verdade, não um hotel cinco estrelas

    Sally imaginava uma hospedagem bem simples, um palpite parcialmente correto. “Era básico, sim, mas muito maior do que eu pensava e muito mais confortável”, contou. O chuveiro superou as expectativas e, do lado de fora do quarto, havia espaço para secar as roupas e sentar na sombra.

    A Pousada Aguapé fica numa fazenda de gado tradicional que está nas mãos da mesma família há mais de 150 anos. São 15 quartos, com piscina e uma área de redes. Para Sally, a simplicidade era justamente o que importava. “Não quero ir ao Pantanal e ficar num lugar com cara de hotel cinco estrelas. Eu poderia ir a um hotel cinco estrelas em qualquer outro lugar.”

    O que ela queria era o Pantanal em estado puro. “Tatus passeando pelo restaurante, pássaros pousando no deck enquanto a gente comia, tucanos voando sobre nossa cabeça e araras fazendo ninho enquanto estávamos na piscina… Foi incrível”, revelou, animada.

    Pantaneiro conduzindo a boiada na poeira do Pantanal

    A fazenda continua em atividade. Sally gostava de observar os peões pantaneiros, “cada um com a sua sela e a faca enfiada na parte de trás da calça”, totalmente à vontade no meio dos cavalos. Um modo de vida bem diferente do dela, mas que achou honesto e quase poético.

    👉 Leia mais: Onde se hospedar no Pantanal

    O guia que se sentou em outra mesa

    A primeira lembrança que Sally tem de Bruno, o guia da família, não envolve bicho nenhum. Eles chegaram à pousada bem na hora do almoço, e ele foi se sentar em outra mesa. “Ele não achou que a gente ia querer sentar com ele. Nós o convidamos para conversar e comer junto. Ele entendia que as férias eram nossas e respeitava muito isso. Achei lindo.”

    Depois vieram a fauna e o olhar treinado dele. O primeiro animal da viagem foi uma ema. Bruno reconheceu a ave na hora e ainda disse que era fêmea. A partir dali, cada pássaro vinha com o nome da espécie e, muitas vezes, a idade.

    O guia da família ao lado da caminhonete aberta usada nos safáris

    No rio, ele não se desligava um segundo e vivia apontando animais. Impressionada, Sally perguntou como ele conseguia enxergar aquilo tudo. A resposta: ele sabia o que estava procurando, e bastava um movimento mínimo. Ela resume a diferença em números. “A gente não teria visto 80% do que viu se não fosse o Bruno mostrando.”

    Bruno e o piloto do barco trabalhavam em dupla, manobrando para que todos tivessem a melhor vista e a melhor foto. Quando encontraram bugios, Rafael, da equipe da pousada, tentou imitar o ronco deles, fazendo o filho de Sally morrer de rir. Bruno entrou na onda: “É uma doença que ele tem. A gente só tem que ter paciência e deixar ele fazer esses barulhos”, brincou.

    👉 Leia mais: Animais do Pantanal: fauna e vida selvagem

    Tamanduás, tucanos e um lagarto de barriga cheia

    O primeiro passeio de barco já começou testando os nervos: um jacaré deitado bem na frente da embarcação. Uma pessoa da família (prometemos não dizer quem) ficou apavorada. Os guias transformaram o susto numa piada que durou a viagem toda e também numa aula, porque jacarés não querem saber de gente. “É só fazer ‘xô, xô’ e andar na direção dele que ele foge”, explicou Sally.

    Depois, foi um bicho atrás do outro. Tucanos voavam em volta da piscina, e tatus, tamanduás, emas e capivaras apareciam numa quantidade que Sally nunca tinha visto.

    Uma cena ficou na memória dela: um ovo de ema já vazio e, do lado, o lagarto que tinha devorado tudo, ainda deitado ali. “Ele estava lá, largado, satisfeito e de barriga cheia, com o ovo vazio do lado”, lembrou. “Não é uma cena bonita, mas foi bem legal.”

    Tamanduá-bandeira se alimentando no campo aberto

    O único animal que não deu as caras foi a onça-pintada. O consolo veio depois, de uma família húngara de quem ficaram amigos nos passeios de barco. Os húngaros seguiram para o Pantanal Norte e mandaram para Sally “fotos e vídeos de onça incríveis, porque eles viram um monte delas”.

    Vale saber: as chances de ver onça-pintada são maiores no Pantanal Norte. Já o Sul se destaca pela fauna típica das fazendas, como os animais que Sally encontrou. Nas duas regiões, a estação seca, de julho a outubro, concentra os bichos em volta da água remanescente.

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    O maior cavalo para a menor amazona

    Sally nunca tinha montado. “Foi bem intimidador. E me deram o maior cavalo, sendo que eu tenho só 1,57 m.” Mais tarde, ela descobriu o motivo: era o cavalo mais velho e mais calmo da fazenda.

    A cavalgada virou a atividade preferida da família. “Acho que foi o nosso melhor dia”, disse Sally. O guia que conduzia o grupo era “excelente, muito engraçado” e toda hora puxava um pouco o ritmo dos cavalos do filho e da filha dela, “só para tirar os dois da zona de conforto e dar umas risadas com eles”. Aí o caminho entrou direto na água.

    Vista da sela enquanto os cavalos atravessam o campo alagado
    Photo: Pousada Aguapé

    O que Sally mais valoriza é o jeito de ver a paisagem de cima do cavalo. “Você chega perto dos animais e do ambiente e sente que está dentro dele, e não dentro de um carro. No carro existe aquela distância do que você está vivendo. Em cima do cavalo, é muito diferente.”

    Também ficou a sensação de conquista. “No fim, sinto que fiz uma coisa que eu nunca teria feito no Reino Unido”, refletiu.

    Caipirinhas, sobremesas e seis tatuagens de fruta

    A comida da acomodação foi, na palavra de Sally, “excepcional”. Com dois filhos adultos famintos e “um marido que adora carne”, a quantidade pesava tanto quanto a qualidade, mas a pousada deu conta das duas. A surpresa ficou para a sobremesa: bolos e doces que não se parecem com nada que se come no Reino Unido.

    Cozinheiro da pousada fatiando carne assada em uma tábua de madeira

    A barreira do idioma nunca atrapalhou uma boa risada. “Eles se interessavam pela gente, e a gente por eles”, disse. “Eu chamaria de brincadeira, só que quase toda por mímica, e não com palavras.”

    Numa das noites, Rosana, que trabalha no bar, deixou Sally assumir o balcão e preparar caipirinhas para todo mundo. “A gente dançou e cantou, foi muito divertido.” E tinha um plano por trás disso. “Eu queria aprender a fazer para poder preparar quando voltasse para casa.”

    A lembrança mais inusitada veio de Rafael, outro guia da pousada. A família reparou numa tatuagem temporária no braço dele e perguntou o que era. Ele se ofereceu para fazer tatuagens iguais na família, usando uma mistura de carvão e suco de fruta que vai saindo ao longo das semanas. Sally fez seis. Quando conversamos, só restava uma, na mão que ela mal tinha lavado. O motivo é o próximo capítulo da história.

    Um dedo quebrado e uma equipe que não entrou em pânico

    O acidente aconteceu no momento menos aventureiro da viagem. Depois de cavalgada, trilha e passeios de barco, Sally jogava vôlei com o filho na piscina quando a bola “pegou de mau jeito”. Resultado: dedo completamente quebrado.

    “Ninguém tinha como prever. Não foi culpa de ninguém”, ressaltou. “Pense em tudo o que a gente fez, como andar a cavalo e fazer trilha, e em quanta coisa poderia ter acontecido. Mas não foi aí. Foi num momento de descanso.”

    E aconteceu longe de tudo. “A gente estava num lugar bem isolado do Pantanal, no meio do nada, na verdade, e aquilo podia ter sido um desastre total.” O hospital mais próximo ficava a cerca de uma hora de estrada de terra. Quem gerencia a pousada levou Sally até lá, cuidou dela e traduziu tudo. Bruno também ajudou muito no hospital. “Todo mundo também estava muito calmo. Ninguém entrou em pânico, e foi muito bom ver isso.”

    Os filhos ficaram na pousada e seguiram com as atividades. “Quando voltei, eles tinham se divertido muito”, contou. “[A equipe] transformou o que poderia ter sido um pesadelo num dia muito agradável para os meus filhos e cuidou de mim muito, muito bem. Fiquei muito grata.”

    Sally com a mão e o braço enfaixados depois do hospital

    Mesmo assim, a lesão encurtou a viagem. O plano era passar uns dias em São Paulo e depois seguir para as Cataratas do Iguaçu. Em vez disso, Sally voltou mais cedo para casa com o filho, enquanto o marido e a filha retornaram ao Chile para esquiar.

    O Brasil é seguro? A resposta sincera de Sally

    Antes da viagem, várias pessoas avisaram a família de que o Rio de Janeiro e São Paulo podiam ser perigosos. Não foi o que Sally encontrou. “Nunca me senti em perigo. Nunca me senti desconfortável. Foi uma boa surpresa.”

    Ela tem uma teoria para isso, que diz tanto sobre quem viaja quanto sobre o país. “Quando viajo, sempre espero que as pessoas sejam calorosas, acolhedoras e gentis. E acho que parte disso vem do jeito como você age quando é visita no país dos outros. O seu comportamento muitas vezes define como você é recebido.”

    No Pantanal, o acolhimento veio com bom humor. “Mesmo sem a gente falar a língua, o pessoal da pousada foi um amor e muito engraçado”, elogiou Sally, satisfeita com o atendimento que a família recebeu.

    As dicas de Sally para quem vai ao Pantanal pela primeira vez

    A primeira dica foi direta: “Vá com o PlanetaEXO.” Os motivos são práticos, assim como o resto dos conselhos dela.

    Reserve com quem tem acesso às pousadas

    Reservar uma viagem ao Pantanal de um computador no Reino Unido foi mais difícil do que a família imaginava. “Você não sabe bem o que está procurando, não fala o idioma e não sabe direito como entrar em contato com as pousadas, porque acho que muitas só trabalham com agências.” A filha encontrou o PlanetaEXO na internet; um cancelamento liberou um quarto quádruplo e a família fechou a reserva só três ou quatro semanas antes de chegar.

    Dali em diante, a comunicação resolveu o resto. “Eu sabia exatamente o que estava fazendo e exatamente o que esperar. Sabia até que roupas levar.” Quando ela confundiu uma regra de bagagem que tinha lido em outro lugar (só malas macias, no máximo 15 kg) e começou a se desesperar, uma única mensagem da equipe do PlanetaEXO esclareceu tudo na hora.

    Viaje com um guia que fale o seu idioma

    “Ele deu vida ao Pantanal”, disse Sally sobre Bruno. “Acho que não teríamos aproveitado nem de longe o tanto que aproveitamos se o Bruno não estivesse com a gente. E o inglês dele era excelente, o que ajudou muito.”

    Este roteiro inclui um guia particular que fala inglês, além do guia local da pousada, que fala português.

    Suba num cavalo

    E mesmo que você nunca tenha montado. Sally e o marido eram iniciantes, e ainda assim foi o melhor dia da viagem.

    Os guias da fazenda ensinam os iniciantes com paciência e cuidado, mantendo um ritmo tranquilo. Como os cavalos andam devagar, dá para chegar bem perto dos animais silvestres.

    Vá com calma

    O último conselho é o que ela daria a qualquer pessoa que vá ao Pantanal pela primeira vez. “Não tenha pressa e vá com calma. Deixe a natureza tomar conta de você, em vez de ficar caçando coisas para ver”, recomendou.

    Planície alagada do Pantanal com um ipê-rosa florido
    Photo: VisitMS

    👉 Leia mais: 10 dicas de viagem ao Pantanal

    Emocionante, confortável, divertido

    Pedimos para Sally descrever o Pantanal em três palavras. Antes, com bom humor, ela pôs uma condição: “Sem falar do meu dedo quebrado.”

    Emocionante, “porque foi emocionante enquanto a gente estava lá”. Confortável, “e não falo só das camas confortáveis. Falo de se sentir em casa logo de cara.” E divertido. “A gente riu muito, com as pessoas de lá e com a minha família. Foi muito divertido.”

    O filho de Sally subindo na caminhonete de safári, com tatuagens temporárias de fruta no braço

    Próximos destinos: onças, Fernando de Noronha e as cataratas

    O Brasil deixou a família com uma lista para a próxima viagem. O marido quer visitar o Pantanal Norte para ver onças. Sally quer Fernando de Noronha, Lençóis Maranhenses e Cataratas do Iguaçu, que ficaram de fora da viagem por causa da lesão.

    Onça-pintada descansando sobre um tronco no Pantanal

    A família até passou pelo Rio e por Ilha Grande, mas o tempo não ajudou. Por isso, quer voltar. “Eu adoraria ver tudo aquilo com sol”, comentou Sally.

    👉 Leia mais: Onde ver onças-pintadas no Pantanal

    Conheça o Pantanal Sul com o PlanetaEXO

    A jornada de Sally e sua família revelou toda a hospitalidade da região do Rio Aquidauana, oferecendo uma prévia das maravilhas que aguardam no Pantanal Sul. Agora, só falta ver tudo isso com os próprios olhos!

    Vista aérea do Pantanal e de seus rios
    Photo: Rico

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes no Pantanal Sul. Em parceria com guias e operadores locais experientes, cuidamos de toda a logística (transfer a partir de Campo Grande, pousada, refeições e programação de atividades) para que a sua família só se preocupe em aproveitar a experiência. Fale conosco!

  • Onça-pintada deitada num galho de árvore lambendo o focinho no Pantanal

    Cinco onças-pintadas em um só dia: o safári em família de Michael no Pantanal

    Uma família suíça de cinco pessoas, um romance lido 15 anos antes e quatro dias entre a Transpantaneira e os rios de Porto Jofre, nas palavras do próprio Michael

    Michael Lang tem 51 anos e é clínico geral, dono de um pequeno consultório particular no noroeste da Suíça, a 10 quilômetros das fronteiras com a Alemanha e a França. Ele planejou as férias com a família e alguns amigos, embora o destino tenha mudado algumas vezes: primeiro Sri Lanka, depois África e Costa Rica, até que o Brasil ganhou a disputa.

    Michael queria conhecer o Rio de Janeiro, ver as Cataratas do Iguaçu e fazer um safári na Amazônia ou no Pantanal, que levou a melhor, em grande parte por causa de um livro. Há cerca de 15 anos, ele leu O Testamento, romance de John Grisham sobre um advogado enviado às áreas alagadas do Brasil para encontrar uma missionária.

    Em julho de 2026, Michael, a esposa e os três filhos, de 17 a 21 anos, passaram quatro dias no Safári Econômico de Onças no Pantanal, uma viagem organizada pelo PlanetaEXO e conduzida por um guia local. Esta é a história dele. Confira abaixo!

    Quatro dias na Transpantaneira (e nem um minuto de tédio)

    O Testamento se passa no Pantanal Sul, mas Michael e a família foram para o Pantanal Norte. Para chegar lá, voaram até Cuiabá e seguiram de carro. A viagem teve duas bases. Primeiro, uma pousada mais ao norte; depois, a região dos rios em volta de Porto Jofre, onde termina a estrada Transpantaneira.

    Michael gostou da mudança de cenário. “Foi muito interessante conhecer esses lugares diferentes. Nunca fiquei entediado”, contou. O ritmo também combinou com ele. “Era bem relaxante ficar sentado no barco, deslizando pelo rio.”

    Na hora de apontar o momento mais difícil, Michael não achou nenhum. Nada de trilha puxada, de tempo ruim ou de passeio de barco que demorasse demais. “Na verdade, não tem nada que eu possa dizer que tenha sido complicado para mim”, respondeu. Ele sabe que quatro dias é pouco para os padrões do Pantanal e que existem roteiros mais longos, mas não conseguiu citar um único ponto negativo.

    Família de Michael sob o portal da Transpantaneira, na entrada do Pantanal

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    Cinco onças-pintadas em um só dia

    Michael adora bichos e é fotógrafo amador de carteirinha, mas não é nenhum especialista em fauna. No Pantanal, sua lista de desejos tinha um protagonista. “Eu queria muito ver onças-pintadas. E vimos um monte delas.” Em um único dia, o grupo avistou cerca de cinco onças em cinco pontos diferentes.

    E não parou por aí: aves por toda parte, uma anta, cervos, ariranhas e muitos jacarés. Claro que Michael, apaixonado por animais, ficou nas nuvens.

    É por isso que os viajantes vêm de tão longe. Na região de Porto Jofre, os rios Cuiabá, Piquiri e Três Irmãos atravessam o Parque Estadual Encontro das Águas, a área pantaneira com as maiores chances de ver onças-pintadas. O pico de avistamentos vai de maio a outubro, nas estações intermediária e seca.

    O aspecto que mais chamou sua atenção foi a ausência de multidões e a pouca quantidade de viajantes pelo local. Nas Cataratas do Iguaçu, viu “centenas de pessoas numa plataforma e nas passarelas”. No rio do Pantanal, a história era outra. “Há uns dez barcos, talvez uma dúzia. Sem turismo em excesso, eu diria.”

    Close da cabeça de uma onça-pintada nadando num rio do Pantanal

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    Um tour privativo e sob medida

    Michael achava que ia dividir o guia, Fábio, com um grupo de dez ou 12 pessoas. Não foi o que aconteceu: o guia era só deles. “Ele foi praticamente nosso guia particular. Eu não esperava isso”, disse. “Foi uma grande surpresa para mim. Mas foi excelente, porque dava para perguntar tudo.”

    Com isso, quem ditava o ritmo era a família. “A gente podia ir no nosso tempo. Nós falávamos: ‘Olha, queremos fazer isso ou aquilo, ou queremos sair neste horário ou naquele’. Então foi tudo muito personalizado”, elogiou. Junto com as onças, foi o ponto alto da viagem para ele. “O contato pessoal com o guia foi excelente.”

    O inglês de Fábio não ajudou só na hora de falar dos bichos. No resto do Brasil, a família teve dificuldade para se comunicar com os locais, mas com o guia foi possível conversar a fundo. “A gente sempre falava de cultura, religião, finanças, política e por aí vai”, disse. “Acho que foi o contato mais próximo que tivemos durante a viagem.”

    Anta caminhando pela margem de um rio no Pantanal

    👉 Leia mais: Onde se hospedar no Pantanal

    Sapos no banheiro e uma ariranha chamada Cheetah

    Antes de contar uma das histórias engraçadas da viagem, Michael olhou de relance para a filha. Alguns sapinhos tinham ido parar nos quartos da família, fazendo com que ela ficasse com medo de ir ao banheiro. A resposta dele diz tudo sobre o Pantanal: “A gente não está numa cidade. Estamos no meio da natureza.”

    E teve também a Cheetah, uma ariranha bem acostumada com humanos. A família cruzou com ela duas vezes no rio, e nas duas ela tentou embarcar. “Ela sempre queria pular para dentro do barco. Era muito engraçado”, contou, rindo.

    Na água, os outros momentos preferidos dele foram os mais calmos, como admirar a paisagem nos passeios de barco ao nascer e ao pôr do sol.

    Família de Michael tirando selfie com o guia local ao lado da van

    👉 Leia mais: Animais do Pantanal: fauna e vida selvagem

    E quanto à segurança no Brasil? A resposta sincera de Michael

    Michael nunca se sentiu inseguro no Brasil e explica o motivo com naturalidade. A família evitou as áreas mais arriscadas do Rio e de São Paulo e usou aplicativos de transporte para se deslocar. Como eram duas famílias viajando juntas, andavam sempre em grupo.

    Ele contou sua principal regra para circular sem sustos por lugares desconhecidos. “Se você fica atento ao que pode acontecer, não precisa passar por situações desagradáveis.”

    Michael achou que a Avenida Paulista lembrava Paris, com ruas largas e limpas. Já nos arredores de marcos como a Catedral da Sé e o Mercadão, a cidade mostrava um lado mais duro. Como já tinha visto lugares parecidos, ele não se chocou, mas o contraste entre as duas regiões ficou na memória.

    Ritmo mais lento e comida mais gostosa do que o esperado

    Para muitos europeus, diz Michael, o Brasil é sinônimo de futebol e quase nada além disso. Para ele e a família, a realidade é mais rica e muito mais diversa. A barreira do idioma atrapalhou um pouco, mas o que conquistou sua família foram as pessoas e o ritmo.

    Michael não esperava, mas sua esposa se apaixonou pelo país. “Ela disse que as pessoas são muito simpáticas e muito tranquilas em comparação com a Suíça”, compartilhou, acrescentando que até mesmo uma ida ao supermercado é uma correria em seu país. “No Brasil, era tudo mais devagar. Gosto disso.”

    A comida foi outra surpresa. Michael imaginava algo bem simples, mas se deparou com um verdadeiro banquete. “A comida brasileira foi muito melhor do que a gente esperava, e mais barata do que em outros países. Isso me surpreendeu muito.”

    O Brasil de Michael cabe numa lista: praias quentes e ensolaradas, pessoas tranquilas, cidades grandes, cachoeiras e vida selvagem. O único porém é o tamanho do país, já que “as distâncias são enormes”, então ele sugere incluir voos domésticos no planejamento de viagem. “Recomendo o Brasil para todo mundo que me pergunta aonde ir nas férias. É um lugar onde tem de tudo”, afirmou.

    Duas capivaras descansando na água rasa de um rio no Pantanal

    As dicas de Michael para a primeira viagem ao Brasil

    E se um amigo estivesse planejando a primeira viagem ao país? Os conselhos de Michael são práticos:

    • Misture cidades, natureza e vida selvagem: a família dele uniu, em uma única viagem, São Paulo, Rio de Janeiro, Cataratas do Iguaçu, Ilha Grande e Pantanal.
    • Reserve alguns dias a mais para Ilha Grande, no estado do Rio: após passarem três dias na ilha, os filhos de Michael a colocaram entre as melhores experiências no Brasil, destacando que é “só praia e uma vila linda”.
    • Inclua o safári no orçamento desde o começo: um safári no Pantanal não sai exatamente barato, nem na versão econômica. No fim das contas, Michael achou que o guia particular e a organização valeram o investimento.
    • Escolha um guia que fale inglês: fora dos hotéis, nem sempre é fácil achar quem fale o idioma, então um guia fluente é a melhor porta de entrada para o país.

    Michael e a família posando à beira de um rio no Pantanal

    👉 Leia mais: 10 dicas de viagem ao Pantanal

    Próximo destino: Salvador ou Lençóis Maranhenses

    Michael quer voltar. Na lista estão Salvador e os Lençóis Maranhenses, com suas dunas de areia branca e lagoas de água cristalina.

    Depois de conhecer as Cataratas do Iguaçu, ele também quer explorar mais o Sul do Brasil, mesmo sem ter um destino definido ainda. Opções não faltam!

    👉 Leia mais: 10 Curiosidades sobre os Lençóis Maranhenses, Brasil

    Conheça o Pantanal com o PlanetaEXO

    Agora que você viu o Pantanal pelos olhos de Michael, já sabe o que vai encontrar por lá: onças-pintadas, ariranhas, jacarés e passeios de barco ao nascer e ao pôr do sol. É hora de ver tudo isso de perto!

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes para o Pantanal. Em parceria com guias e operadores locais experientes, cuidamos da logística (traslados, pousadas, refeições e safáris de barco) para que você e sua família só se preocupem em aproveitar a experiência. Fale conosco agora!

  • A produtora Jihee Yeon filma as dunas dos Lençóis Maranhenses sob um céu alaranjado com o controle de um drone

    Gravação nos Lençóis Maranhenses para a TV coreana: a história de Jihee Yeon no Brasil

    Uma produtora coreana se aventurou nos Lençóis Maranhenses para gravar uma reportagem da KBS, caminhou três dias pelas dunas e saiu de lá impressionada com a beleza e o acolhimento do Brasil

    Produtora da KBS, a principal emissora pública de rádio e televisão da Coreia do Sul, Jihee Yeon, de 34 anos, foi aos Lençóis Maranhenses em busca das imagens mais bonitas que conseguisse gravar para uma reportagem especial.

    “Várias pessoas me recomendaram os Lençóis Maranhenses e disseram que seria a época ideal para visitar a região, pois as lagoas estariam cheias”, contou. “Assim que vi as fotos e os vídeos, fiquei encantada com a paisagem.” Na mesma hora, começou a planejar as gravações.

    Ao lado do cinegrafista Soo Han Kim, que mora em São Paulo e documenta histórias sul-coreanas na América do Sul, Jihee percorreu o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses com equipamento pesado de TV. São 155.000 hectares no estado do Maranhão, com imensas dunas de areia branca que chegam a 40 metros de altura e lagoas de água da chuva. O parque foi só uma etapa de um roteiro maior, que passou também por Belém, Ilha de Marajó, São Luís e Salvador.

    Dois trilheiros atravessam uma duna branca ondulada nos Lençóis Maranhenses, deixando um rastro de pegadas

    Jihee cruzou dunas e lagoas em uma travessia de 3 dias nos Lençóis Maranhenses, organizada e conduzida pela equipe do PlanetaEXO e por guias locais. Agora, contamos sua história. Confira abaixo!

    O que ela veio gravar

    Antes mesmo de chegar, Jihee já tinha uma imagem bem definida na cabeça. “Eu queria filmar as lagoas azuis surgindo depois de uma duna e outra, com água em meio a uma paisagem que mais parece um deserto infinito”, disse.

    A outra metade da pauta eram as pessoas: ela queria conhecer os viajantes que cruzam o parque a pé, e não de 4×4, porque desconfiava que essa escolha tinha significado. “Imaginei que aqueles que optavam por caminhar, em vez de viajar de carro, talvez tivessem motivos especiais para isso e vivenciassem a paisagem de uma maneira mais significativa.”

    O Parque Nacional entregou a primeira parte exatamente como prometido. O que Jihee subestimou foi a dimensão de tudo. “Eu imaginava que as dunas estariam concentradas apenas em algumas áreas, mas se estenderam diante de nós durante os três dias inteiros de caminhada.” E completou: “Não tinha ideia de que a paisagem fosse tão vasta.”

    Houve também uma surpresa de outro tipo: nadar nem estava nos planos. “Não pensei que gostaria tanto de nadar ali, mas era impossível resistir às lagoas.”

    Trilheiros caminham por uma duna de areia branca ao lado de uma lagoa azul-turquesa nos Lençóis Maranhenses
    Photo: KBS

    👉 Leia mais: As melhores lagoas dos Lençóis Maranhenses: o deserto de mil lagoas do Brasil

    Uma paisagem sem termo de comparação

    Jihee conhece desertos de vários países, e foi exatamente por isso que nenhuma comparação funcionou. “Nunca havia visto nada semelhante: inúmeras lagoas espalhadas por uma imensa extensão de dunas, com pequenos povoados inseridos nessa paisagem”, contou, maravilhada.

    Esse último detalhe pega muitos viajantes de surpresa: os Lençóis Maranhenses não são um lugar vazio. A experiência de travessia só é possível graças às pequenas comunidades estabelecidas no interior e no entorno do parque. Conectados por trilhas de caminhada, esses vilarejos fornecem o acolhimento, a alimentação e a hospedagem essenciais para os trilheiros.

    Ao ser questionada se algum lugar na Coreia, ou em qualquer outro destino onde já trabalhou, chegava perto disso, ela foi breve. “Já viajei por muitos lugares, mas os Lençóis Maranhenses são realmente únicos e diferentes de tudo o que eu havia visto antes.”

    👉 Leia mais: 10 Curiosidades sobre os Lençóis Maranhenses, Brasil

    As crianças, as flores e um tempo diferente

    Pergunte a Jihee sobre os moradores e ela começa pelas crianças. “Em vez de simplesmente nos tratarem como turistas, pareciam genuinamente felizes em nos receber e passar aquele tempo conosco”, lembrou. O grupo nadou com elas nas lagoas, “e as crianças chegaram a nos presentear com flores que haviam colhido nas proximidades. Foi uma experiência extremamente acolhedora e que acredito que nunca esquecerei.”

    A diferença cultural que mais chamou a atenção dela não foi a comida nem a língua, mas o tempo. “Na Coreia, estamos acostumados a nos movimentar rapidamente e a seguir horários bem definidos”, explicou. “Ali, porém, cada dia parecia transcorrer de maneira mais natural, de acordo com o clima, o ambiente e as relações entre as pessoas.”

    Jihee fez questão de não cair no clichê. “Eu não descreveria isso simplesmente como um ritmo de vida mais lento, mas como uma forma de viver mais próxima dos ritmos da natureza.”

    Vista aérea de um grupo de trilheiros em fila indiana atravessando as dunas ao lado de uma lagoa turquesa nos Lençóis Maranhenses
    Photo: KBS

    👉 Leia mais: Como se formaram os Lençóis Maranhenses: entenda as dunas de areia do Brasil e suas lagoas

    A primeira noite de Jihee em uma rede

    Nos acampamentos e nas pousadas dos vilarejos ao longo da travessia, a cama dá lugar à rede. Jihee nunca tinha dormido em uma, mas a estreia se tornou um dos pontos altos da viagem para ela.

    “Gostei especialmente de passar a noite ao lado dos outros viajantes, cada um deitado em sua rede enquanto conversávamos”, contou. “Foi muito mais confortável do que eu esperava, e comecei a entender por que as pessoas que vivem nos povoados preferem redes a camas.”

    Além de conduzir o grupo, os guias assumiram um papel especial nesta expedição, algo fora da rotina tradicional: durante três dias, Jihee levou equipamento pesado de filmagem pela areia. “O guia me ajudou a carregar o material e sempre verificava se eu precisava de alguma ajuda durante as gravações”, elogiou. A partir do segundo dia, o grupo se juntou a outro maior e a programação ficou mais apertada, mas “mesmo assim, o guia fez todo o possível para apoiar o meu trabalho.”

    Sobre as hospedagens, os guias e a organização da viagem como um todo, Jihee resume: “Fiquei muito satisfeita com toda a experiência.”

    Vista aérea de casas com telhado de palha num povoado cercado de vegetação e lagoas nos Lençóis Maranhenses
    Photo: KBS

    👉 Leia mais: Onde ficar nos Lençóis Maranhenses?

    Antes do nascer do sol, deitada na areia

    O momento preferido de Jihee na travessia não teve nada de gravação. “Meu momento favorito foi quando saímos antes do nascer do sol e nos deitamos juntos na areia para observar as estrelas.”

    Além da paisagem, o que mais impressionou Jihee foi observar os companheiros de caminhada. Enquanto ela seguia concentrada nas gravações, eles viviam a travessia em um ritmo completamente diferente. “Eles contemplavam a paisagem infinita sem pressa”, lembrou. “Sentiam a areia sob os pés, nadavam nas lagoas e até se sentavam à beira da água para ler.”

    “Eles não estavam apenas olhando para os Lençóis Maranhenses; estavam vivenciando o lugar por inteiro, com todo o corpo”, refletiu. “Isso me marcou profundamente.”

    Céu estrelado sobre abrigos de palha e redes durante a travessia dos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: Quantos dias ficar nos Lençóis Maranhenses?

    As dicas de Jihee para quem vai aos Lençóis Maranhenses pela primeira vez

    Jihee tem uma credencial curiosa para dar conselhos, já que foi a única pessoa da travessia que não conseguiu segui-los. Trabalhar com câmera significava estar sempre em movimento, com muito equipamento a tiracolo, e isso teve um preço. “Eu estava tão ocupada que, em alguns momentos, não tive tempo nem tranquilidade para mergulhar completamente na paisagem diante de mim. Isso é algo de que me arrependo”, admitiu.

    Ainda assim, voltou para casa com algumas lições valiosas.

    Mão segura uma ninfeia branca e pequenas flores silvestres colhidas na beira de uma lagoa dos Lençóis Maranhenses
    Photo: KBS

    Leve o mínimo possível

    Essa lição Jihee aprendeu na pele. Em uma travessia feita inteiramente a pé, sobre areia fofa, cada quilo a mais faz diferença ao longo do caminho, e ela ainda carregava equipamento pesado de filmagem nas costas. Foi um desafio e tanto.

    Não viva os dias pelo relógio

    Para quem vai só a passeio, ela recomenda “não ter pressa e se permitir apreciar plenamente a paisagem”.

    Jihee acha que a melhor forma de conhecer os Lençóis Maranhenses é deixar que o parque dite o ritmo, não o relógio.

    Chegue disposto a se entregar

    “Eu recomendaria que os visitantes fossem preparados para se entregar de corpo e alma à paisagem e a toda a experiência, assim como fizeram as pessoas que viajaram comigo.” Na prática, isso quer dizer entrar nas lagoas, dormir na rede e tirar o tempo necessário para contemplar a paisagem até a ficha cair, tamanha a beleza dos Lençóis.

    👉 Leia mais: 10 Dicas para Aproveitar ao Máximo a sua Viagem aos Lençóis Maranhenses

    E quanto à segurança no Brasil? A resposta sincera de Jihee

    Jihee passou por cinco destinos com equipamento caro e, muitas vezes, gravou na rua. Sobre Belém e a Ilha de Marajó, no Pará, e São Luís e os Lençóis Maranhenses, no Maranhão, ela não tem dúvida: “Senti-me extremamente segura e tranquila. Pude andar livremente à noite e filmar nas ruas, deixando meus equipamentos próximos a mim, sem me sentir ameaçada.”

    O único alerta que recebeu antes de viajar foi sobre Salvador, na Bahia, mas a história foi outra. “Quando cheguei à cidade, as pessoas ao meu redor fizeram questão de me ajudar”, contou. Moradores locais, incluindo motoristas de aplicativos, “explicaram cuidadosamente quais precauções eu deveria tomar e quais lugares deveria evitar. Como estavam sempre cuidando de mim, não senti que estivesse em perigo durante a viagem.”

    “Com base na minha própria experiência, o Brasil não ficou na minha memória como um lugar perigoso”, acrescentou. “Eu me lembro do país como um lugar onde pude viajar com segurança e onde as pessoas ao meu redor cuidaram de mim com muito carinho.”

    Grupo da travessia posa com a bandeira do PlanetaEXO nos Lençóis Maranhenses

    👉 Leia mais: Como chegar aos Lençóis Maranhenses?

    O Brasil pode conquistar a Coreia?

    A admiração dos brasileiros pela cultura sul-coreana não é segredo. Perguntamos a Jihee se o movimento poderia acontecer no sentido contrário e se a tendência “Brazilcore”, que circula nas redes sociais, já tinha chegado à Coreia.

    “Há muito tempo os coreanos associam o Brasil à paixão e a uma energia vibrante. O samba é muito conhecido na Coreia e aparece com frequência como música de fundo em programas de televisão”, respondeu.

    Para ela, o obstáculo não é falta de interesse, mas o calendário: “A maioria dos coreanos não dispõe de períodos muito longos de férias.” Segundo Jihee, só chegar à América do Sul já consome boa parte dessas férias, fazendo com que muitos viajantes desenhem roteiros por vários países para o voo valer a pena.

    Para trazer coreanos a destinos de natureza do Brasil, como os Lençóis Maranhenses, a Amazônia ou o Pantanal, ela acha que um bom caminho é proporcionar rotas claras que caibam no tempo que eles realmente têm. “Oferecer informações e roteiros que permitam conhecer de forma eficiente a diversidade do Brasil em um período limitado poderia incentivar mais coreanos a escolher o país como destino.”

    Já para quem tem mais folga na agenda, ela não vê problema nenhum e destaca a imensidão e a riqueza brasileiras. “Um viajante independente com mais tempo poderia passar facilmente um mês no Brasil e continuar descobrindo lugares novos.”

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    Onde Jihee quer gravar da próxima vez

    Uma reportagem só não bastou. Jihee quer voltar para ver o lado do Brasil que ficou de fora: as cidades. “Eu adoraria conhecer grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Tenho muita curiosidade em saber como é a vida urbana no Brasil.”

    Outro destino na lista é Campos do Jordão, cidade serrana paulista conhecida como a “Suíça Brasileira” devido à arquitetura europeia e clima fresco. Como a viagem dela foi no inverno, Jihee ficou fascinada ao saber que a estação pode ser tão diferente da que encontrou nas regiões Norte e Nordeste que percorreu.

    “Nesta viagem, conheci floresta tropical, ilhas, dunas, lagoas e cidades do litoral atlântico”, observou. “Em uma próxima oportunidade, adoraria filmar um lado completamente diferente do Brasil.”

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    Travessia nos Lençóis Maranhenses com o PlanetaEXO

    Agora que você atravessou o parque pelos olhos de Jihee, já sabe o que os Lençóis Maranhenses têm a oferecer: dunas que parecem não ter fim, lagoas onde ninguém resiste a um mergulho, noites na rede entre companheiros de aventura e vilarejos onde os moradores recebem turistas com muito carinho.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes para os Lençóis Maranhenses. Trabalhamos lado a lado com guias e operadores locais experientes e cuidamos de toda a logística, da primeira reserva ao último mergulho de lagoa, para que você possa se concentrar na experiência. Fale conosco agora!

  • Três noites no Pantanal Sul: a história de Sandy com a vida selvagem brasileira

    Três noites no Pantanal Sul: a história de Sandy com a vida selvagem brasileira

    Uma aventureira já íntima do Brasil, a primeira viagem do filho ao país e três noites no Rio Miranda, em suas próprias palavras

    Aos 63 anos, Sandy McKelvey passou boa parte da vida adulta indo e voltando do Brasil. Dá aula de inglês para estrangeiros em uma faculdade comunitária de Nova York e fala português, já que tocou um negócio no Brasil e rodou o país por 12 anos quando era mais nova.

    Além de ter morado na Bahia e em Pernambuco, também conhece o Ceará, Belém do Pará, Manaus, Minas Gerais, Natal, São Luís do Maranhão, Santarém, Rondônia e Acre. Em toda essa bagagem faltava justamente o destino indicado por um amigo biólogo que mora em Corumbá, cidade vizinha às áreas alagadas: Sandy nunca tinha pisado no Pantanal.

    A chance perfeita veio com Robert, seu filho, que tinha duas semanas de folga. Como era a primeira vez dele no Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo entraram sem discussão no começo do roteiro. Mas Sandy buscava uma experiência diferente para finalizar a viagem. Escolheu, então, a planície alagada de 210.000 km² que se estende por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

    Em agosto de 2026, Sandy e Robert passaram três noites em um lodge na margem do Rio Miranda, no Passeio Econômico no Pantanal, organizado pelo PlanetaEXO e conduzido por um guia local. Agora quem conta é ela: confira abaixo!

    O que ela esperava e o que o Pantanal entrega de verdade

    Sandy chegou com uma imagem formada a partir de documentários sobre a natureza, mas encontrou uma paisagem impressionantemente produtiva, já que a criação de gado ocupa boa parte do Pantanal Sul.

    “Percebi que boa parte do Pantanal é área rural, fazendas, criação de gado”, disse ela. “E fazia todo sentido. Não era bem o que eu tinha imaginado, mas foi muito interessante do mesmo jeito. Gostei bastante.”

    Sandy também sabia que a natureza é imprevisível, ainda mais tratando-se de animais. Mesmo assim, Robert torceu para ver um tamanduá. O bicho não deu as caras, mas mãe e filho viram capivaras, jacarés, búfalos, bugios e muitas aves.

    No Pantanal, a estação seca, mais ou menos de julho a outubro, concentra os animais em torno da água remanescente e oferece melhores chances de avistamento. É o melhor destino do Brasil para observar vida selvagem, mas a natureza segue o próprio ritmo, e é justamente essa imprevisibilidade que torna o ecoturismo tão autêntico.

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    No Pantanal, o guia é o seu melhor amigo

    Pergunte a Sandy o que fez a viagem tão especial, e a resposta é Bobby, o guia que os acompanhou. “O que tornou a viagem mais especial foi o nosso guia. Ele era simplesmente maravilhoso.”

    O trabalho dele, conforme sua descrição, nunca parava. “Ele passava o tempo todo observando o mato em busca de animais. E, sinceramente, se ele não estivesse com a gente, não teríamos visto nada, porque os bichos ficam escondidos.” O exemplo ao qual ela sempre volta é um bando de bugios, que estavam lá no alto e bem longe. “Ele só reparou uns galhos se mexendo e falou: ‘Olha, bugios!’ Foi impressionante”, diz ela, ainda admirada.

    O acaso ainda deu uma mãozinha. Bobby era muito próximo justamente desse amigo de Corumbá, o que deixou a experiência ainda mais rica e pessoal.

    As conversas com ele foram a outra metade da experiência. Sandy fez perguntas o tempo todo, e o que recebeu em troca foi uma faceta do Brasil que ela nunca tinha conhecido na Bahia ou em Pernambuco. “Gostei de conhecer pessoas diferentes das que encontrei em outras partes do Brasil”, contou.

    A conclusão dela é o conselho mais simples e valioso da conversa. “Nunca vá ao Pantanal sem um guia. Seria uma total perda de tempo.”

    👉 Leia mais: Como chegar no Pantanal, no Brasil

    Rio acima, onde os bichos chegaram perto

    De toda a programação, um passeio se destacou: a segunda saída de barco, que subiu o rio até um canal mais estreito, onde Sandy viu mais bichos.

    O momento que ela descreve melhor aconteceu num trecho de brejo tomado de plantas, em que o barco simplesmente parou. “Ficamos parados por um instante e então percebemos que estávamos completamente cercados”, lembra ela. Dezenas de jacarés em todos os lados.

    No meio deles, andando por cima da vegetação, estava uma jaçanã, a espécie que o pessoal da região chama de ave de Jesus Cristo pela habilidade única de “andar sobre a água” — os pés enormes, de dedos finos e unhas compridas, distribuem o peso do corpo sobre as plantas aquáticas e fazem-na deslizar pela superfície de um jeito fluido e surpreendente.

    “[A jaçanã] estava bem ali, no meio dos jacarés, e ninguém incomodava ninguém”, completou. “Estavam todos juntos, de boa. Achei aquilo muito bonito.”

    👉 Leia mais: Animais do Pantanal: fauna e vida selvagem

    Um dia de pesca surpreendentemente memorável

    A pesca de piranha faz parte do programa padrão do lodge onde Sandy e Robert ficaram, mas ela não estava nem um pouco animada. O horário deles precisou mudar porque outro grupo o ocupou, o que fez a atividade cair no último dia. “Achei que seria feito às pressas e que não seria tão bom”, admitiu.

    Para sua surpresa, essa se tornou uma das melhores coisas de toda a viagem. A diferença, de novo, foi o guia. “Foi superdivertido, na verdade. Se não fosse o Bobby, não teria graça nenhuma.” Sandy tinha ouvido falar de grupos que não pegaram nada e desistiram, mas Bobby fez diferente e criou uma regra: ninguém para até todo mundo fisgar um peixe.

    “Todo mundo pegou peixe. [Bobby] ficava trazendo mais carne e explicando tudo. Não paramos até todos conseguirem”, contou ela, sorrindo.

    Um colar, um facão e meia hora de artesanato

    A última atividade da estadia foi uma trilha curta. De novo, ter um profissional guiando fez toda a diferença. “A gente não perceberia nada se ele não apontasse as coisas, como algumas árvores específicas”, observou Sandy.

    Em certo momento, Bobby parou diante de uma suculenta, mostrou ao grupo como tirar as fibras de uma folha com o facão e começou a trançá-la até que ficasse resistente. Estava fazendo uma pulseira para Robert, errou o comprimento e acabou dando para outra pessoa. Nada grave — faria outra para Robert.

    Ele cortou uma segunda folha e a levou de volta. No dia seguinte, pouco antes da pescaria, Bobby e Robert sentaram e trabalharam juntos. Saiu um colar no lugar da pulseira, feito com um dente de jacaré que ele carregava, uma segunda fibra trançada para colorir e cerca de meia hora de empenho.

    “Ficou de uma beleza absurda, porque esse cara é claramente um artista, além de guia”, disse ela. “Eu realmente não esperava. [Bobby] só queria que [Robert] tivesse um souvenir bonito.”

    Ótima hospitalidade e um dia quente

    Sandy e Robert sabiam que a hospedagem escolhida, o Pantanal Jungle Lodge, era rústica na medida certa. “É meio simples, mas esperávamos por isso e gostamos assim”, afirmou ela. Os dois ficaram em um dos quartos de beliche, dividido com outros dois viajantes. “Foi tudo tranquilo. Todo mundo foi muito educado.”

    O restante do veredito é curto e consistente: “A comida era muito boa e todos os hóspedes eram supersimpáticos.” O lodge fica na beira do Rio Miranda, o que já faz metade do trabalho. Sandy fotografou aves sem sair da propriedade.

    A hospedagem foi boa, mas o calor pesou. O Pantanal é quente por natureza e, dependendo da época do ano, seco. Uma manhã em especial, durante um passeio a cavalo, mostrou-se exigente. “Devia estar uns 38 °C. Estava muito quente e estávamos no sol.”

    À tarde, o grupo saiu de caiaque contra a corrente. “Eu até gosto muito de caiaque, mas estava quente demais. Naquele momento, pensei: ‘Estou exausta pelo calor’”. Foi difícil, mas ela fez questão de esclarecer que ninguém mais passou por isso. “Foi só comigo. Eu estava sofrendo com o calor.”

    O clima pesa muito no roteiro e na experiência de cada viajante — não apenas no Pantanal, mas em qualquer outro destino de natureza. Conhecer os próprios limites, como Sandy fez, é a atitude mais sábia!

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    O Pantanal é seguro? A resposta sincera de Sandy

    Sandy não responde a essa pergunta com ingenuidade, já que morou no Brasil, acumulou experiências boas e ruins em cidades brasileiras e é criteriosa na hora de circular por grandes cidades.

    Sobre o Pantanal, a resposta veio na hora. “Me senti 100% segura. Você nem precisa se preocupar com onde deixa a carteira ou a bolsa”, afirmou.

    Os animais também nunca a preocuparam. “Nunca senti medo dos bichos. Isso nem passou pela minha cabeça”, disse ela. “A gente fica num barco grande. É seguro.” Reparou também no lado operacional do passeio. “[A equipe] era muito responsável: todo mundo de colete salva-vidas.”

    Próxima parada: a Amazônia (agora com a filha)

    A viagem ao Pantanal já puxou a próxima. A filha de Sandy chega ao Brasil pela primeira vez em breve, e as duas já têm planos para ir a Manaus e se embrenhar na Amazônia, região que Sandy conheceu anos atrás e não visita desde então.

    São destinos que valem conhecer ao menos uma vez na vida. A Amazônia é floresta — densa, vertical e misteriosa. O Pantanal é planície alagada e aberta, onde a água traz os animais para perto.

    Depois de tantos anos de Brasil, Sandy recomenda o lugar que ganhou seu coração: Salvador, na Bahia, uma das cidades onde morou. “É tão única, tão histórica: a cultura, a música. Se for ao Brasil, vá para Salvador.”

    👉 Leia mais: Pantanal ou Amazônia: qual escolher?

    Conhecendo o Pantanal Sul com o PlanetaEXO

    Agora que você leu a história de Sandy, já sabe o que o Pantanal Sul entrega de verdade: uma planície alagada que também é área de trabalho, local em que os bichos aparecem na natureza em vez de ficarem em exposição, e onde um guia que sabe ler a margem do rio é quem faz a viagem valer a pena.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes no Pantanal Sul. Trabalhamos com guias e operadores locais experientes e cuidamos da logística (transfer saindo de Campo Grande, lodge, refeições e programação de atividades) para você se concentrar na natureza, desde a primeira reserva até o último passeio de barco. Fale conosco agora!

  • Hotel flutuante ecológico na Amazônia visto do barco ao amanhecer no Rio Negro

    Explorando a Amazônia: a aventura de Erica em um hotel flutuante no Brasil

    Explorando a Amazônia: a aventura de Erica em um hotel flutuante no Brasil

    Uma viajante, duas amigas e uma imersão surpreendente na maior floresta tropical do mundo

    Algumas viagens começam por um lugar, mas esta começou por um evento. Erica L., 41 anos, trabalha como analista de pesquisa nos Estados Unidos. Quando uma amiga marcou o casamento no Rio de Janeiro, Erica viu ali a oportunidade perfeita para esticar a viagem. Afinal, se ia atravessar o mundo até o Brasil, precisava explorar mais.

    Junto com duas amigas, ela partiu para uma viagem inesquecível para a Amazônia, hospedada em um hotel autossuficiente de 6 suítes que flutua no rio, sobe e desce conforme o nível da água e funciona com energia limpa o ano inteiro.

    Vista aérea de um rio escuro serpenteando pela floresta amazônica no Brasil

    Erica e as amigas entraram na floresta em um tour de 3 dias na selva amazônica saindo de Manaus, organizado e conduzido pela equipe do PlanetaEXO e por guias locais. Aqui, contamos a história dela para mostrar como é, de verdade, viver a natureza: encontros marcantes com a fauna, conexões com quem vive ali e muito mais conforto do que ela esperava. Confira abaixo!

    Uma extensão de viagem que superou as expectativas

    Quando Erica reservou o tour, a expectativa já estava alta. Ela tinha lido o roteiro do PlanetaEXO e visto as fotos, mas a realidade superou tudo. “A equipe do hotel fez muito mais do que o esperado. Foram maravilhosos e gentis com a gente”, lembra ela.

    O que mais a surpreendeu foi o nível de conforto. Ela esperava uma expedição dura e problemas com mosquitos (chegou a dar um “sermão” nas amigas sobre repelente), mas a experiência foi exatamente o oposto.

    O hotel flutuante tem um deck de observação de estrelas no terraço e uma piscina agradável. “Foi tudo muito tranquilo e confortável. Os passeios de barco eram suaves, de no máximo 3 horas, e a equipe estava sempre atenta ao que o grupo precisava.”

    Viajantes em um passeio de barco pelo Rio Negro durante um tour de 3 dias na Amazônia saindo de Manaus

    👉 Leia mais: O melhor hotel de selva na Amazônia: onde se hospedar no Brasil

    Hospitalidade amazônica e atenção aos detalhes

    Viajar com restrições alimentares pode ser um desafio, ainda mais em áreas remotas. Erica é vegetariana e as duas amigas são veganas. “Sinceramente, eu estava um pouco preocupada de elas passarem fome, porque não é uma dieta muito comum.”

    A equipe do hotel, porém, brilhou. Em todas as refeições, pratos principais e sobremesas veganas eram preparados especialmente para elas, com legumes e ingredientes locais, reforçando o compromisso do hotel com a sustentabilidade e as práticas ecológicas.

    Suíte do hotel flutuante na Amazônia com vista para o rio, rede na varanda e binóculo sobre a cama

    👉 Leia mais: Pratos típicos da Amazônia: 7 comidas para provar na sua viagem à floresta

    O guia que lê a floresta

    Em uma floresta sem placas e com rios que mudam conforme a estação, o guia é fundamental. Os guias de Erica, Tyson e Josephine, deixaram sua marca.

    Tyson conhecia tanto a região que, durante um dos passeios, avisou ao piloto do barco que aquela seria a última vez que poderiam fazer um determinado trajeto, porque o nível do rio tinha baixado e poderia ser perigoso. “Foi muito louco pensar no quanto você precisa conhecer um terreno para entender isso. Meu cérebro não tem esse tipo de conhecimento”, brincou Erica, admirada com tal nível de domínio.

    A hospitalidade estava à mesma altura. Sabendo que uma família francesa chegaria no dia seguinte, Tyson ficou acordado até as 3 da manhã tentando aprender francês básico para recebê-los da melhor forma possível.

    Outra surpresa foi descobrir a origem da equipe. “Eu não sabia que os colaboradores seriam de comunidades indígenas locais”, admitiu. “Isso, por si só, é uma das partes mais legais da viagem. [A equipe] era muito acolhedora e gentil. Foi o acolhimento mais caloroso que eu já recebi em qualquer tipo de turismo.”

    Grupo em uma trilha na mata fechada com um guia local durante um tour na selva amazônica

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    Encontros com a fauna que ficam na memória

    Embora o grupo tenha pescado piranhas e visto preguiças, jacarés, várias aves e duas espécies de macacos, foi a interação com os botos-cor-de-rosa que roubou a cena.

    “Tyson falou pra gente: ‘Acho que vocês não vão ver só botos; acho que vocês vão ver bandos de botos’. E vimos mesmo! Foi incrível. Eles estavam pescando, pulando para fora da água e chegaram bem perto do barco”, lembrou Erica, animada, contando que os avistamentos foram frequentes o bastante para capturar ótimos vídeos.

    Boto-cor-de-rosa nadando logo abaixo da superfície do Rio Negro, na Amazônia

    👉 Leia mais: 15 animais da Amazônia: desvende a vida selvagem no Brasil

    É seguro viajar para a Amazônia? A resposta sincera de Erica

    Segurança é uma preocupação comum de quem visita o Brasil pela primeira vez. Erica, no entanto, sentiu-se 100% segura. Antes da viagem, leu o post do blog do PlanetaEXO sobre segurança em Manaus e tomou precauções sensatas.

    “Eu sabia que devia respeitar o que estava ao meu redor. Sempre usamos o Uber Black e eu fui muito cautelosa com o horário em que saíamos. Não queria ser mais aventureira do que seria em um lugar que eu conhecesse melhor, então não tive problemas [em nenhum lugar do Brasil]”, contou ela.

    O idioma também não foi um empecilho. O espanhol básico de Erica deu conta, já que é parecido com o português. No hotel, ela conversou em espanhol com o chef e o bartender do lodge. “Todo mundo foi muito paciente e gentil.”

    As dicas de Erica para quem vai pela primeira vez

    Depois da experiência, Erica deixou três dicas práticas para quem está planejando conhecer a Amazônia:

    Leve notas pequenas para as gorjetas

    Erica queria ter levado mais dinheiro para dar gorjeta individualmente às várias pessoas da equipe (guias, pilotos de barco e funcionários do hotel) que prestaram uma assistência excepcional. “Eu não tinha ideia de como o serviço seria atencioso e completo.” Eram pelo menos cinco pessoas a quem ela queria retribuir individualmente.

    Vale saber: a cultura de gorjeta no Brasil é diferente da dos Estados Unidos, já que o serviço costuma vir embutido na conta e a equipe não espera por isso. A gratificação é bem-vinda, nunca obrigatória. Se quiser contribuir, leve notas menores.

    Prepare-se para doações locais

    Durante a viagem, o grupo visitou uma escola local impressionante, onde as crianças aprendem vários idiomas. Se ela soubesse de antemão que algumas comunidades aceitam doações, teria adorado levar material escolar.

    “Eu jamais me atreveria a fazer algo assim, porque pode ser estranho oferecer presentes que as pessoas não autorizaram”. Erica recomenda perguntar com antecedência se existe alguma forma de apoiar as comunidades locais visitadas ao longo do itinerário.

    Leve roupas casuais, de resort

    Erica se preparou para uma expedição “extrema” na selva, mas o hotel tinha um clima muito agradável. “Os viajantes podem querer levar roupas mais casuais ou de estilo resort para usar durante o tempo que passarem no alojamento”, aconselha.

    Hotel flutuante ecológico de telhados vermelhos refletido no Rio Negro, na Amazônia brasileira

    👉 Leia mais: Melhor época para visitar a Amazônia no Brasil

    Próximos planos: o Pantanal

    Uma viagem só não foi suficiente. O Brasil conquistou Erica, e ela já pensa em voltar. O próximo destino? O Pantanal.

    Como grande fã da vida selvagem (e que perdeu a oportunidade de ver capivaras no Rio de Janeiro!), ela já sonha em visitar a região para avistar as icônicas onças-pintadas.

    Onça-pintada lambendo o filhote, no Brasil

    👉 Leia mais: Onde ver onças-pintadas no Pantanal

    Conheça a Amazônia com o PlanetaEXO

    Agora que você viu a Amazônia pelos olhos de Erica, sabe o que essa viagem realmente exige de você (muito pouco) e o que ela devolve: encontros espontâneos com a vida selvagem, guias atentos que interpretam o rio como um mapa, hospitalidade de alto nível e paisagens naturais grandiosas.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes na Amazônia. Trabalhando ao lado dos melhores operadores, cuidamos de toda a logística (transfers, hospedagens, refeições e roteiro) para você só aproveitar. Fale conosco!

  • A Trilha de 3 Dias de uma Família nos Lençóis Maranhenses: a História de Olivia no Brasil

    A Trilha de 3 Dias de uma Família nos Lençóis Maranhenses: a História de Olivia no Brasil

    Uma família austríaca, três semanas e meia no Brasil e três dias de caminhada por um deserto de dunas brancas e lagoas de água doce, contados nas próprias palavras de Olivia

    Algumas viagens começam por um lugar, mas esta começou por uma estação. Olivia Rossignol, 48 anos, trabalha nas Nações Unidas e mora na Áustria. Quando planeja uma viagem para a família, começa eliminando opções. Queria um lugar quente para viajar durante o verão europeu, sem cair na estação chuvosa de outro lugar, o que a levou ao Brasil. Enquanto julho é inverno no sul, o norte do país está bem no meio da sua estação seca.

    O destino exato veio da filha de 15 anos. Pesquisando sobre o Brasil no Google, encontrou as imagens surreais dos Lençóis Maranhenses em alta no Instagram e fez a pergunta óbvia: “Podemos ir?”. A família montou a viagem de três semanas e meia em torno disso, acrescentando Rio de Janeiro, Pipa, Salvador, Chapada Diamantina e Morro de São Paulo pelo caminho.

    Mas o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, uma extensão de 155 mil hectares de dunas de areia branca e lagoas de água da chuva no estado do Maranhão, nunca deixou de ser o ponto central. Foi a primeira vez da família no Brasil e, sem dúvida, o grande destaque de toda a viagem.

    Olivia, o marido e a filha atravessaram as dunas e as lagoas em uma trilha de 3 dias pelos Lençóis Maranhenses, organizada e conduzida pela equipe do PlanetaEXO e por guias locais. Agora compartilhamos a história dela para mostrar como é realmente essa experiência: para uma família, para quem visita o Brasil pela primeira vez e para qualquer pessoa que tenha as mesmas dúvidas que Olivia um dia já teve. Confira abaixo!

    Um destino que a filha encontrou na internet

    Um ano atrás, os Lençóis Maranhenses nem estavam no radar de Olivia, como ela mesma admite sem hesitar. “Não importa a quem eu conte que estive lá, ninguém conhece. E, sinceramente, um ano atrás eu também não conhecia,” confessou.

    A ideia só sobreviveu porque resolvia um problema (um destino fora da estação seca em julho) e porque a filha insistia nas imagens que tinha visto na internet.

    Então, inverteram a lógica de sempre. Em vez de encaixar as dunas em um roteiro pelo Brasil, montaram o roteiro em torno de Lençóis e preencheram o resto depois. Para quem visitava a América do Sul em família pela primeira vez, apostar na escolha trazida por prints tirados por uma jovem de 15 anos se mostrou a decisão ideal.

    👉 Leia mais: Melhor época para visitar os Lençóis Maranhenses

    Três dias desconectados e uma paisagem de outro mundo

    Os acampamentos no parque nacional ofereciam Wi-Fi, mas Olivia decidiu não usar. “Para mim estava claro que eu não teria [internet] por três dias”, contou. “Até fiquei um pouco decepcionada por eles oferecerem. Ficar vários dias offline não é algo que acontece atualmente.”

    Essa escolha explica boa parte do impacto que a trilha pelos Lençóis Maranhenses teve nela. “Eu tinha a sensação de estar em um lugar completamente diferente, fora da Terra”, disse ela, impressionada, contando que esteve no deserto do Marrocos em fevereiro e esperava algo parecido, só que branco. “Não é. É muito mais espetacular.”

    O que mais surpreendeu Olivia foi como o parque se supera o tempo todo. “Você passa o dia inteiro caminhando, vê a areia branca, as dunas, as lagoas, passa uma noite agradável… E então o dia seguinte é ainda mais bonito que o anterior,” lembrou. “Você não espera por isso, porque acha que já viu tudo. Mas fica melhor.”

    O terceiro e último dia foi o melhor de todos, e o grupo teve sorte com o timing. “Pegamos a lua cheia, então começamos a caminhar à noite e nadamos sob o luar. Foi incrível.” O tempo também ajudou: ao longo de três dias, tiveram céu azul e, pela conta dela, só uns cinco minutos de chuva.

    👉 Leia mais: Quantos dias passar nos Lençóis Maranhenses?

    Os guias que ficaram até o fim

    Em um parque sem estradas, sem placas e sem sinal, são os guias que conduzem a viagem. Os que acompanharam Olivia, Patricio e Cristiano, deixaram a impressão mais forte de todas as pessoas que ela conheceu no Brasil. “Nunca na minha vida conheci pessoas tão gentis quanto aqueles dois guias.”

    O momento que ficou marcado nela veio bem no fim, em Santo Amaro, quando a viagem já tinha tecnicamente acabado. A família tinha um traslado marcado para o meio-dia e, nas palavras de Olivia, “do meu jeito europeu, comecei a ficar nervosa” quando o almoço não chegava. O guia simplesmente resolveu: ficou e comeu com eles, foi até a cozinha conferir a comida por conta própria, trouxe os pratos e garantiu que o transfer desse certo.

    “Eles tinham que cuidar da gente e cuidaram completamente. E sentimos isso porque, para eles, isso não é só um trabalho,” refletiu ela.

    👉 Leia mais: Como chegar aos Lençóis Maranhenses?

    A barreira do idioma superada pela simpatia brasileira

    Olivia ficou satisfeita com a viagem inteira, mas, quando insistimos para saber de algo que não funcionou, ela disse que foi difícil encontrar alguém que falasse inglês, e não só num vilarejo pequeno, o que ela já esperava, mas no Rio também, o que foi uma surpresa.

    Embora o conhecimento em italiano e espanhol da família tenha ajudado, a comunicação foi um pouco complicada com algumas pessoas. Ainda assim, nada que pudesse estragar a experiência. “Todos continuaram muito simpáticos, e eu voltaria. Com certeza vou voltar. Há muito mais para ver neste país.”

    O Brasil é seguro? A resposta sincera de Olivia

    Antes da viagem, Olivia estava um pouco preocupada. “Não com medo, mas preocupada”, esclareceu. A primeira coisa que os amigos perguntaram quando ela voltou para casa foi se o Brasil era perigoso. Após três semanas e meia, sua conclusão foi prática.

    “Desde que você tenha bom senso, não há motivo para ter medo.” Na prática, isso significava usar uma camiseta simples, não usar joias e não andar sozinho à noite.

    Ela não finge que nada aconteceu. Ao se afastarem do centro em Salvador, cidade de que gostou muito, durante uma caminhada de 20 minutos rumo a um supermercado, a família percebeu uma mudança no ambiente em comparação com a energia vibrante dos locais visitados anteriormente. “As ruas foram ficando mais escuras, e de repente nos sentimos sozinhos, então simplesmente paramos e pegamos um Uber.”

    Embora alguns momentos tenham trazido um breve desconforto, a ansiedade foi mais relacionada a encarar o desconhecido do que a qualquer outra coisa. No fim, toda a viagem correu tranquilamente.

    As surpresas do Brasil

    Olivia é franca ao admitir que chegou com ideias pré-formadas. “Temos essa arrogância boba na Europa”, reconheceu ela, citando que pensou que as coisas fora de casa seriam menos pontuais e organizadas. O Brasil desmontou isso.

    A família pegou três voos domésticos. Depois de um check-in lento, ela se preparou para atrasos que nunca vieram. “Tudo foi pontual, tudo deu certo. Até melhor, em alguns casos”.

    A comida foi outra surpresa discreta e deliciosa. As orientações compartilhadas antes da viagem minimizavam o cardápio, quase como um pedido de desculpas pela comida simples ao longo da trilha. Mas, no fim, Olivia e a família adoraram todas as refeições caseiras que os anfitriões prepararam para eles.

    Ela também avaliou muito bem o resto do Brasil, mas faz questão de dizer que nada se compara aos Lençóis Maranhenses.

    As dicas de Olivia para quem viaja ao Brasil pela primeira vez

    Questionada sobre o que diria a um amigo que fosse ao Brasil pela primeira vez, Olivia deu três dicas de viagem, com base na própria experiência:

    • Aprenda um pouco de português: mesmo algumas palavras comuns já ajudam bastante, especialmente fora dos grandes hotéis, onde o inglês é menos frequente.
    • Não deixe o medo planejar sua viagem: não é tão perigoso quanto as pessoas pensam. O bom senso faz a maior parte do trabalho.
    • Planeje com cuidado: o Brasil é grande demais para simplesmente reservar um voo e ver o que acontece. Decida para onde quer ir e o que quer fazer antes de viajar.

    👉 Leia mais: 10 dicas de viagem para os Lençóis Maranhenses e aproveitar sua viagem ao máximo

    Onde Olivia quer ir nas próximas férias e suas considerações finais sobre os Lençóis Maranhenses

    Uma viagem claramente não foi suficiente. Olivia tem certeza de que volta para o Brasil.

    No topo da lista está o Pantanal, seguido pela Amazônia e pelo litoral em torno de Paraty, ao sul do Rio de Janeiro. Para uma família que foi atraída por dunas de areia branca e foi embora planejando conhecer uma área alagada e uma floresta, essa é a melhor recomendação de todas.

    Ao resumir a viagem, Olivia não recorre à paisagem nem à logística, mas ao sentimento. “Foi o melhor momento das nossas vidas”, disse ela sobre a trilha de 3 dias pelos Lençóis Maranhenses. “A comunicação e a organização com o PlanetaEXO foram perfeitas, ágeis e confiáveis. A trilha em si foi uma das melhores experiências que já tivemos. Recomendamos muito!”

    Fazer trilha nos Lençóis Maranhenses com o PlanetaEXO

    Agora que você viu o parque nacional pelos olhos de Olivia, sabe o que uma viagem aos Lençóis Maranhenses realmente oferece.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em pacotes nos Lençóis Maranhenses e em outras aventuras pelo Brasil. Trabalhando ao lado de guias locais experientes, cuidamos da logística (traslados, acampamentos, refeições e roteiro) para que você e sua família possam focar nas dunas, do momento da reserva até a última lagoa sob a lua cheia. Fale conosco agora!

  • Uma cavaleira solitária atravessa as dunas de areia branca do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses a cavalo, com uma lagoa de água de chuva ao fundo.

    Travessia dos Lençóis Maranhenses a Cavalo: a Aventura Solo de Patricia no Brasil

    Uma viajante, quatro semanas e a travessia a cavalo do deserto mais surreal do Brasil, contada em suas próprias palavras

    Algumas das melhores viagens são aquelas que você nunca planejou. Patricia George, 31 anos, fisioterapeuta da Alemanha, tinha planos para surfar em Bali. Uma semana antes do embarque, seus voos, que passavam por Abu Dhabi, foram cancelados por causa da guerra. Ela queria um lugar quente e com boas ondas; uma amiga de São Paulo disse para ela ir ao Brasil, e foi exatamente isso que ela fez. Era a primeira vez dela no país e a primeira vez na América do Sul, sozinha por quatro semanas.

    Ela começou em São Paulo, surfou por 5 dias em Ubatuba e depois passou por Paraty, Rio de Janeiro e Ilha Grande antes de voar para o norte, até o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, uma extensão de 155.000 hectares de dunas brancas e lagoas de água de chuva no estado do Maranhão, reconhecida como parque nacional pelo ICMBio. De todos os lugares que viu no Brasil, esse foi o favorito. “Foi realmente impressionante”, disse ela. “Nunca vi nada parecido antes.”

    Patricia cavalgou pelas dunas e lagoas, uma experiência organizada e conduzida pela equipe do PlanetaEXO e por parceiros locais. Agora, compartilhamos a história dela para mostrar como é atravessar os Lençóis Maranhenses a cavalo. Confira abaixo!

    Passeios a cavalo desde os 10 anos (mas nunca na areia)

    Patricia não escolheu a travessia a cavalo como novidade. Ela monta desde a infância, então a sela era território conhecido. O terreno, não. “Eu cavalgo desde os 10 anos”, contou ela, “mas cavalgar na areia é muito diferente.”

    Atravessar as dunas não tem nada a ver com dar voltas num campo em casa: o chão se move, o cavalo trabalha mais e o trajeto segue por horas entre lagoas, em vez de girar dentro de um gramado cercado.

    Para quem tem experiência, é justamente esse contraste que importa: a habilidade continua valendo, mas o cenário transforma uma atividade conhecida em algo novo.

    Uma cavaleira de boné faz uma pausa para acariciar o focinho do cavalo nas dunas brancas dos Lençóis Maranhenses ao pôr do sol.
    Cavalgar na areia é bem diferente — mas o vínculo é o mesmo.

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    Dias na sela, sem sinal e sem pressa

    O que mais marcou Patricia foi o isolamento. O grupo passava o dia inteiro a cavalo, longe do sinal de celular, sem nada disputando a atenção dela.

    “A gente ficava o dia todo a cavalo, e você só tinha tempo para pensar”, refletiu. “Não é algo que temos no dia a dia.” Num parque onde as lagoas de água de chuva ficam entre dunas que chegam a 40 metros de altura, a paisagem fala por si. Não há playlist, não há notificações: só areia, água e o ritmo do cavalo.

    Esse tipo de desconexão é parte do motivo pelo qual a cavalgada nos Lençóis Maranhenses é tão diferente de um passeio de um dia. Você não só visita as dunas, mas também se conecta com a natureza e vive dentro dela por alguns dias.

    Uma lagoa turquesa de água de chuva entre dunas de areia branca sob um céu azul nos Lençóis Maranhenses.
    As lagoas de água de chuva ficam entre dunas de até 40 metros de altura.

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    O guia que lê a paisagem

    Num lugar sem estradas, sem placas e sem sinal, o guia é tudo. O de Patricia deixou uma forte impressão.

    “Fiquei muito impressionada com o meu guia, com a forma como ele lia a paisagem e sabia exatamente para onde ir”, lembrou. “Sem o celular ou o Google Maps, eu estaria completamente perdida.”

    Ele fazia aquele trajeto havia anos e conhecia todo mundo pelo caminho, o que dava à viagem toda a sensação de uma pequena comunidade de trabalho, e não de um circuito turístico. Como dissemos à Patricia, o guia dita toda a viagem, e, num lugar como os Lençóis, eles são essenciais.

    Uma cavaleira ao lado do cavalo nas dunas, observando uma lagoa no interior sem estradas dos Lençóis Maranhenses.
    Sem estradas nem placas, o guia lê a paisagem.

    Viajar sozinha como mulher

    Antes de partir, Patricia ouviu a preocupação de sempre. “As pessoas diziam: ‘Tem certeza de que quer ir? O Brasil não é o lugar mais seguro, ainda mais para uma mulher.’” Apesar dos avisos, sua experiência foi o oposto.

    “Sinceramente, sempre me senti segura ao longo dessas quatro semanas”, disse. Como a viagem foi muito espontânea, ela chegou sem expectativas rígidas e permaneceu aberta ao que viesse. Essa postura valeu a pena, ainda mais considerando que cada reserva foi de última hora — ela aproveitou o melhor de tudo.

    Isso não quer dizer que todas as noites foram fáceis. Na primeira, Patricia passou a noite num alojamento grande de área aberta e percebeu que era a única mulher ali, além da anfitriã. Ela ficou um pouco assustada, mas, como ninguém a incomodou, logo se sentiu à vontade.

    A segunda noite foi menos angustiante e mais absurda: a casa dela ficava elevada do chão, atrás de uma cerca para manter os animais do lado de fora, mas os porcos eram fortes demais, derrubaram a cerca e travaram uma barulhenta disputa de território embaixo do assoalho a noite toda. A situação foi, sem dúvida, pura adrenalina, mas no fim deu tudo certo.

    Uma viajante conduz o cavalo a pé pelas vastas dunas brancas dos Lençóis Maranhenses sob um céu nublado.
    Dias na sela por um deserto de areia e água, sem estradas.

    Gente acolhedora, reservada e totalmente presente

    Viajar sem falar português teve um custo. Os nativos eram calorosos, mas a barreira da língua deixava as conversas curtas. “Foi uma troca amigável, mas distante”, confessou. Se voltar, aprender um pouco de português está no topo da lista de Patricia, para conseguir fazer perguntas e se conectar de verdade.

    Mesmo à distância, uma coisa ficou clara. “As pessoas parecem que estão de fato vivendo a vida”, contou ela, descrevendo como os moradores estavam sempre presentes no que faziam, bem menos agitados do que nos países que tinha visitado antes.

    A baixa temporada fez com que a travessia dela fosse só ela e o guia, mas os alojamentos ainda traziam companhia: ela conheceu dois viajantes franceses fazendo o mesmo trajeto a pé e jogou cartas com eles à noite.

    Dois cavalos selados descansam na areia à beira de uma lagoa entre dunas durante uma travessia de baixa temporada dos Lençóis Maranhenses.
    Baixa temporada: só uma viajante, um guia e os cavalos.

    👉 Leia mais: Como chegar aos Lençóis Maranhenses?

    Porque o simples foi a escolha certa

    Patricia já sabia, antes de ir, que a hospedagem seria básica — e não viajaria de outro jeito. “Eu sabia que seria simples, mas acho que é isso que torna a viagem autêntica. Qualquer tipo de luxo pareceria fora de lugar.”

    Num cenário tão bruto, o conforto não é o atrativo, mas a verdade certamente é. A recompensa foi pessoal: a viagem, segundo ela, “me deixou mais confiante”, o que não é pouco para uma primeira viagem longa e sozinha por um continente desconhecido.

    Ela já pensando em voltar para o Brasil, desta vez para a Amazônia, atraída pelos hotéis de selva e pelos cruzeiros fluviais no coração da floresta.

    Vista aérea de um barco navegando pela floresta alagada e pelos canais de rios da Amazônia brasileira.
    O próximo sonho de Patricia: lodges na selva e cruzeiros fluviais na Amazônia.

    Conheça os Lençóis Maranhenses a cavalo com o PlanetaEXO

    Agora que você viu a travessia de Patricia pelos olhos dela, sabe o que as dunas pedem de você e o que elas dão em troca: dias na sela, desconexão total e um guia que conhece a areia de cor.

    O PlanetaEXO é uma plataforma de ecoturismo especializada em expedições a cavalo pelos Lençóis Maranhenses. Trabalhando lado a lado com guias e operadores locais experientes, cuidamos da logística para que você se concentre na cavalgada — da sua primeira reserva à travessia de uma das paisagens mais surreais do Brasil. Fale com a gente agora!